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Uma
CPI que se tornou inevitável
As revelações
feitas ontem pelo deputado Roberto Jefferson
a repórter da "Folha de São Paulo"
terminaram por colocar mais lenha na fogueira
desse hoje tão conturbado cenário nacional.
O parlamentar do PTB denunciou que colegas
seus de Casa, inclusive do PL (o partido
do vice-presidente José Alencar), teriam
recebido propina para votar matérias favoráveis
ou do interesse do governo no parlamento
nacional. Se para uns essas revelações de
Roberto Jefferson sinalizam para o fato
do parlamentar está atolado até o gogó em
graves denúncias e querer levar consigo
mais alguns para o fundo do poço, ou são
deslavadas mentiras ou ainda coisas inventadas
ou do contrário ainda têm o objetivo de
confundir a opinião pública. Pelo sim, pelo
não, uma Comissão Parlamentar de Inquérito
de agora por diante se tornou inevitável.
O governo
federal que vinha trabalhando com o objetivo
de esvaziar a propalada CPI dos Correios
agora não tem mais como achar que a população
brasileira deva conviver com um clima desses
e deixar tudo pra lá como se nada tivesse
acontecido. Não, esse lixo não pode nem
deve ser empurrado para debaixo do tapete.
Nada disso. Agora até mesmo o governo, caso
tenha bom senso, vai querer apurar tudo
e aí então a única alternativa que lhe resta
é apoiar amplamente a criação da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) que deverá
se instalar nos próximos dias.
Claro que
a sociedade brasileira deve querer que essa
comissão investigativa trabalhe com o maior
rigor possível, mas também sem esquecer
a sua total isenção, para que sejam conhecidos
os verdadeiros culpados envolvidos nas denúncias
que depois devem ser levados à Justiça para
serem julgados e, se for o caso, condenados.
Infelizmente
esse mar de lama em que se envolveu o governo
federal chega no exato instante em que se
começa a discutir a sucessão do presidente
Lula da Silva que, compreende-se, depois
das denúncias desses sucessivos escândalos
caiu, e muito, no conceito da opinião pública
brasileira.
O que resta
agora é ver essa comissão atuar com a mais
completa isenção, que não se faça disso
aquele temido palanque eleitoral para dele
se valer e tirar proveito com vistas ao
pleito do ano que vem e que os mais autênticos
interesses do Brasil sejam colocados acima
e antes de tudo.
Que venha
a CPI, que sejam preservadas as nossas instituições
democráticas e que tudo seja feito, mas
pelo verdadeiro bem do Brasil.
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