MARCOS FERREIRA/ MÁRCIO ALEXANDRE - Interinos
 

Oficina irritada

Longe da amenidade e graça do soneto de Drummond, de onde tomo emprestado o título para este raciocínio desimportante, vejo que as redações de jornal (pelo menos algumas de nossa aldeia) mais parecem estúdios de rádio ou gravadoras de “música” do que qualquer outra coisa. De modo que me impressiona como os jornalistas e diagramadores de agora, principalmente esta última categoria — salvem-se as exceções — conseguem trabalhar à vontade e responder satisfatoriamente por seus afazeres sob tão intenso e incessante desfile musical. Pois hoje, com a presença do computador e a “mundialização” da Internet, nossa jovem e elétrica imprensa dispõe de uma verdadeira discografia embutida nos seus micros. Daí que cada um, por meio das caixinhas de som dos computadores, reserva-se ao direito (embora os gostos sejam tão parecidos) de ouvir o que bem entende e no volume que desejam. Assim, fico deveras impressionado com o bem-estar e o grau de aproveitamento desses jovens no meio de imprensa, onde — isto pelo menos é o que imagino — concentração é fundamental... Bem diferente das velhas salas redacionais, aquelas onde outrora se ouvia apenas a onomatopéia aguda das máquinas datilográficas e o tilintar das xícaras de café sobre os pires. Mas esta é uma nostalgia que me não pertence. E neste exato minuto, enquanto perco a concentração e desabo sobre o lugar-comum da última hora, nossa “oficina irritada” trabalha a todo vapor (e volume) na edição de mais um dia.

Queda do dólar

Entendo tanto de câmbio quanto de física quântica, mas tenho boa memória. Lembro, por exemplo, que em todas as campanhas eleitorais, Lula sempre enfrentou o dólar. O valor da moeda americana subia na proporção em que ele aumentava seus índices no Ibope. Agora, “passado o perigo”, o dólar vem baixando que é uma beleza. Se continuar nessa balada, em um ano valerá menos que um peso argentino. Tomara.

Coisa de novela

Em breve, o Legislativo areia-branquense será tema de produção televisiva. O título já foi escolhido: “A Câmara dos 7 presidentes”. O povo inventa cada uma.

Mídia 

A grande pergunta que se faz em Brasília é a seguinte: qual o comportamento da Veja durante o mandato do petista Lula? A publicação sempre gostou de estar ao lado de quem governa. No bom sentido, claro.

Cântico Negro
(Fragmento)

José Régio

Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém!

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

 

Protesto

Antes de dar crédito a espertalhões, alguns desavisados deveriam pelo menos ter o trabalho de dar uma olhada nos jornais. É comum ver nome de gente ‘posuda” na lista daqueles que têm títulos protestados em cartório. Tem tanto nome bonito...

Formatura

Será no próximo sábado, dia 11, a solenidade de formatura dos concluintes dos cursos de Agronomia e Veterinária de 2002, da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM). Às 20h, no auditório Cônego Amâncio Ramalho.

Educação

Aliás, quem conhece de perto a educação mossoroense sabe que, apesar dos esforços da gerente Niná Rebouças, a prefeita Rosalba Ciarlini tem sido madrasta com o setor.

Livraria

Mossoró poderá ficar sem a A.S. Livros. A direção da matriz, em Natal, parece pouco satisfeita com os resultados obtidos em solo mossoroense e já fala na desativação da unidade local.

Ano novo

Contas velhas: IPVA, mensalidade escolar, IPTU...

Livro

Amanhã, às 18h, na A.S. Livros, acontece o lançamento do livro “Os Naturalistas e o Ceará”, de autoria do pesquisador Melquíades Pinto Paiva. O escritor, que é cearense de Fortaleza, será saudado pelo jurista Paulo Linhares. A publicação tem o apoio da Faculdade Vale do Jaguaribe (FJV), Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), Fundação Vingt-un Rosado (FVR), Academia Mossoroense de Letras (AMOL), Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), Fundação Ozelita Cascudo Rodrigues e prefeitura de Mossoró.

De fora

Mossoró caiu duas posições no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Segundo as más línguas, o desempenho só foi pífio porque a Organização das Nações Unidas (ONU), que organiza a pesquisa, não levou em consideração a beleza das praças construídas pela prefeitura. Ah, bom...
 

CID AUGUSTO
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Mossoró-RN, terça-feira, 7 de janeiro de 2003