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Alívio no front
Há tempos José Luiz Datena suplica por um novo programa na Band. O apresentador do “Brasil Urgente” cansou de dizer que não agüenta mais apresentar noticiários policiais. E o semanal “No Coração do Brasil”, que estréia na próxima sexta-feira, dia 3, às 23:15 h, nasceu dessa insatisfação. A emissora já tinha até tentado acalmar os ânimos de Datena. No ano passado, a direção dividiu em dois o “Brasil Urgente”. A primeira parte seria o “Brasil Verdade”, que tinha um formato mais aberto, incluindo matérias de serviço e debates. Já a segunda estaria reservada para o policial. Mas essa versão durou pouco: três dias. Mesmo com essa experiência malograda, Datena acredita piamente que o novo programa vai dar certo. “Só de terem desvinculado da outra produção já foi um grande passo. Se eu pudesse, já teria largado o jornalismo policial. Mas também entendo a Band. O público precisa se acostumar a me ver de outra maneira”, ameniza o apresentador.
Não vai ser fácil. Afinal, o “Brasil Urgente” continua sob o comando de Datena de segunda a sexta-feira, às 18:15 h – e “No Coração do Brasil” vai ao ar em dia e horário ingratos. De qualquer maneira, o novo programa aproxima o apresentador de um universo jornalístico que ele considera mais interessante. Datena vai mostrar histórias inusitadas de pessoas de diversos níveis sociais e vários lugares do país – o que lembra seus trabalhos de início da carreira, como repórter, na mesma emissora. O apresentador chega a estar ansioso com a estréia porque acredita que vai ter chance de especular sobre assuntos e temas mais atraentes e menos agressivos que os do diário policial. Para o diretor artístico da Band, Juca Silveira, o que vai chamar atenção do público é justamente a outra faceta do jornalista. “O Datena tem capacidade de extrair uma boa entrevista de qualquer pessoa”, elogia Juca.
Já para Datena, o que vai mobilizar a atenção do telespectador no programa é a qualidade editorial. Como “No Coração do Brasil” é semanal, ele diz que assim terá mais tempo para selecionar bons lugares para visitar, com boas pautas. Além do mais, vai aproveitar o fato de não ser ao vivo para caprichar na edição. O objetivo é evitar erros técnicos grotescos, que muitas vezes acontecem no “Brasil Urgente”. “O programa será mais conceitual. Não vou me preocupar com a audiência e, sim, com a qualidade”, assegura Datena. Mas não é bem assim que pensa a direção da emissora. Embora apóie o lado criterioso de Datena, Juca garante que o principal foco da emissora é a audiência. “Sempre existe essa preocupação. Se o programa for bem-sucedido nos pontinhos do Ibope, maravilha!”, afirma o diretor artístico. A audiência, aliás, é o motivo de a Band resistir tanto à saída de Datena do “Brasil Urgente”, que dá média de 7 pontos.
Para o apresentador, o novo programa tem outro atrativo: viajar Brasil afora. No programa de estréia, por exemplo, ele pôde unir o útil ao agradável. Como não conhecia a Chapada Diamantina, na Bahia – primeiro lugar a ser visitado por “No Coração do Brasil” –, Datena mal dormiu nos três dias de viagem. Isto porque o apresentador não queria perder um minuto sequer para mostrar tudo. Ressaltando que não pretende expor as feridas, mas falar delas com responsabilidade. “Isso é o que eu sempre sonhei para minha vida”, filosofa. Aliás, para poder viajar durante esse tempo, Datena teve de deixar de apresentar um dia o “Brasil Urgente”. Algo de que abriu mão com muita boa vontade. Até porque sua esperança é de que a maratona de “No Coração do Brasil” vá aos poucos dominando toda a sua agenda. “Não tem troço mais exaustivo do que esse noticiário policial. Mas sou contratado da casa e tenho de acatar e continuar...”, lamuria-se.
Com 48 anos e 32 de carreira, Datena torce mesmo para que “No Coração do Brasil” deslanche. Caso contrário, o apresentador já planeja sua aposentadoria daqui a dois ou três anos. Visivelmente no limite, ele assegura que não tem mais pique para comandar o “Brasil Urgente”. Por isso, pensa em tomar um rumo completamente diferente e, quem sabe, até apresentar um programa local em sua rádio 730 AM, instalada em Goiânia. “Só quero sossego e paz”, desabafa.
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Mossoró-RN, de 2005