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Encontro
busca solução para precariedade do abastecimento
d’água
MATO
GRANDE – A solução para o problema da
precariedade do sistema de abastecimento
de água na região do Mato Grande está na
pauta das prioridades das autoridades governamentais
envolvidas com as questões da política agrícola,
agrária e fundiária no Rio Grande do Norte.
O compromisso foi assumido com a realização
do 1º Seminário de Reestruturação Produtiva
dos Assentamentos e Comunidades Rurais da
Região do Mato Grande, encerrado no início
da noite de quarta-feira, 2, na Associação
Cultural e Desportiva de Baixa Verde, em
João Câmara.
Promovido
pelo Movimento de Libertação dos Sem Terra
(MLST), o seminário reuniu representantes
de órgãos governamentais e não-governamentais,
como a Secretaria Estadual de Assuntos Fundiários,
Colonização e Apoio à Reforma Agrária (SEARA),
Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária
e da Pesca (SAPE), Secretaria Estadual de
Recursos Hídricos, Instituto de Gestão das
Águas do Rio Grande do Norte (IGARN), Instituto
de Colonização e Reforma Agrária (INCRA),
Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB),
prefeitos e lideranças do movimento rural
da região. O MLST surgiu em 1997 para contribuir
com a reforma agrária e na implementação
dos assentamentos rurais.
Além da
urgente solução para o problema da escassez
de água potável e para a irrigação das terras
destinadas a cerca de 60 assentamentos rurais,
que abrigam mais de 3,5 mil famílias distribuídas
em pelo menos 10 municípios do Mato Grande,
os representantes dos agricultores reivindicam
a instalação de uma fábrica de extração
do amido da mandioca, a revitalização da
cultura do sisal, com a implantação de uma
fábrica de processamento, e incentivos ao
fortalecimento de outras culturas, como
as do caju e mamona.
“O seminário
propiciou a oportunidade para que as instituições
que dele participaram assumissem o compromisso
de levar adiante a análise e as respectivas
ações em cima das demandas levantadas”,
avaliou o secretário estadual de Assuntos
Fundiários, Colonização e Apoio à Reforma
Agrária, Anchieta Lopes, cuja pasta ficou
responsável, segundo ele, de fazer a coordenação
e a mobilização das entidades para o atendimento
dos pleitos apresentados. Lopes representou
a governadora Wilma de Faria no seminário.
Segundo
Anchieta Lopes, a proposta da implantação
das fábricas de beneficiamento da mandioca
e de processamento do sisal será levada
à Secretaria Estadual de Indústria, Comércio,
Ciência e Tecnologia. Da mesma forma, a
Secretaria de Recursos e o Igarn irão se
debruçar sobre os projetos que podem solucionar
o problema da falta de água na região, cujo
clima seco dificulta o acúmulo de água de
superfície.
POÇOS
- O MLST sugeriu a construção de poços nos
assentamentos e de uma adutora para o aproveitamento
de água da Lagoa do Boqueirão, em Touros.
Especialistas do assunto, porém, não acreditam
na viabilidade desta última alternativa.
O diretor
do Igarn, João Abner, afirma que a Lagoa
do Boqueirão já está com sua disponibilidade
de água para irrigação esgotada. Para ele,
a alternativa para um projeto desta natureza
seria por meio do rio Maxaranguape. Porém,
devido a sua localização, os custos para
bombear a água podem encarecer o projeto.
Ele acredita, no entanto, que a solução
pode ser a construção de um sistema adutor
de pequeno porte para a oferta de água para
consumo humano e de poços e cisternas, onde
houver disponibilidade natural de água,
para a irrigação das culturas.
O secretário-adjunto
de Agricultura, Pecuária e de Pesca, Ronaldo
Fernandes, elogiou a iniciativa do seminário,
no qual os assentados demonstraram possuir
consciência dos problemas que enfrentam,
buscando definições e estabelecer prioridades
junto às autoridades. Ele acha que boa parte
das demandas levantadas nos debates que
ali sucederam será contemplada pelo Plano
de Desenvolvimento Sustentável do Litoral
Norte, que abrange os municípios do Mato
Grande. O plano está sendo finalizado e
seu lançamento está sendo esperado para
25 de abril.
Representantes
do Incra e da Conab reafirmaram que o compromisso
do governo Lula da Silva é de promover uma
reforma agrária eficiente, adotando políticas
públicas de incentivo à agricultura familiar.
Por isto, Luís Gonzaga, da Conab, órgão
que atua como braço direito do Ministério
da Agricultura, ficou animado com a possibilidade
de os assentamentos do Mato Grande receberem
apoio para desenvolver a cultura da fécula
de mandioca.
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