Decisão sobre presidência da Câmara sairá nos próximos dias   

 AREIA BRANCA – A titular da Comarca de Areia Branca, juíza de Direito Carla Portela, continua demonstrando preocupação com a situação na Câmara Municipal, que encontra-se com suas atividades internas paralisadas desde o dia 1o de janeiro passado. A situação foi gerada mediante parecer da Assessoria Jurídica da Casa, que impugnou o voto da vereadora Sueli Souto Xavier (PFL), empatando o pleito entre os candidatos Dijalma da Silva Souza (PTB) e José Nazareno de Lemos (PPB), que concorreram à presidência em 17 de dezembro de 2002.  

Segundo ela, essa situação causa um clima de intranqüilidade, pois mesmo estando em recesso parlamentar a Casa desenvolve ações administrativas como uma repartição qualquer. Em primeiro instante, foi sugerida uma possibilidade de consenso entre as partes, um acordo para independentemente da decisão judicial, eles deliberarem entre si. “O que não houve, pois realmente cada um defende que seja presidente e não abre mão disso”, acrescenta a juíza Carla Portela.

Diante de toda essa situação, a juíza chegou a sugerir, com base no próprio Regimento Interno da Câmara, no sentido de que fosse formada uma comissão representativa para gerir as ações da edilidade até que houvesse uma decisão final sobre o processo. Foi realizada uma reunião na segunda-feira, 6, com os advogados e os vereadores (comparecendo 10 dos 11 com assento na Câmara). Debateu-se mais uma vez a  intenção de um acordo consensual para resolver o impasse, mas novamente as partes não se entenderam.

Como a reunião de segunda-feira não rendeu o esperado, a decisão sobre quem será o presidente da Câmara Municipal para o biênio 2003/2004 depende agora da juíza Carla Portela. Ela disse que na verdade não vai analisar fatos, não analisará em relação a voto, o único interesse da justiça é primar pela imparcialidade.

CÉLERE – À reportagem, a juíza Carla Portela explicou que esse tipo de ação tem ritmo célere. Mas que tem de se submeter a determinados procedimentos. “Minha decisão de mérito à sentença, só será dada após análise de todas as informações que envolvem o processo, inclusive o pronunciamento do Ministério Público, através da promotora Ana Araújo Ximenes, no exercício do cargo na Promotoria de Justiça local. Sobre os fatos colocados é que se vai aplicar o direito”, afirma.

A juíza pede que as pessoas se tranqüilizem, que aguardem. Ela assegura que a decisão judicial será proferida com imparcialidade. “Estou unicamente interessada em aplicar direito. Se porventura essa decisão contrariar o interesse de alguém, que o insatisfeito recorra. Minha intenção aqui é aplicar as normas de direito, quais sejam: Lei Orgânica do Município e Regimento Interno da Câmara Municipal de Areia Branca”, conclui.  

 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 8 de janeiro de 2003