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Entrevista

JOSEMÁ DE AZEVEDO

Josemá de Azevedo, 63, engenheiro civil e sanitarista, foi professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e ex-presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN), entre 1979 e 1986. Também foi secretário de Serviços Urbanos de Natal (1972). Atualmente, exercia a presidência da Agência Reguladora de Serviços de Saneamento do Município de Natal e integrou a equipe de transição da governadora Wilma de Faria.

O secretário estadual de Recursos Hídricos disse em entrevista exclusiva a O Mosssoroense os seus projetos à frente da pasta, além de fazer uma avaliação do primeiro mês de trabalho. Josemá falou que a secretaria foi transmitida na mais perfeita ordem, embora apenas uma obra tenha ficado inacabada. Mas, segundo ele, o problema foi decorrente do governo federal e não culpa da gestão anterior.

LUÍS JUETÊ - Da Editoria de Política

O Mossoroense – Há praticamente um mês à frente da Secretária de Recursos Hídricos, qual a avaliação que o senhor faz da pasta?

Josemá de Azevedo – Nós recebemos a secretaria em ordem. O único problema que não é culpa da pasta diz respeito à adutora de Serra de Santana, que está em andamento. Essa obra foi paralisada no final de dezembro, o governo federal cancelou o empréstimo da verba que estava sendo transferida para o Rio Grande do Norte. Esse empenho foi cancelado. A informação que nós temos é esta, que a obra foi paralisada por ordem legal, como rege a Lei de Responsabilidade Fiscal.

OM – Existe a possibilidade de retomada da obra?

JÁ – Sim. Nós já estamos negociando a retomada das obras. Na semana que passou a governadora assinou um aditivo, e dentro de mais uns quinze dias nós estaremos indo a Brasília para tomar as medidas iniciais para renegociar o aditivo e a reabertura de crédito. No orçamento deste ano, há uma destinação de cerca de R$ 8,9 milhões para essa adutora. Nós temos que lutar para assegurar que esses recursos sejam realmente liberados.

OM – Qual o raio de abrangência dessa adutora?

JÁ – Ela beneficiará mais de cem comunidades e algumas cidades.

OM – Quais são?

JÁ – Florania – que já está sendo atendida na primeira etapa –, Lagoa Nova, Bodó e São Vicente. É uma obra muito importante sob o ponto de vista social e que nós iremos lutar para que seja continuada.

OM – E quais os outros projetos para a Secretaria de Recursos Hídricos?

JÁ – Nós estamos concluindo o nosso planejamento estratégico. Mas a nossa grande meta é a consolidação administrativa da pasta. Nós ainda não temos um quadro administrativo. Todos os técnicos da secretaria são emprestados das outras secretarias. Nós iremos desenvolver um programa que já está iniciado, que é definir o quadro da secretaria e isso terá que passar pela Assembléia Legislativa. A partir daí, nós teremos um horizonte. Nós estamos instalando um Instituto de Gestão das Águas, que será uma autarquia ligada à Secretaria de Recursos Hídricos.

OM – Como irá funcionar?

JÁ – Ela irá ficar, no futuro, com a gestão e fiscalização do sistema de água, enquanto a secretária executará. Ainda este ano nós iremos desenvolver um projeto que está em análise na Secretaria de Assuntos Internacionais da Presidência da República, que é o Programa de Convivência com a Seca. É um programa com horizonte de dez anos, que é estimado em US$ 90 milhões.

OM – Qual a expectativa em relação a este programa?

JÁ – Nós esperamos que este estudo fique pronto ainda este ano. E depois de pronto, nós iremos negociar estes recursos com o Banco Mundial.

OM – Inicialmente, fale-nos sobre a visita que o senhor fez à região oeste, na semana que passou.

JA – Nós iniciamos o nosso roteiro de visitas na cidade de Assu, dentro da área de captação das adutoras Sertão Central Cabugi, Jerônimo Rosado. Nós vistamos também as barragens de Umari e Santa Cruz e também a região do Baixo-Açu. Além disso, procuramos ver algumas coisas, como o funcionavam nas comunidades.

OM – Por exemplo...

JA – O funcionamento de um dessalinizador, que eu já conhecia, feito através de uma associação, dentre outras coisas que nós observamos em nossa primeira visita de reconhecimento como titular da pasta.

OM – Qual a sua avaliação prévia do que foi visto?

JÁ – Inicialmente, nós vimos que as adutoras estão funcionando bem. O importante também foi ver o estado das barragens. A secretaria vai ter que desenvolver um programa de aproveitamento dessas barragens, isso é fundamental, seja na parte da irrigação principalmente. O governo do Estado e a Secretaria de Agricultura têm projetos de aproveitamento na área da piscicultura. Inclusive foi muito importante essa nossa visita ao Baixo-Açu, porque nós podemos conhecer alguns trabalhos que serão desenvolvidos.

OM – Como é o trabalho?

JÁ – É um estudo sobre a parte inferior do rio Assu. Da barragem até a foz, passando pela questão ambiental e também a questão da destinação da água. Há um problema importante que é a salinização na foz do rio Assu. É em cima disto que este estudo está sendo desenvolvido e atualmente se encontra em fase de análise na Agência Nacional de Águas.

OM – O estudo será feito com verbas do governo federal?

JÁ – O estudo será custeado uma parte por recursos do governo do Estado e a outra parte com recursos do Pró-Água. Então, tem que haver uma análise por parte deles. Este estudo será muito importante para o Baixo-Açu.

OM – O Rio Grande do Norte está preparado para entrar em um possível ciclo de grande seca?

JÁ – Nós deveremos nos preparar para isso. Eu acredito que nós teremos que buscar uma ajuda do governo federal. Nós esperamos que o governo dê o apoio para a área.

OM – E qual é a sua expectativa em relação ao governo Lula?

JÁ – A minha expectativa é boa, principalmente porque a linha deverá ser de um governo voltado para o social.

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Mossoró-RN, domingo, 2 de março de 2003