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Famílias
do Bom Jesus vivem em situação de miséria
A
falta de ações no bairro Bom Jesus – zona
sul de Mossoró – está deixando a população
revoltada. Os maiores problemas são enfrentados
pelas famílias que residem no conjunto
do Bom Jesus, que antes moravam na extinta
Favela do Pantanal. No local as ruas não
dispõem de pavimentação e não contam com
sistema de coleta de lixo devido a falta
de acesso aos caminhões coletores.
Ultimamente
as mães, que na grande maioria vivem em
situação de miséria, estão reclamando da
falta de merenda escolar na creche e na
escola que já passa de uma semana. Maria
Lucineide Rosa conta que está enfrentando
sérias dificuldades porque dependia do funcionamento
integral da creche para poder deixar o filho
mais novo enquanto saía para trabalhar.
“Sem merenda, as crianças voltam para casa
mais cedo e eu não posso trabalhar”, diz.
Lucineide
acrescenta que a merenda escolar é uma forma
de fugir da fome. Ela conta que é mãe solteira
e sustenta os três filhos produzindo e comercializando
desinfetante caseiro. “Nos últimos dias
não estou tendo tempo para trabalhar e meus
filhos estão com fome e não estou encontrando
uma saída”, desabafa.
As dificuldades
são enfrentadas por outras famílias, como
é o caso de Cirlene de Oliveira, mãe de
quatro filhos. “Se aqui tivesse uma creche
integral para deixarmos nossos filhos poderíamos
trabalhar, mas a única creche que tem aqui
recebe a criança por apenas um turno e ainda
por cima não tem merenda”, reforça.
ACESSO
– As ruas do conjunto do Bom Jesus não dispõem
de pavimentação e neste período de chuvas
a lama é o cenário principal. Em alguns
pontos o acesso até mesmo de pedestres é
quase impossível e as casas chegam a alagar
devido a falta de estrutura.
O Mossoroense
procurou informações com a Gerência Executiva
da Educação sobre a falta da merenda na
creche e na escola que atende ao bairro,
mas não conseguiu falar com a gerente executiva
Niná Rebouças.
Leite
é distribuído com atraso
Outro transtorno
que vem prejudicando os moradores do bairro
Bom Jesus é a irregularidade na distribuição
do leite do Programa do Leite, do governo
do Estado. Segundo a dona de casa Cirlene
de Oliveira, que é assistida pelo programa,
o produto não é distribuído todo dia.
Ela explica
que o leite é distribuído no máximo em dois
dias da semana, no restante as crianças
ficam sem o benefício. “Aqui nós somos abandonados
e nossos filhos estão passando fome”, diz.
Cirlene adianta que a maioria das famílias
que moram no local passa necessidades e
não tem o que comer todo dia. “Tem muitos
dias que eu acordo de manhã e não tenho
em casa um pão para tomar com café e quando
o leite não vem os meus filhos também passam
fome”, detalha.
A insegurança
no conjunto do Bom Jesus é mais um dos problemas
que afetam a comunidade. “Aqui já mataram
três e não temos posto policial. Quando
chamamos a polícia, ela nunca vem. Somos
esquecidos”, desabafa a dona de casa Audelina
Santana. Segundo ela, o único benefício
que recebeu foi a casa que mora que substituiu
o barraco em morava na Favela do Pantanal.
“Para ser franca eu preferia ainda morar
na favela. Lá pelo menos nós recebíamos
mais ajuda”, conta.
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