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DEPUTADOS
SEM-FOME.
BRASILEIROS
COM-FOME!
Que me
desculpem os (poucos) deputados e deputadas
federais sérios, mas o que a Câmara dos
Deputados decidiu, na calada da noite, aproveitando
a "calada" do carnaval -
que faz com que o povo se desligue
de notícias, sobretudo daquelas oriundas
do que deveria ser justamente a "Casa
do Povo" - é absolutamente
indecente, imoral e acintoso.
Não bastassem
as inúmeras vantagens e aumentos salariais
que sempre se autoconcederam, com ênfase
nos últimos meses, os deputados se "superaram"
nas vésperas do feriadão e aumentaram a
verba de gabinete de cada um deles de 25
mil reais para 35 mil reais por mês.
Uma paulada de 40% , que por si só vai representar
um gasto extra de mais 61 milhões de reais
por ano. Pagos, evidentemente, com o dinheiro
do contribuinte.
Na verdade
a farra carnavalesca dos nossos parlamentares
federais começou exatamente há dois meses
e meio. Em meados de dezembro, a Câmara
reajustou os salários dos 513 deputados
em 53%, pulando dos já elevados 8
mil e 200 reais para 12 mil e 700
reais. Limpinhos. Não satisfeitos,
em janeiro os deputados aumentaram de 7
mil para 10 mil reais por mês a ajuda financeira
que cada um deles tem para manter
um escritório de representação no respectivo
Estado de origem. Como se não bastasse o
gabinete totalmente gratuito e com todas
as despesas pagas em Brasília. E como se
ninguém soubesse que esses "escritórios
estaduais" não fossem, na verdade,
comitês permanentes de campanha pagos pelos
cofres públicos. Em detrimento, inclusive,
dos novos candidatos que têm que fazer a
campanha bancada do próprio bolso...
Somados
o salário; verbas de gabinete; ajuda financeira
para escritório estadual; auxílio para telefone,
correio, xerox, e fax; e auxílio-moradia,
na realidade cada deputado custa para
o bolso do contribuinte cerca de 67 mil
reais por mês. Sim, e mais 4 passagens de
avião, ida e volta, todo mês para
o Estado de origem, que variam, dependendo
da distância aérea, entre 4, 8 e 12
mil reais, que elevam o valor total para
71, 75 ou até 79 mil reais por
mês. Tomando-se por média 75 mil reais multiplicados
pelos 513 parlamentares, eles já custam
para o bolso dos contribuintes - sem
computar todas as outras despesas de manutenção
para manter a Câmara funcionando -
a bagatela de 38, 4 milhões por mês
ou 461 milhões de reais por ano. Quase 1/2
bilhão de reais...
Além de
tudo isso, os deputados federais têm privilégios
trabalhistas diferenciados de todos os trabalhadores
brasileiros. Para começar a longa lista,
enquanto milhões de pessoas recebem 13 salários,
tem um mês de férias por ano e precisam
atingir no mínimo 53 anos de idade para
se aposentar, mesmo que tenham começado
a trabalhar cedo; já vossas excelências
recebem 15 salários, têm 2 meses de férias
por ano e muitos já se "aposentaram"
apenas depois de exercer dois mandatos,
ou 8 anos de trabalho...
O
Parlamento e os deputados são extremamente
importantes. São os pilares para qualquer
nação democrática, quanto mais para a ainda
frágil democracia brasileira. Não podem,
entretanto, sangrar dos cofres públicos,
impedindo o uso em programas sociais, o
absurdo de 1/2 bilhão de reais ao ano, quando
mais de 40 milhões de brasileiros
estão abaixo da linha da miséria, ganhando
menos de 80 reais por mês e lutando na esperança
de serem incluídos num dos programas assistenciais
do governo federal como Vale-Gás, Bolsa-Escola,
Fome-Zero...
... Num
país com tantas disparidades socioeconômicas,
com tanta gente passando fome, a atitude
dos deputados federais choca e revolta.
São os Sem-Fome recebendo 75 mil reais versus
os Com-Fome ganhando quase zero.
Desculpem
o tom indignado, uma boa semana para todos
- e ainda tem deputado, com fome de
dinheiro, que vende habeas corpus para traficante
ou contrata agricultores em regime de escravidão.
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