GERALDO MAIA
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUARTAS
 

Pedaços da nossa história

Revendo os arquivos iconográficos de Mossoró, nos deparamos com velhas fotografias que a distância do tempo amarelou, onde a cidade aparece bucólica, com suas ruas largas, onde graciosos palacetes se destacam, remanescência de uma época de efervescência comercial, que atraiu grandes capitães da indústria e do comércio, que aqui se instalavam confortavelmente. Tempo em que as fachadas dos prédios comerciais delatavam a grandiosidade do negócio que ali estava instalado. Desses prédios e palacetes, poucos permanecem. A  sanha destruidora dos investidores imobiliários transformou em pó; tombaram  em nome da "modernidade", dando lugar a edifícios sem estilo, de linhas retas e sem graça.  Só as velhas imagens  fotográficas testemunham  o que um dia existiu. Bom seria que em cada local onde existiu um desses  prédios, fosse colocado um monumento, ou uma simples placa, dando o testemunho  histórico do que ali existiu.

Alguns imóveis dessa época, no entanto, permanecem em suas linhas originais. Uns por iniciativa do poder público, que os transformou em prédios oficiais, como é o caso do palacete do Prefeito Rodolfo Fernandes, que foi transformado no "Palácio da Liberdade", ou do palacete do industrial Antônio Florêncio de Almeida, onde hoje funciona a Secretaria de Finanças do Município. Outros, por iniciativa da família dos seus primitivos habitantes.  Nesse caso específico, em que a família prima pela conservação do imóvel nas suas linhas originais, destacamos o caso do "Catetinho",  que fica na Praça Bento Praxedes, nº 98, residência da família do industrial mossoroense  Dix-neuft Rosado Maia, que foi parcialmente  destruída por um incêndio, mas a vontade da família de preservar o casarão foi mais forte, e o mesmo foi reconstruído mantendo o seu estilo primitivo quase que inalterados.

Um caso de boa preservação é o do prédio onde funcionou a agência do Banco Bamerindus, ali na praça Rafael Fernandes, esquina com a Getúlio Vargas. Infelizmente,  pouco sabemos de sua história.  Do ano de sua construção e do seu construtor, não sabemos; Essa informação, a poeira do tempo apagou. Sabemos, no entanto, de sua serventia, graças ao empenho do historiador Raimundo Soares de Brito. Segundo "Raibrito", o prédio abrigou na fase áurea do nosso antigo e faustoso comércio, na época em que Mossoró abastecia grande parte do nosso Estado e também grande parcela da Paraíba e do Ceará, a firma M. F. do Monte & cia, firma pertencente a Miguel Faustino do Monte, um comerciante  empreendedor  "cujo capital sempre esteve ao serviço do desenvolvimento da cidade", segundo palavras do historiador Raimundo Nonato. Essa empresa, que foi fundada em 1890, sobreviveu até 1931 quando foi dissolvida.

Em período mais recente, o prédio serviu de sede ao DETRAN e à 1ª Delegacia de Polícia. Abrigou uma agência do banco Bamerindus e durante o período eleitoral de 2002, serviu de Comitê da Unidade Popular. Hoje foi está transformado em restaurante.

Outro prédio que merece destaque é o antigo palacete do comerciante Raimundo Juvino, conhecido atualmente como o prédio da Reitoria. Na época em que era ocupado por Raimundo Juvino foi, podemos dizer, a sede permanente do P.S.P., partido político de oposição que, no âmbito estadual, obedecia a orientação do então deputado Café Filho. Era no palacete de Raimundo Juvino que Café Filho se hospedava quando vinha a Mossoró. Era lá que reunia os amigos e correligionários, no trato de interesse do partido que dirigia.

Quando de sua 2ª visita  a Mossoró em 25 de agosto de 1950, Getúlio Vargas, como candidato à Presidência da República, foi ali banqueteado.

Ademar de Barros, chefe do partido a qual pertencia Café Filho, também se hospedou no palacete. Uma placa de bronze, afixada na entrada principal do prédio, registra: "Esta casa em épocas memoráveis hospedou Café Filho, Ademar de Barros e o imortal Getúlio Vargas".

Estes prédios citados e outros que continuam enobrecendo a nossa cidade, fazem parte da memória de Mossoró. São, por assim dizer, pedaços de nossa história.

(Para conhecer mais sobre a história de Mossoró visite o site: www.mossoro.cjb.net)   

 

GERALDO MAIA

E-MAIL: Gemaia@bol.com.br

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Mossoró-RN, de 2005