ATUALIZADO ÀS TERÇAS, QUARTAS, QUINTAS, SEXTAS E DOMINGOS
 

Espera prejudicial

1) A demora na indicação de alguns cargos de direção, importantes pela função que representam, poderá trazer prejuízos incalculáveis à população. O motivo principal tem sido o desmonte da máquina administrativa do governo anterior, sem que seus substitutos tenham sido ainda escolhidos.

Os que estão permanecendo não têm liberdade no desempenho das ações e, em outros casos, as disputas municipais atrapalham a escolha dos nomes. Dessa forma, os serviços funcionam parcialmente ou estão paralisados.

Essas dificuldades ocorreram em todos os setores, mas preocupam mais na área da segurança pública e da saúde. A violência ocorre em ritmo crescente e, mesmo o governo anterior havendo multiplicado os investimentos, essa área ainda está longe de atingir o nível satisfatório que todos deseja. Na saúde, a população está alarmada com a possibilidade de expansão da dengue, cujo controle depende de vários fatores, incluindo-se campanhas de esclarecimento público.

2) O governo federal parece haver perdido o interesse em tratar, em regime de urgência, as reformas apregoadas durante a campanha política. Enquanto a oposição pede urgência no envio das mensagens, a idéia do Executivo era de enviá-las depois de maio próximo. Recentemente, mudou de opinião e já se fala no encaminhamento dessas matérias somente no segundo semestre, quando terá uma posição mais clara dos votos que terá no plenário das duas Casas do Congresso.

Adiando a proposta dessas reformas, o governo estará ameaçado de não aprová-las no corrente ano. Será necessário continuar

com a mesma popularidade para conseguir os votos dos parlamentares sem maiores dificuldades. Depois, a crise entre os parlamentares do PT aumenta rapidamente, podendo atingir contornos imprevisíveis. E suas lideranças podem estar perdendo o poder da negociação, quando afirmam que os insatisfeitos procurem outra legenda, sugerindo outros três partidos de oposição não alinhados ao governo. A pressa é necessária. Mostrando indecisão, o governo Lula poderá perder o bonde da história.

 

LAÍRE ROSADO
EMAIL: laire.rosado@uol.com.br

É médico, ex-deputado estadual, ex-secretário de agricultura, ex-deputado federal e articulista político

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Mossoró-RN, quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003