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Inverno
deve ficar abaixo da média, afirmam
climatologistas
O ano de
2003 poderá não ser um bom para a agricultura.
A previsão nada positiva está nos primeiros
relatórios elaborados pelos Institutos de
Meteorologia, depois de uma reunião dos
núcleos de Meteorologia de todo o Nordeste,
realizado há pouco mais de quinze
dias, nas primeiras avaliações da chamada
pré-estação, a partir dos dados dos meses
de setembro, outubro e novembro do ano passado.
De posse
dos resultados desta avaliação que é a primeira
para o ano de 2003, o professor e responsável
pelo Departamento de Climatologia da Escola
Superior de Agricultura (ESAM), José Espínola,
explica que a reunião realizada entre 16
e 20 de dezembro do ano passado em Fortaleza
(CE), além de todos os órgãos do Nordeste,
contou com meteorologistas do Instituto
Nacional de Meteorologia (INAMET - Brasília
- DF), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(INPE - São José dos Campos - SP) e órgãos
internacionais.
Espínola
afirma que a pré-estação avalia principalmente
os dados de temperatura do oceano, as quais
o ‘El niño’, um fenômeno de aquecimento
acima do normal das águas do oceano, deverá
prejudicar e muito o inverno para a região
neste ano.
O professor
explica ainda que o El Niño começou a se
formar em maio de 2002 e agora, de dezembro
a janeiro até meados de fevereiro, atinge
a sua atuação máxima provocando alterações
climáticas em todo o País - é o caso da
enchentes no Sul e Sudeste do País e das
secas na Região Nordeste - situações estas
que já são vivenciadas.
Como o
inverno da região oeste do Estado ocorre
normalmente no período de fevereiro a maio,
as possibilidades de que os agricultores
de sequeiro venham a ter bons resultados
já são consideradas pequenas nesses primeiros
prognósticos.
“O El niño
poderá prejudicar e muito as chuvas na nossa
região. Devemos ter chuvas abaixo da média
e um inverno mais seco”, explica Espínola,
ressaltando que a média anual de chuvas
por milímetros ao ano na região é de 674
mm/ano.
No entanto,
somente uma avaliação que está agendada
novamente, com todos os núcleos de estudos
meteorológicos, para 20 de janeiro, é que
se poderá confirmar efetivamente e sem dúvidas
se as chuvas em fevereiro serão menores
do que o necessário para uma boa colheita
na agricultura local e oestana no RN.
‘El
niño’ é responsável pela maioria das secas
em 99 anos de estudo
O professor
José Espínola iniciou em 1999 uma pesquisa
sobre a relação do fenômeno ‘El niño’ nas
secas registradas na região, ao longo de
99 anos, ou seja, tendo como primeiro ano
de avaliação o de 1899.
Segundo
Espínola, em 99 anos de chuvas, em 36 anos
foi constatada a presença do El niño e destes
36, 23 anos foram de seca.
Conforme
Espínola, isso implica dizer que nem sempre
o ano em que o fenômeno ‘El niño’ surge,
é obrigatoriamente um ano de seca, mas em
percentuais, em 64% dos casos existe a possibilidade
de o ano ser realmente seco.
O trabalho
de pesquisa realizado por Espínola ainda
não incluiu os anos de 2000, 2001 e 2002.
Mas é certo afirmar que no ano passado,
o ‘El niño’ começou a se formar em maio,
após o período de inverno da região, não
afetando a boa fase de chuvas que superaram
a média anual.
Inverno
em 2002 foi acima da média
Se em todos
os ano os agricultores da região oeste pudessem
ter um inverno como o registrado em de 2002,
certamente a agricultura cresceria e até
mesmo a fome seria mais facilmente superada.
Ano passado
as chuvas se iniciaram ainda já no primeiro
dia de janeiro. Mesmo este sendo um mês
atípico de chuvas, ano passado janeiro terminou
com mais de 300 milímetros de chuvas registradas.
As chuvas
prevaleceram em menor quantidade em fevereiro,
mas em maio e nos demais meses continuaram
prolongando o cultivo das lavouras de arroz,
milho e feijão.
Diante
disso, a média de chuvas que normalmente
é de 674 milímetros, em 2002 foi superada
em demasia. O ano se encerrou com cerca
de 1.102 milímetros de chuvas caídas, uma
verdadeira fartura de águas e solos úmidos,
que neste ano devem ser substituídas por
um ano de solos secos, para a infelicidade
do homem da zona rural da cidade.
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