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Governo
admite que foi alertado sobre supostas mesadas
BRASÍLIA
(Reuters) - O ministro da Coordenação Política,
Aldo Rebelo, confirmou ontem que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva foi alertado de
maneira genérica pelo presidente do PTB
sobre um suposto esquema de pagamento de
deputados na Câmara.
O aviso
foi dado pelo deputado Roberto Jefferson
(RJ) durante uma reunião, em março, com
Lula, Aldo, o ministro petebista Walfrido
dos Mares Guia (Turismo) e os líderes do
PTB na Câmara, José Múcio (PE), e do governo,
Arlindo Chinaglia (PT-SP).
"O
deputado Roberto Jefferson não se referiu
nem a fatos, nem a pessoas, foram informações
genéricas", disse Aldo em entrevista
coletiva no Palácio do Planalto.
"Depois
da reunião, o presidente pediu para que
eu e o líder Chinaglia averiguássemos as
acusações. Descobriu-se que isso partiu
de uma denúncia do Jornal do Brasil no ano
passado, que foi investigada pela Câmara
e arquivada, pelo então presidente João
Paulo Cunha," acrescentou Aldo.
Na verdade,
nunca houve uma investigação da corregedoria
ou da procuradoria da Câmara dos Deputados.
Houve uma abertura de inquérito, arquivada
por falta de provas que justificasse uma
investigação. A fonte das denúncias teria
sido o deputado Miro Teixeira (PT-RJ), que
à época divulgou uma nota negando o fato.
A estratégia
do governo é desqualificar as denúncias
de Roberto Jefferson o acusando de ter usado
um "boato antigo". O presidente
do PTB estaria tentando desviar o foco das
denúncias de corrupção nos Correios e no
Instituto de Resseguros do Brasil (IRB),
que envolvem seu nome.
"A
denúncia não é nova. Ela foi divulgada 20
dias antes das eleições municipais de outubro",
afirmou o líder do governo no Senado, Aloizio
Mercadante.
Em entrevista
publicada pela Folha de S.Paulo ontem, Jefferson
afirmou que o PT pagava 30 mil reais mensais
a deputados do PL e do PP até janeiro de
2005. Segundo Jefferson, o pagamento só
foi interrompido depois de o presidente
Lula ter tomado conhecimento.
GOVERNO
PRESERVADO? - O ministro evitou responder
se o governo investigará as denúncias agora
que dispõe de mais detalhes. Disse apenas
que a Câmara tem meios para investigar.
"A
Câmara tem todos os instrumentos, da corregedoria
até a própria CPI, para esclarecer as denúncias
do deputado Roberto Jefferson", afirmou
o ministro da Coordenação Política.
A CPI dos
Correios foi criada para investigar denúncia
de pagamento de propina nos Correios, comandada
por Jefferson. O governo tinha confiança
que poderia impedir sua instalação aprovando
a inconstitucionalidade da Comissão Parlamentar
de Inquérito.
Mas apesar
de Aldo manter sua avaliação de que a CPI
é um instrumento para a oposição usar como
palanque político, nos bastidores, assessores
da Presidência dizem que não dá mais para
impedir os trabalhos da comissão.
O ministro
também procurou desvincular o impacto das
denúncias sobre o governo, dizendo que a
acusação envolve partidos políticos.
"Não
há nenhuma acusação contra o governo. O
que há é uma denúncia envolvendo o pagamento
de um partido a outros partidos. Portanto
o alvo são esses partidos e não o governo,"
afirmou Aldo.
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