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A Feira
Eu devia ter meus dez ou onze anos, quando meu avô, o velho Chagas Urbano, começou a comercializar pelas feiras livres do interior do Ceará e aqui do Rio Grande do Norte também.
Vendia sapatos, chinelos, estas coisas.
Foi nesta época que ele me pediu para acompanhá-lo nas pequenas viagens, auxiliando-o na arrumação da barraca e na venda dos produtos.
Eu não era – como ainda hoje não sou – um bom vendedor.
Não dava prejuízos, mas também não vendia lá muita coisa, só meu avô é que negociava com grande experiência que tinha e as pessoas não saíam da banca sem levar algum produto.
Minha segunda experiência como feirante foi lá pelos idos de 1995, quando meu pai, depois de deixar o Coassú, sítio onde residimos durante muito tempo, e montar comércio na vila Canindezinho, resolveu residir de vez no coração da cidade.
Lá, comprou uma banca de frutas no mercado e nós, os filhos, o auxiliávamos na lida.
Àquela época eu não havia ainda despertado para a vida e nem imaginava que aquilo no futuro iria me servir de lição.
Daquele local ainda guardo o cheiro de frutas misturadas e o barulho dos fregueses nos ouvidos da saudade.
Depois veio a camelagem, artistas e feirantes, camelôs de todas as áreas transformando aquele ambiente já alegre por natureza, dando-lhe musicalidade e poesia, traço, cor e forma, uma festa de cultura.
E assim, hoje eu saí da feira, mas ela, ela saiu daqui, dentro de mim.
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Mossoró-RN, de 2005