Lutas e conquistas das mulheres

O caminho percorrido pelas mulheres desde o fatídico e histórico 8 de março de 1857, quando 129 operárias têxteis em greve numa fábrica foram mortas pela polícia de Nova York, tem sido longo e cheio de espinhos, suor, sangue e lágrimas. Mas as heroínas que ocuparam o estabelecimento fabril exigindo redução de jornada para 10 horas e melhores condições de trabalho sacrificadas pelas forças da repressão a mando dos patrões e do Estado, não morreram em vão. Os portões lacrados da fábrica e o fogo ateado fazendo arder os corpos martirizados das129 mulheres trabalhadoras, vítimas da fúria sangüinária do capitalismo desumano, se transformaram na chama da liberdade feminina.

   Tanto assim, que em 1910, pela proposta de Clara Zetkins na II Conferência de Mulheres Socialistas realizada em Copenhague, é decidido desencadear uma “Jornada Internacional de Lutas das Mulheres”, pelo direito de voto e também ficou estabelecido o 8 de março consagrado “Dia Internacional da Mulher”.

   No Brasil, mesmo em épocas de ditaduras, mulheres enfrentaram as perigosas adversidades em prol da liberdade e de seus direitos. Assim foi de 1937 a 1945 era Vargas e de 64 a 1985, regime militar. Em nenhum momento ficaram passivas diante da opressão.

   Mossoró esteve na vanguarda do movimento feminino em todas as ocasiões históricas, com destaques em alguns momentos, por exemplo, 1875 Ana Floriano liderou um movimento de 300 mulheres contra o alistamento militar forçado de seus maridos e filhos recrutados para irem para a Guerra do Paraguai, a revolta do Quebra Quilos. Em 5 de abril de1928, Celina Guimarães Viana, ao votar se tornou a primeira eleitora no Brasil. Em 1935 foi criada a Associação de Mulheres Trabalhadoras para organizadamente defenderem seus maridos operários pertencentes ao Sindicato dos Salineiros (Garrancho), que sofriam forte repressão na época.

    Hoje, portanto, dia 8 de março, merecidamente comemora-se o Dia Internacional da Mulher. O sexo feminino já conquistou espaços importantes, mas ainda tem muito a fazê-lo, considerando a sociedade machista em que se vive, onde os costumes fortemente arraigados demoram para serem totalmente eliminados.

    A luta continua, que o digam o Centro Feminino 8 de Março, a Comissão Municipal de Trabalhadoras Rurais, enfim, as organizações de mulheres que atuam em Mossoró e região, as quais têm nossa irrestrita solidariedade.           

 

RUBENS COELHO
EMAIL: rubens_coelho@zipmail.com.br

60, é cearense de Milagres, formado em Geografia e Ciências Sociais pela PUC-SP, foi fundador do Sindicato dos Hotéis Bares e Similares de Mossoró.

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Mossoró-RN, sábado, 8 de março de 2003