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Uma
refinaria para Mossoró
Com o advento
do governo Lula, volta-se a falar da construção
de uma refinaria no Nordeste. E o Rio Grande
do Norte, claro, se acha no direito de reivindicar
que a mesma seja construída aqui. Afinal,
somos o Estado de maior produção de petróleo
em terra do Brasil. Mas não é só isso: A
refinaria deve ser construída em Mossoró,
é o que dizem os políticos locais. Na realidade,
esse apelo por parte dos mossoroenses pela
construção de uma refinaria, é mais antigo
do que muita gente pensa. Data de 1955,
quando o petróleo mossoroense ainda era
apenas um sonho, sonho esse perseguido por
pessoas que sempre desejaram o desenvolvimento
de nossa terra. Mas essas pessoas tinham
razões para sonhar.
Estudos
realizados pelo geólogo americano John Casper
Branner, datados de 1922 e publicado no
artigo “OIL POSSIBILITIES IN BRAZIL”, afirmava,
entre outras coisas, da possível existência
de petróleo no Estado da Bahia e em Mossoró,
no Rio Grande do Norte. Outros estudos feitos
por geólogos brasileiros como Luciano Jacques
de Morais, um geólogo brasileiro grande
conhecedor do Nordeste sob o ponto de vista
geológico, e Avelino Inácio Oliveira, autor
de um “Mapa Demonstrativo das Possibilidades
Geológicas do Petróleo no Brasil”, publicado
em 1938 pelo Serviço do Fomento da Produção
Mineral do DNPM, confirmavam a possibilidade
de existência do tão sonhado “ouro negro”.
E o sonho
passa a se tornar realidade quando começam,
em 1943, as sondogens na região, inicialmente
pelo Departamento Nacional de Produção Mineral
- DNPM e depois pela Petrobras, que usando
vários sistemas de reconhecimento, inclusive
perfuração de poços, chegaram a encontrar
vestígio de óleo mas sem intervalo de interesse
comercial. Em janeiro de 1956, a Petrobras
envia uma sonda para perfurar um poço pioneiro
em Gangorrinha (poço G-1 RN), próximo à
cidade de Grossos/RN, com o objetivo de
“testar a anomalia sísmica constatada quanto
às suas possibilidades oleíferas e conhecer
o verdadeiro perfil geográfico da área”.
Mas, os testes fracassaram. O petróleo existia;
só não se sabia onde encontrar. Os
técnicos da Petrobras eram de outras terras
e não tinham compromisso com Mossoró: foram
embora desanimados. Um mossoroense, no entanto,
vaticinou: “Um dia as torres voltarão ao
sagrado chão de Mossoró e dirão muito alto
que John Casper Branner, o sábio de Stanford,
e Luciano Jacques de Morais, o grande geólogo
patrício, estavam certos, absolutamente
certos, quando falaram do petróleo mossoroense”.
Era o professor Jerônimo Vingt-un
Rosado Maia que, conhecendo os estudos existentes
sobre a possibilidade de petróleo em Mossoró,
não desanimava. Os resultados negativos
não cansaram e nem influíram negativamente
no seu espírito. Tanto assim que já em maio
de 1955 lia um trabalho na Rádio Tapuyo
defendendo a instalação de uma refinaria
de petróleo em Mossoró. Terminava o seu
trabalho dizendo: “O nosso petróleo jorrará,
mercê de Deus, e se os homens do Governo
Central nos ajudarem o refinaremos na proximidade
dos próprios poços produtores e de um Porto
Marítimo, colocando-o assim do ponto de
vista de facilidade e economia de acesso
aos centros de consumo, em situação altamente
vantajosa”. Era um sonhador? Sim,
ele mesmo confirmava em matéria publicada
na revista RN Econômico, tentando dizer
que, mesmo não sendo um especialista na
matéria, possuía a convicção pessoal
da existência de petróleo na região de Mossoró.
E ele estava
certo. Algum tempo depois outros testes
foram feitos na região, em lugares próximos
a Mossoró, com resultados satisfatórios,
o que faz voltar as esperanças de finalmente
se encontrar o tão precioso líquido em volume
comercial. E o sonho se realiza em 1979
com o famoso poço do Hotel Thermas, que
foi o primeiro poço produtor de petróleo
da região e o ponto de partida para novas
descobertas.
Que a refinaria
seja construída no Nordeste, que seja no
Rio Grande do Norte e em Mossoró, é o que
todos desejamos. Que os nossos políticos
se unam para vencer mais essa batalha, mas
que nunca esqueçam, se realmente acontecer,
que o patrono dessa refinaria é aquele
que desde 1955 sonha e luta por sua instalação:
Jerônimo Vingt-un Rosado Maia.
(Para conhecer
mais sobre a história de Mossoró visite
o site: www.mossoro.cjb.net)
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