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LIÇÕES Zenóbio Oliveira
Cinegrafista (Mossoró/RN) zeaguilhadas@mikrocenter.com.br
Já deixei de sonhar há muitos anos,
Não tenho mais as ilusões da mocidade, Aprendi
com as lições da realidade, Que a utopia é a mãe
dos desenganos.
Hoje me apego aos fatos cotidianos,
Aceitando como única verdade, Que nessa vida
a tal felicidade, Não é bastante aos corações humanos.
Compreendo que as sonhadas alegrias,
Raramente presentes nos meus dias, São momentos
de conforto em meu desterro,
Um pequeno estado de alento, Que
ajuda a suportar o sofrimento, Que ensina a lidar
com o próprio erro.
TUDO QUERO Fátima Feitosa
Pedagoga (Mossoró/RN) bellavid_1@hotmail.com
Com você tudo quero, quase nada posso. Quero
te espiar demoradamente, Sentir tua presença, teu
cheiro, seu toque, Ouvir tua voz suave, envolvente.
Falar e rir com você, Pegar sua
mão e sair por aí livremente. Caminhar na relva ou
na areia Ou sentar e conversar simplesmente.
Me despir interiormente, Falar
dos segredos meus, Desvendar os meus mistérios,
Descobrir os segredos seus.
Você é meu lado poético, É a minha
doce fantasia Que me faz viajar por outros mundos
Colorido, alegre, cheio de poesia.
Também é o meu desejo Declarado
ou enrustido De consumo ou de sonhos Que vai
além do permitido.
Mas o meu lado humano Pede sempre
pra você Fazer uma loucura por mim Corre rápido,
vem me ver.
CALE-SE Ângela Rodrigues
de Oliveira Estudante de Filosofia da Uern (Mossoró/RN)
Cale-se Fique calado Apenas
sinta Meu cheiro... Meu respirar... Meu querer...
Fique calado... Não... não fale
ainda... Apenas responda Ao meu toque Segure
minha mão Coloque-me no colo
Afague-me,beije-me Só quero ouvir
o som De seu respirar O toque do seu beijo O
gosto de sua paixão
Quero neste silêncio Te amar, ser
sua Entender o que não for dito E em silêncio
dizer Tudo que sinto.
OS SAPOS 1918
Enfunando os papos, Saem da penumbra, Aos
pulos, os sapos. A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra, Berra o sapo-boi: -
“Meu pai foi à guerra!” - “Não foi!” - “Foi!” - “Não
foi!”.
O sapo-tanoeiro, Parnasiano aguado, Diz:
- “Meu cancioneiro É bem martelado.
Vede como primo Em comer os hiatos! Que
arte! E nunca rimo Os termos cognatos!
O meu verso é bom Frumento sem
joio Faço rimas com Consoantes de apoio.
Vai por cinqüenta anos Que lhes
dei a norma: Reduzi sem danos A formas a forma.
Clame a saparia Em críticas céticas: Não
há mais poesia, Mas há artes poéticas...”
Urra o sapo-boi: - “Meu pai foi
rei” - “Foi!” - “Não foi!” - “Foi!” - “Não foi!”
Brada em um assomo O sapo-tanoeiro: -
“A grande arte é como Lavor de joalheiro.
Ou bem de estatuário. Tudo quanto
é belo, Tudo quanto é vário, Canta no martelo”.
Outros, sapos-pipas (Um mal em
si cabe), Falam pelas tripas: - “Sei!” - “Não
sabe!” - “Sabe!”.
Longe dessa grita, Lá onde mais
densa A noite infinita Verte a sombra imensa;
Lá, fugindo ao mundo, Sem glória,
sem fé, No perau profundo E solitário, é
Que soluças tu, Transido de frio, Sapo-cururu Da
beira do rio
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