GERALDO MAIA
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUARTAS
 

Herma de Dom Jaime Câmara

Quando uma cidade ergue, em uma de suas praças, um monumento, faz em memória de alguém ou de algum fato ocorrido que pretende perpetuar. Dessa maneira, os monumentos nada mais são do que guardiões da memória da cidade.

Mossoró é uma cidade de poucos monumentos. Alguns, por ficarem mais visíveis no centro da cidade, até que são bem conhecidos da população. E eu me pergunto: quantos dos que passam diariamente em frente a esses monumentos conhecem a história que eles guardam? Apostaria que poucos. Quantos sabem o significado do Obelisco da Praça da Independência? No entanto, ele está lá desde 1922. Dentre os menos conhecidos, encontra-se a Herma de Dom Jaime Câmara, cuja história transcrevemos em memória e prova futura. Assim fazemos, pois queremos que tenham perpétua firmeza os feitos que estão gravados nos monumentos públicos.

A Herma de Dom Jaime de Barros Câmara está localizada na Praça Cônego Estevão Dantas, também chamada Praça do Congresso. Foi inaugurada numa terça-feira, 1º de outubro de 1946, em homenagem ao primeiro bispo residencial de Mossoró. A pedra fundamental da Herma, no entanto, tinha sido lançada três anos antes: Na ata de lançamento, está registrado:

“Aos quatorze dias do mês de agosto do ano de mil novecentos e quarenta e três, da Era Cristã, nesta Cidade de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, República dos Estados Unidos do Brasil, Diocese de Mossoró, sob o pontificado de S. S. Pio XII, gloriosamente reinante, pelas 16 horas e 30 minutos, na Praça “Doutor José Augusto”, em frente ao Seminário de Santa Teresinha, teve lugar o lançamento da pedra fundamental da Herma que o povo desta Cidade de Santa Luzia de Mossoró, num gesto imorredouro de estima, admiração e respeito, fará erigir ao Eminente Prelado brasileiro e seu Amado Primeiro Bispo, D. Jaime de Barros Câmara, em testemunho da sua gratidão e para lembrança imperecível da posteridade. Revestiu-se o ato de singular brilho e grande solenidade, tendo ao mesmo comparecido, além do homenageado, as autoridades civis, militares e eclesiásticas, representantes de todas as associações religiosas e de classe, representações das paróquias, colégios e povo em geral. Com a palavra, o Prefeito Municipal, Reverendíssimo Padre Luiz Mota, disse da finalidade do ato e do sentimento que levou o povo mossoroense aquela homenagem de justiça e reconhecimento ao preclaro antístite Dom Jaime de Barros Câmara. Em seguida, a mesma autoridade lançou a pedra fundamental... .”

Dom Jaime de Barros Câmara era potiguar pelo lado paterno; pelo materno, baiano. Pelo nascimento, catarinense. Nasceu no dia 3 de julho de 1894, no município de São José, Estado de Santa Catarina. Era filho de Joaquim Xavier de Oliveira e Ana Barros.

Estudou no Seminário Nossa Senhora da Conceição em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Cursou Humanidades no Ginásio Catarinense em Florianópolis. No dia 1º de janeiro de 1920, ordenou-se padre, numa cerimônia presidida por D. Joaquim Domingues de Oliveira Arcebispo de Florianópolis, na Catedral Metropolitana.  

De 1921 a 1924 foi Capelão do Hospital de Florianópolis e Diretor da Escola Diocesana Santa Catarina. Em 1924 foi nomeado Cura da Catedral e Reitor do Seminário de Brusque. Em 1928 é elevado a Cônego e Monsenhor em 1935. Em 19 de dezembro de 1935 foi designado primeiro Bispo Diocesano de Mossoró, tendo acontecido sua sagração em 2 de fevereiro de 1936, tomando posse em 26 de abril deste mesmo ano.

Em Mossoró, deixou sua marca de pastor de visão no campo cultural, social e religioso. Entre tantas coisas belas e desinteressadas que Dom Jaime deixou em Mossoró, podemos citar, como exemplo, o Abrigo “Amantino Câmara”, construído com o dinheiro que recebeu de herança do seu irmão, Patrono da referida Instituição.

No dia 19 de setembro de 1941, Dom Jaime Câmara foi transferido para Belém, capital do Estado do Pará. No dia 30 de julho de 1943, através do Decreto nº 21, o então Prefeito de Mossoró, Padre Luiz Mota concedeu-lhe o título de cidadão mossoroense.  

Dom Jaime faleceu às 13h do dia 18 de fevereiro de 1971, no Palácio Paulino, em Aparecida do Norte no Estado de São Paulo, sendo o seu corpo sepultado no Estado da Guanabara.

(Para conhecer mais sobre a história de Mossoró visite o site: www.mossoro.cjb.net)

 

GERALDO MAIA

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Mossoró-RN, quarta-feira, 8 de janeiro de 2003