|
||||||||||||
O coração humano é um instrumento de muitas cordas. O perfeito conhecedor dos homens sabe fazê-las vibrar todas como um bom músico.” (Charles Dickens)
LIBERDADE
Ilidiana Diniz
Estudante de Serviço Social da Uern
Liberdade não és senão
O cálice da abastança
Bebericado por poucos infelizes que gozam e saboreiam
O gosto doce do poder
Degustam o sal do suor do povo
Brindam a ignorância
Comemoram a desigualdade
Festejam a degradação humana
E embriagados ficam os que ainda acreditam ser
verdadeiramente livres.
POSSO, NÃO POSSO
Maria Lúcia Rodrigues Bezerra Dias
Poetisa mossoroense
Posso querer
Mas não posso ter
Posso gostar
Mas não posso amar
Posso sentir
Mas não posso expressar
Posso calar
Mas não posso falar
Posso passar
Mas não posso ficar
Posso escrever
Mas não posso dizer
Posso mentir
Mas não posso fingir
Posso omitir
Mas não posso deixar
De sentir
Mil anos podem passar
Mas não posso em um
Só dia
Deixar de te amar.
O BARRO VERMELHO
Lívio Oliveira
Escritor e poeta (Natal/RN)
A argila,
sorvendo a água escorrida,
envolve os dedos
que acariciam a massa.
Mãos,
formando losango interno,
definido,
almejam a integração da peça
em corpo novo.
A massagem,
latejando no corpo,
é aliciamento de que não se foge.
O rubor
da dura terra molhada
anuncia o passeio ondular
que persegue o ponto de ingresso,
mole, macio,
senha de olhos e de língua.
ADEUS
Pedro Melo
Delegado e poeta
Palavras
Promessas
Sonhos
Adeus
Não precisa dizer nada
Só houve tempo pra gente se amar
Não há mágoas
Não há dor
E as palavras
Não iriam explicar
Teus olhos já não iriam brilhar
Sem sonhos promessas sem desejos
O que foi tão bonito
Acabou sem um adeus.
SER MALIGNO
Marcelo Negreiros
Poeta (Natal/RN)
Malditos sejam seus atos terríveis,
Que de tão cruéis
Chegam a ser indizíveis,
Deves receber mil decibéis...
Tu sempre foste maligno,
Procurando denegrir a todos,
Inclusive quem é teu amigo,
E para este usastes engodos,
Que sempre representam perigo,
Mas um dia receberás o troco,
E ninguém estará contigo,
Pois tu és completamente oco
Isso, com toda fidúcia digo!
E tudo que fizestes será recíproco,
Pois tu serás nada mais que inimigo!
Isso, com toda fidúcia digo!
ADORMECIDA
Antônio Frederico de CASTRO ALVES
Fazenda Cabaceiras/Bahia – 1847/1871.
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão.... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
Pra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
“Ó flor! — tu és a virgem das campinas!
“Virgem! — tu és a flor de minha vida!...”
São Paulo, novembro de 1868
POEMAS PARA ESTA PÁGINA ENVIAR PARA O E-MAIL: caio_muniz@hotmail.com
|
EDITORIAS |
|
OPINIÃO |
|
COLUNAS TEMÁTICAS |
|
CIDADES |
|
SUPLEMENTOS |
|
ESPECIAIS |
|
O JORNAL |
|
SERVIÇOS |
|
ENQUETE |
|
|
Mossoró-RN, de 2005