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O
exército e a recuperação das estradas
Os governos
costumam apelar para as Forças Armadas,
quando desejam mostrar seriedade nos seus
objetivos. Foi assim quando convocou o Exército
a combater o narcotráfico e a criminalidade
no Rio de Janeiro, ouvindo das Forças Armadas
não ser esse o seu papel, não estando preparada
para ação de polícia. Agora, o governo de
Lula da Silva quer o Exército trabalhando
na recuperação das rodovias nacionais, afastando
as construtoras dessa tarefa.
No Rio
Grande do Norte, a experiência com o Batalhão
de Engenharia não foi das melhores. Durante
anos seguidos, a recuperação da BR-405 esteve
entregue ao BE e, todos conhecem os resultados.
Foi necessário o cancelamento do contrato
e transferência à iniciativa privada para
que os trechos entre Itaú e Pau dos Ferros,
e daí até a fronteira com o Ceará, fossem
totalmente concluídos, restando ainda parte
compreendida entre Mossoró e Apodi.
A alegação
de que existe corrupção nos trabalhos com
as empreiteiras não deve ser generalizado
nem justifica a convocação do Exército para
substituir a iniciativa privada. Recentemente,
o ministro Fernando Bezerra e o presidente
Fernando Henrique, com o mesmo argumento,
extinguiram a Sudam e a Sudene, como se
o processo de corrupção fosse inerente à
existência desses dois órgãos regionais.
O atual governo, corretamente, estuda
a volta da Sudam e da Sudene para o atendimento
às necessidades do Nordeste e da Amazônia.
Existe
pressa na recuperação das rodovias federais.
O Exército possui 11 unidades de engenharia,
o que será insuficiente para esse trabalho.
O governo deve possuir mecanismos para combater
a corrupção, fiscalizar as obras por ele
contratadas. Vale a pena lembrar que, a
falta de recursos é responsável pelo péssimo
estado em que se encontram as rodovias.
No momento em que houver fluxo de caixa,
os trabalhos andarão de forma mais acelerada
e as estradas serão recuperadas sem necessidade
de serem privatizadas.
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