Mossoró-RN, domingo 2 de abril de 2006

A Rádio Rural de Mossoró

GERALDO MAIA
gmaia@bol.com.br

Em 2 de abril de 1963, há exatos 43 anos, surgia a Rádio Rural de Mossoró, uma emissora ligada à diocese e que tinha uma programação visando noticiar e defender o homem do campo. Presentes ao ato, além das autoridades eclesiásticas, representantes dos poderes públicos estadual e municipal, sendo o discurso que marcava o início das atividades proferido pelo presidente da República, João Goulart, que na ocasião visitava Mossoró.

A história registra que no Brasil a primeira emissora educativa a entrar no ar em 15 de agosto de 1958, em Natal, para atender adultos e jovens. Com autorização especial do presidente da República, Juscelino Kubitschek, a emissora de Educação Rural integra-se ao Sistema de Assistência Rural (SAR) da diocese de Natal, liderado pelo bispo auxiliar D. Eugênio Salles.

Em Mossoró, concessão do Canal de Rádio foi adquirida em 2 de abril de 1962. Coube ao monsenhor Américo Simonetti a incumbência de instalar a Rádio Rural. Os preparativos para instalação da emissora levaram o ano todo, de forma que só em 2 de abril de 1963, após grande mobilização de toda diocese, pode a Rádio Rural ser inaugurada.

No início era uma emissora de pequeno alcance, com potência de 1 kW, passando em 1980 para 5 kW e finalmente, em 15 de agosto de 1986 para 10 kW.

A programação elaborada pela Rádio Rural de Mossoró faz com que os ouvintes identifiquem a proposta cristã da emissora, sem a necessidade da existência de um grande número de programas estritamente evangélicos. Para seus dirigentes, "não é a quantidade de programas evangélicos que caracteriza uma emissora como cristã, mas sim a forma como sua programação é desenvolvida e de como os fatos são tratados pelos comunicadores, pois não adianta uma emissora se autodenominar de evangélica, desenvolver uma programação religiosa e não ter princípios éticos para divulgar os fatos e pregar a justiça social".

Nestes 43 anos de existência, a Rádio Rural constitui-se permanente instrumento da Evangelização na Diocese, na medida em que ampliou a voz de pregadores e permitiu a divulgação dos ensinamentos do Evangelho, além de servir para apoiar a luta de todos aqueles que se colocam a serviço da vida.

Alguns dos seus programas tornaram-se marco da radiofonia mossoroense, como é o caso do concurso "A Mais Bela Voz", que nasceu em torno dos festejos de Santa Luzia, mobilizando todo o Oeste do Rio Grande do Norte nos últimos três meses do ano e encerrando na véspera da procissão. Esse concurso transformou-se na maior referência para os jovens artistas ansiosos por uma oportunidade de projeção. Muitos foram os que já se destacaram a partir de boas classificações neste evento, como Amanda Costa, Zé Lima, Vicente Santiago, Ed Lemos, Reynaldo Bessa e muitos outros.

Mesmo no mundo globalizado em que vivemos, quando o fenômeno da imagem se faz presente em todos os recantos do país, a rádio continua sendo de grande importância na vida das pessoas. É o símbolo de uma época e tal qual uma fênix mitológica, renasce das cinzas a cada nova geração.

Para saber mais:

BAHIA HORTA, José Silvério (org). Rádio educativo no Brasil: um estudo, Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPEA), série documentos nº. 3, Brasília, 1976. 

 

Passeio Sentimental

Antônio Marcos de Oliveira
Professor de História

Orelógio já marcava pouco mais das 19h40, suficiente para saber que chegaria atrasado. Tomado pela expectativa, os passos eram firmes e rápidos. Bom teria sido chegar bem antes e ver adentrar naquele salão abençoado os componentes daquela reunião de inteligentes. Inteligentes e privilegiados são todos aqueles que, mesmo na condição de expectador, participam das atividades culturais neste país sem culto à memória e que mal ler.

Os pés faziam neste momento um percurso natural para os que se dirigiam ao Museu Municipal, partindo da praça da Independência, mas o coração pulsava ao cérebro energia para voltar ao tempo em que podia ver o Grande Hotel. Poderia imaginar aquela praça, onde antes acontecia os desfiles cívicos da cidade, também com jovens e cidadãos mossoroenses indo para o cinema de Chico Ricarte no Grande Hotel.

De repente, me sobreveio a vontade de passar um olhar investigativo ao Edifício Rocha e velhos armazéns ao redor do Mercado Central.

Incrivelmente permanecem, resistem à fúria de um progresso arquitetônico dominado pela ânsia cega do moderno, do novo. Ao fundo, muito silencioso o Beco das Frutas. No "oitão" da catedral uma presença fria e metálica de um de nossos maiores sacerdotes. Grande na estatura, imenso de espírito, gigante homem culto.

Agora os passos, antes tão determinantes na sua caminhada, obedecem ao coração para entender que fazia um passeio sentimental.

O ritmo diminui ao passar na calçada da casa de Maria Sylvia, a Massylvia de José Martins de Vasconcelos. Pintaram os azulejos, mas o corredor permanece, embora sem a sua cadeira onde recepcionava os amigos. Saudade, a palavra quase sussurrada...

Poucos passos antes da casa de Massylvia estava ali o antigo prédio do Museu Municipal. Fora lá onde conheci Seu Lauro, ainda sem bengala, prosador e simpático apesar do semblante sério.

Alguns passos e o velho e imponente prédio da União Caixeiral. Já não é mais azul e suas cores vivas anunciam um breve novo tempo: Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte.

O casarão de Dorian estava silencioso, ao fundo a porta fechada de sua biblioteca simbolizou a ausência de alguém que decidiu trabalhar em Mossoró, divulgando-a para todo o Brasil com sua obra apaixonante.

Vingt-un e Dorian são os grandes brasileiros de Mossoró.

Ao adentrar na rua Almir de Almeida Castro o som da Banda de Música Artur Paraguai já estava no ar. Não há como ouvi-la e não lembrar de Dix-huit e Raimundo Nonato da Silva, que uma vez queixou-se de ser um dos poucos a presenciá-la nas alvoradas durante as comemorações do Trinta de Setembro.

O Museu Municipal estava lindo; as luzes e as janelas abertas pareciam transmitir a alegria em sediar aquele momento, apesar de que, lá em cima, o corredor estava apagado como que num registro da ausência de tantos nomes. Cada degrau subido a lembrança trazia à imagem tantos que por ali subiram como os bem-intencionados da Sociedade Libertadora Mossoroense.

O salão nobre já não inspira o clima que denuncia sua importância sociocultural. Ali se reuniram por um período os intendentes de Mossoró, a Sociedade Libertadora, Grêmios e Instituições culturais para as realizações verdadeiramente nobres.

Acredito que por um instante quis procurar Vingt-un. E como me senti órfão...

Aquela noite reverenciava-se a memória de Lauro da Escóssia e Elder Heronildes outro protagonista de tantos eventos ali vividos, falou do amigo, do jeito que amigo fala do outro, porque conhece. Relembrou situações porque fora testemunha e co-participante de tantas lutas planejadas e travadas juntos por Mossoró.

E são tantos hoje que não estão mais entre nós... Que saudade. Que falta!

Saudosista? Sim, eu sou.

Copyright,© 2000-2006 - Editora de Jornais Ltda - Todos os direitos reservados
Site melhor visualizado em 800x600

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site