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Sagem fabricará celulares em Manaus

A francesa Sagem escolheu Manaus como sede de sua terceira fábrica mundial de aparelhos celulares. As obras já estão adiantadas e a inauguração está prevista para maio. Fabricante de modelos de médio e alto padrão unicamente na tecnologia GSM, a Sagem inicia a produção com 50 mil unidades por mês, de acordo com o diretor de vendas para a América, François Romanet, que esteve na Telexpo na semana passada para estreitar as relações com as operadoras brasileiras.

A Sagem integra o portfólio da TIM e da Oi, as duas operadoras em GSM no Brasil, desde o início dos serviços de ambas. Os produtos, no entanto, são hoje importados da França. Além da matriz, a companhia tem ainda uma fábrica na China. “Em setembro, inauguraremos outra unidade, no México”, informa Romanet.

Ele conta que a fábrica brasileira também abastecerá outros mercados latino-americanos onde a Sagem atende, via importações, como Chile, Peru e Venezuela. O porcentual da produção destinada à exportação não é revelado, assim como o montante de investimentos no Brasil.

Inicialmente, a companhia planeja a produção de seis modelos de aparelhos, todos com tela colorida. “Queremos estar entre os cinco maiores fabricantes no prazo de dois anos”, afirma o executivo. A perspectiva otimista decorre do posicionamento da marca na Europa, onde a Sagem é a sexta maior fornecedora, de acordo com Romanet. “Temos a segunda posição na França e a terceira na China”, diz.

A opção por produção local decorre do tamanho do mercado brasileiro, explicou o executivo. As projeções para este ano são de que o Brasil consuma entre 10 milhões e 12 milhões de aparelhos celulares, considerando as três tecnologias - TDMA, CDMA e GSM.

A chegada das operações de telefonia em GSM já estimulou vários fabricantes desde o ano passado. A Siemens inaugurou em 2002 uma fábrica em Manaus. A Motorola investiu mais de US$ 10 milhões para iniciar a produção de aparelhos nesta tecnologia, assim como Samsung e Nokia, que não revelam o montante do aporte. A Sony Ericsson optou por terceirizar a fabricação para a Flextronics.

Inventor do celular revela sonhos tecnológicos

Trinta anos depois do primeiro telefonema pelo celular, o inventor Martin Cooper ainda sonha com o dia em que a tecnologia telefônica futurista será uma realidade. O telefone dos sonhos de Cooper é tão pequeno que se encaixa atrás de sua orelha, disca automaticamente quando ele pensa em ligar para alguém e o avisa de uma chamada com cócegas.

Cooper, de 74 anos, ainda tem que esperar para ver sua visão se tornar realidade, mas em três décadas desde que ele inventou os celulares, mais da metade dos norte-americanos possui um. O tamanho do aparelho encolheu tanto que cabe na palma da mão e pesa menos que um limão.

Grande avanço em relação ao telefone de quase 1 quilo que Cooper criou em 3 de abril de 1973, há 30 anos. O telefone tinha 25 centímetros de comprimento, sete centímetros de profundidade e três centímetros de largura.

“Nosso sonho básico era o de que as pessoas não queriam falar com carros. Elas não queriam falar com uma mesa ou uma parede (onde os telefones ficavam). Elas queriam falar com outras pessoas”, disse Coopers, que era gerente-geral de sistemas da Motorola na época.

A invenção de Cooper pode parecer um tijolo pelos padrões de hoje, mas na ocasião foi revolucionária. A coisa mais perto de um telefone portátil na época era um telefone de carro que pesava pouco menos de 15 quilos e custava milhares de dólares.

O proprietário tinha que fazer um buraco em seu carro para instalar a antena e a maior parte do aparelho ficava “escondida” no porta-malas. Um aparelho semelhante ao convencional era colocado no interior do veículo.

Robert Galvin, então presidente-executivo da Motorola, lembra que seu pai, o fundador da Motorola Paul Galvin, tinha um desses em seu carro.

“Nos anos 1950, eu certamente tinha em mente que os telefones no carro ou em outros lugares seriam um grande negócio”, disse Galvin à Reuters pelo telefone.

Com o apoio de Galvin, a Motorola investiu US$ 15 milhões durante 10 anos em pesquisa e desenvolvimento, mas o primeiro celular foi concebido em apenas três dias e fabricado em cerca de sete semanas.

Apelidado de telefone sapato por seu formato, o aparelho foi enviado o mais rapidamente possível para as autoridades reguladoras, a fim de evitar que a AT&T assumisse controle completo das comunicações celulares nos Estados Unidos.

Cooper formou-se em engenharia no Instituto de Tecnologia do Illinois, depois de uma infância a adolescência de fascínio por invenções. Ele começou a trabalhar na Motorola em 1954 e ficou na empresa por 30 anos.

Ele supervisionou a venda dos primeiros celulares para a empresa e ficou surpreso com a rápida adoção pelos consumidores, mas ainda acredita que hoje os celulares deveriam ter ainda mais alcance.

Atualmente, Cooper é presidente-executivo da ArrayComm, empresa que desenvolve tecnologia de Internet de alta velocidade para celulares.

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Mossoró-RN, domingo, 6 de abril de 2003