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Uma
revolução feita na marra
CRISTIANO
ROJAS Da Redação rojas@omossoroense.com.br
Casa,
marido e filhos para criar. A partir da
década de 60 diversas transformações mudaram
significativamente a situação da mulher
perante a outrora sociedade patriarcal.
De lá para
cá elas saíram da simples condição de donas
de casa para compartilhar tarefas antes
facultadas apenas ao sexo oposto. Houve
avanços consideráveis na relação homem-mulher.
Com o advento
da pílula contraceptiva nos idos de 60,
a entrada maciça da mulher no mercado de
trabalho e a maneira como passaram a ser
educadas impulsionou a chamada Revolução
Sexual.
Tais elementos
foram fundamentais para que uma nova postura
menos sexista passasse a ser adotada, explica
Joana D’arc Lacerda, coordenadora do Núcleo
de Estudos sobre a Mulher (NEM), da Universidade
do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
OPRESSÃO
– “A mulher de até então vivia subjugada
ao homem, oprimida muitas vezes em casamentos
por conveniência familiar, arrumados pelo
próprio pai”, revela a pesquisadora.
Joana D’arc
ressalta, no entanto, que, a partir dos
anos 80, a mesma mulher que aprendera a
defender os direitos conquistados a duras
penas, se viu novamente ameaçada em sua
plenitude pela violência doméstica.
“Esse é
outro agravante, por que a violência doméstica
sempre existiu, mas só que até então não
havia a visibilidade que se tem hoje”, diz.
Abusadas muitas vezes moral e sexualmente
elas têm agora que se defender de mais um
excesso de seus parceiros.
Joana D’arc
considera que a violência dentro do lar
pode ser contornada através da independência
financeira. O ingresso no mercado de trabalho
é um dos fortes instrumentos que a mulher
tem para se livrar da submissão exercida
pelo homem.
Mercado
de trabalho ainda discrimina a mulher
As mulheres
conquistaram espaço no mercado de trabalho.
Disso é certo. Mas além de trabalhar fora
de casa muitas vezes elas ainda precisam
cuidar do marido e de filhos. Isso quando
não são elas as chefes de família.
Muita coisa
mudou desde a regulamentação do trabalho
feminino há 70 anos. Mais ainda com o Novo
Código Civil, que pôs fim ao regime patriarcal.
No entanto, elas continuam sendo maioria
entre os trabalhadores com rendimentos médios
que vão de menos de um salário até três
mínimos.
“As diferenças
no mercado de trabalho ainda persistem,
como a questão do salário, que na maioria
dos casos é menor que o do homem”, avalia
a professora Joana D’arc Lacerda, da Uern.
DESEMPREGO
– Com a flexibilização das leis trabalhistas
as mulheres foram as que tiveram os salários
mais achatados, conseqüentemente foram também
as mais prejudicadas nisso tudo.
“No momento
de uma crise elas são as primeiras a serem
demitidas”, completa Joana D’arc. Sem falar
que a mulher por ser muitas vezes mãe e
dona de casa acaba tendo que cumprir a chamada
dupla jornada.
Pesquisa
realizada no final de 2001 pelo DIEESE (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Sócios
Econômicos) sobre o Perfil do Mercado de
Trabalho no Rio Grande do Norte, concluiu.
Dos municípios do Rio Grande do Norte pesquisados,
a cidade de Mossoró concentra o maior número
de desempregados - ou 63% - contra 17,5
para Caicó, e 9,7% para Nova Cruz e São
José do Mipibu.
No conjunto
desses municípios, o número de mulheres
desempregadas é superior ao de homens, 55,8%
contra 44,2%. A maioria dos desempregados
é jovem e com escolaridade muito baixa.
Mulheres
potiguares têm histórico de lutas
Muito pouco
ou quase nada se sabe sobre o papel das
mulheres que escreveram capítulos importantes
da História do Rio Grande do Norte. Alguns
fatos da contribuição feminina simplesmente
foram perdidos através do tempo.
O que se
tem conhecimento se resume muitas vezes
à meia dúzia de palavras biográficas, que
quase nada acrescentam, apesar da grande
participação delas para com a formação do
Brasil.
Segundo
a professora Joana D’arc, existem relatos
sobre a participação das mulheres em movimentos
sociais e políticos no Estado datados de
pelo menos 200 anos atrás.
“O Rio
Grande do Norte é um Estado que tem história,
basta lembrar o Motim das Mulheres, que
aconteceu aqui, ou o fato de que a primeira
mulher a votar também saiu daqui”, cita
a professora.
POLÍTICA
– Vale também lembrar que o primeiro livro
feminista de que se tem notícia no Brasil
saiu das mãos de uma norte-rio-grandense
de Papari. O pioneirismo da mulher potiguar
na política brasileira também está registrado
na história. O ano de 2003 que o diga.
Mas voltando
um pouco no tempo, numa época em que a mulher
sequer poderia ainda se aproximar das urnas.
Foi em 1929 quando Alzira Soriano, aos 32
anos, fazendeira e mãe de três filhos, elegeu-se
a primeira prefeita do país, pela cidade
de Lajes.
Para que
isso acontecesse, o governador do Rio Grande
do Norte na época, Juvenal Lamartine, concedeu
o direito do voto às mulheres do seu Estado,
numa resposta ousada ao Congresso, que vinha
rejeitando tal direito.
Recuando
mais ainda, em 1832, no Recife, que a norte-rio-grandense
de Papari, Dionísia Gonçalves Pinto, mais
conhecida pelo pseudônimo de Nísia Floresta
Brasileira Augusta, escreveu “Direitos das
Mulheres e Injustiça dos Homens”.
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