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Lula passou no teste

A aprovação do Projeto de Emenda Constitucional que altera o sistema financeiro abrindo as portas para a autonomia do Banco Central tem também, além de outros, o significado de que o governo Lula começou bem no parlamento um período de governo que para muitos seria perturbado porque ele contava com a minoria parlamentar. Foi mesmo o que se pode chamar de um bom começo. Claro que a aprovação se deu apenas em primeiro turno com 442 deputados votando sim, o que tem o significado claro de um passo avançadíssimo na evolução institucional do país.

Para que se faça um comparativo, o governo precisava apenas de 308 votos para a aprovação daquela PEC, mas contou com 442 votantes. O número em si tem o significado de que, caso haja negociação com as lideranças partidárias e o governo contendo a ala mais radical do Partido dos Trabalhadores, o PT, as reformas estruturais que muitos achavam que iriam demorar, poderão sair todas elas ainda nesse ano.

O fato é que a chamada PEC-58, votada em definitivo, permitirá a regulamentação do sistema financeiro por etapas. E aí sim, estará aberta a brecha que se esperava para aprovação do todo da matéria constitucional.

Uma prova bem concreta do que isso representa está no chamado risco Brasil. De algum tempo para cá nós estamos acostumados a ouvir e ver diariamente nos noticiários se falar em risco Brasil. Que, diga-se de passagem, já esteve alcançando níveis alarmantes nesses últimos tempos. Uma primeira conseqüência prática da aprovação desse Projeto de Emenda Constitucional a que nos referimos veio com a queda do risco Brasil, valorizando a nossa moeda, o real, frente ao dólar. Certamente que efeito idêntico se repetirá à medida em que forem sendo aprovados os planos consensuais da regulamentação. E aí certamente os pontos polêmicos serão deixados para uma etapa posterior. O que é fato é que o governo terminou cedendo e fazendo concessões, sendo capaz de negociar com as lideranças partidárias e, com isso, reconheça-se, terminou registrando um bom começo.

E se viu também que, esteja quem estiver no Palácio do Planalto, o Brasil é governável. 

 

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Mossoró-RN, terça-feira, 8 de abril de 2003