A união dos Rosados

Antes de entrar no tema, peço encarecidamente aos revisores de O Mossoroense, Reginaldo Tertulino e Benjamim Linhares, sempre gentis e prontos para socorrer das mancadas gramaticais cronistas distraídos desta qualidade, que mantenham as referências aos “Rosados” assim, no plural.

Falar a respeito de brigas familiares envolvido nelas até o pescoço é complicado e enche o saco do leitor. Além disso, por questões éticas, nunca divulgo fatos relacionados a parentes próximos nem a pessoas ou instituições às quais presto assessoria.

Porém, este é um caso especial que preciso comentar, mesmo ferindo minhas convicções, pois leitores e amigos perguntam-me o tempo inteiro sobre as declarações do vice-prefeito Antônio Capistrano acerca da suposta união dos Rosados em torno da governadora Wilma de Faria.

Apesar da convivência respeitosa entre os integrantes das facções da família, a reunificação partidária é improvável. Antônio Capistrano criou essa história a fim de garantir retorno à linha de frente das discussões e negociações políticas da cidade.

Nos lugares onde ando, em Natal ou Mossoró, sempre há quem indague se os Rosados estão unidos novamente. Quinta-feira à noite, o jornalista Cassiano Arruda, um dos grandes professores que tive no Curso de Comunicação Social, questionou-me sobre o assunto.

Falei a Cassiano, durante nosso rápido encontro, que circulo bem por todos os grupos e, embora considere impossível, adoraria ver os Rosados unidos, passando uma esponja nas mágoas antigas em benefício de projetos futuros que, antes de políticos, sejam familiares.

O professor revelou que também torce por isso, contestou-me afirmando que nada é impossível e defendeu Carlos Augusto quando eu disse que o bom e velho Ravengar é mestre no cinismo: “Não fale mal de Carlos Augusto, sou amigo dele há mais de 50 anos”.

Na verdade, meu interesse não era ofender a honra de Carlos. Cinismo no grau certo é salutar e o do marido da prefeita, um pouco acima da média, é divertido. Os vereadores rosalbistas sofrem horrores com as tiradas ravengarianas enquanto a turma do outro lado só falta morrer de rir.

Lembrei-me agora de Vingt-un, o único dos vinte e um filhos do velho Jerônimo Rosado ainda vivo. Pois bem, quando Frederico, neto dele, rompeu com Laíre e Sandra, Vingt-un foi à minha velha sala em O Mossoroense para me comunicar: “Estou rompendo com os seus pais, mas não brigo com você de jeito nenhum”.

Eu e o mestre Vingt-un enfrentamos momentos críticos sem brigar, unidos pelo carinho e por um objetivo comum, a cultura. Anos depois, consegui fazer a reconciliação entre ele e meus pais, sem que ninguém tivesse que abrir mão de suas convicções políticas.

Dix-huit Rosado costumava falar que no abatedouro construído por ele em Mossoró, a primeira coisa que apodrecia era o sangue. Duvido que o Velho Alcaide fizesse essa referência aos irmãos com raiva verdadeira. Com certeza, não passava de impulso do calor do embate.

Amor de irmão nunca apodrece. O repórter Sérgio Oliveira, colega de jornal há uns 15 anos, conta que testemunhou Vingt Rosado chorar de emoção no dia em que Dix-huit foi ao escritório dele, na FM Resistência, para fazer as pazes depois do primeiro rompimento.

Naquele tempo, posicionei-me contra a reaproximação familiar. As feridas estavam abertas, doídas e sangrando. Pode parecer exagero, mas até eu que nunca cogitei envolver-me em política partidária, que nunca fui à rua pedir voto para seu ninguém, sofri terríveis agressões.

O escritor José Lacerda Alves Felipe defende a tese de que os Rosados brigam para ocupar espaço político. Infelizmente, a verdade não é essa. As disputas, hoje civilizadas, já foram violentas, com lances traumáticos, porque, nas brigas familiares, as ofensas são mais profundas.

Alguém disse a Vicente Serejo, também meu ex-professor, e dos bons, que esta geração dos Rosados desonraria a família caso se confirmasse a união entre os grupos liderados respectivamente por Laíre e Carlos Augusto, imaginando que haja apenas interesses políticos em jogo.

Por incrível que pareça, os políticos são minoria entre os Rosados. Nos bastidores, os parentes que sofrem ao assistir pessoas queridas se digladiando, torcem para que a reconciliação aconteça. E eu faço parte desse grupo que busca honrar o nome da família lutando pela paz.
 

CID AUGUSTO
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Mossoró-RN, sábado, 8 de fevereiro de 2003