Mienda Mirelly

O caderno Regional estréia hoje mais uma novidade voltada à integração de toda a região Oeste do Estado. O espaço Giro Entrevista trará a cada quinta-feira uma abordagem das particularidades que tornam o Rio Grande do Norte um dos Estados com maior diversidade social, cultural e histórica. Abrindo a série de entrevistas, a atleta Mienda Mirelly, da cidade de Umarizal, fala sobre a sua trajetória de sucesso através do esporte. Com apenas 18 anos, Mienda acumula 7 anos de experiências envolvendo equipes colegiais, além das seleções estadual e brasileira. De férias no Estado desde o mês de dezembro, Mienda Mirelly retorna na próxima terça-feira ao Estado de São Paulo onde se reapresenta à seleção brasileira feminina de handball categoria júnior. Antes de embarcar a atleta recebeu a equipe de O Mossoroense para uma entrevista exclusiva. Além de destacar a sua caminhada rumo ao crescimento no esporte, a atleta fala dos seus planos para o futuro e das possibilidades de participação das olimpíadas de 2008.     

Márcio Costa – Como se deu o seu início no handball?

Mienda Mirelly – Se deu no colégio Germano Sobrinho, de Umarizal, no ano de 1996, quando eu ainda tinha 11 anos. Não existia nenhuma outra modalidade na escola. Não existia vôlei, basquete ou qualquer outra modalidade. Esta era a única opção que tinha e acabei me integrando à equipe.

MC – Quando foi que você começou a perceber que estava se destacando no esporte?

MM – Nossa equipe foi jogar os Jerns em Pau dos Ferros onde fomos campeãs. De lá partimos para Natal onde fui convidada para jogar na equipe do Colégio Sagrada Família da capital.

MC – E o primeiro convite para integrar uma seleção partiu de onde?

MM – Em Natal comecei a trabalhar com o técnico Flávio Tinoco que me convocou para a seleção estadual para a categoria infantil. No ano de 1999 participei do primeiro campeonato nacional na cidade de Cascavel (PR), onde fomos vice-campeã e eu escolhida a segunda melhor pivô da categoria.

MC – E a seleção brasileira?

MM – Participei de um campeonato escolar em Brasília ainda quando morava em Natal e após isso surgiu o convite para integrar a seleção brasileira. Em agosto de 2000 o treinador da seleção, Sílvio, ao realizar a fase regional norte me incluiu no selecionado da região juntamente com mais três atletas natalenses.

MC – Após se integrar ao selecionado regional, como se deu o convite para integrar a equipe principal?

MM – Em 2001 recebi a visita do meu treinador em Natal me informando que eu teria que ir embora. Fiquei sem saber o que estava acontecendo até ele me informar que eu teria que ir para São Paulo, que meus pais já tinham autorizado e que dependeria de mim a integração à equipe brasileira de handball. Duas atletas foram convocadas para integrar a equipe nacional em São Paulo, eu e uma amiga de Natal.

MC – O que mudou na sua vida após o convite?

MM – Recebi o convite para integrar a seleção brasileira com muito orgulho e passei a me dedicar com muita força de vontade. A outra atleta acabou retornando em função da família, mas permaneci em São Paulo e comecei a sentir o peso da responsabilidade. Aprendi muito, aprendo ainda e muita coisa mudou em minha vida.    

MC – Como é a sua rotina de vida em São Paulo?

MM – A minha rotina de vida em São Paulo se resume aos treinos onde contamos com folga apenas aos sábados. Treinos puxados que levam toda a tarde e às vezes parte da noite. Fora os treinos existe um complemento na academia e a partir deste mês dividirei meu tempo com as aulas da Universidade.

MC – Quais serão os próximos passos como atleta?

MM – Fui graduada recentemente para compor a equipe júnior e até surgir uma oportunidade para chegar à equipe olímpica deverá levar uns 3 anos. Este é o sonho de qualquer atleta e vou trabalhar para que esta oportunidade seja consolidada.

MC – Até onde vão as chances de você participar de uma olimpíada?

MM – A inclusão na equipe olímpica não depende diretamente de mim. Mas vou trabalhar para que a minha caminhada no processo de graduações continue. Não tenho a mínima chance de participar das próximas olimpíadas, mas se os passos forem sendo confirmados, quem sabe eu não possa participar dos jogos de 2008. Já participei de um sul-americano e de um pan-americano. Faltam agora os dois principais campeonatos, o mundial e os jogos olímpicos.  

MC – Quais são os seus planos para o futuro?

MM – Minhas aulas na universidade vão iniciar e acredito que a integração no curso vá favorecer o meu desempenho e gerar abertura para o campo profissional. Pretendo levar o curso à frente e num futuro próximo retornar ao meu Estado em definitivo.

MC – Você pretende retornar à cidade de Umarizal?

MM – Acredito que eu possa retornar para desempenhar minhas funções como profissional no Estado. Não sei se terei como retornar para o interior do Estado, mas pretendo vir para atuar em Natal e se houver oportunidade poderei retornar para a minha cidade.

MC – A quem você responsabiliza o sucesso desta caminhada de destaque?

MM – Agradeço aos meus pais que sempre me deram apoio em todos os momentos desta caminhada, ao meu primeiro técnico de handball Washington Barbosa e aos meus treinadores Flávio Tinoco e Silvio por terem acreditado e me dado a oportunidade de crescer.

 

MÁRCIO COSTA
EMAIL: editor@omossoroense.com.br

É coordenador de Marketing de O Mossoroense

 

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Mossoró-RN, quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003