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Inquérito
contra Wilma de Faria ganha repercussão
nacional
A
decisão do procurador geral da República,
Geraldo Brindeiro, de solicitar junto ao
Superior Tribunal de Justiça (STJ) o indiciamento
e instauração de inquérito penal contra
a governadora Wilma de Faria (PSB), ganhou
repercussão nacional no último final de
semana.
O Jornal
da Record, veiculado na emissora homônima,
dedicou grande parte do seu noticiário na
última sexta-feira para repercutir o assunto.
O mesmo aconteceu na edição do último domingo
do Fantástico, veiculado para todo o Brasil
e também em países da América do Sul e Europa
através da TV Globo.
No programa
dominical, a emissora fez um resumo das
denúncias sobre um esquema de lavagem de
dinheiro envolvendo políticos com atuação
na Região Nordeste. O Fantástico veiculou
uma entrevista com do procurador geral da
República, Geraldo Brindeiro, desmentindo
a governadora Wilma de Faria. Brindeiro
disse que em momento algum a governadora
do Rio Grande do Norte foi procurá-lo para
que fosse instaurado um inquérito para apurar
as denúncias.
A denúncia
sobre a existência de um esquema de uma
chamada “lavanderia nordeste”, onde políticos
da região – inclusive a governadora Wilma
de Faria, eram listados como integrantes
em esquema lavagem de dinheiro e evasão
de divisas, foi levada a público através
das páginas da revista semanal IstoÉ, no
final de novembro do ano passado. A notícia
ganhou repercussão logo após o resultado
do segundo turno eleições.
A IstoÉ
chegou a repercutir o assunto durante
três edições. No auge da repercussão, Wilma
de Faria foi a Brasília pedir audiência
com Geraldo Brindeiro. Ao final da reunião,
a governadora disse, através dos seus assessores,
que ela mesma pediu ao procurador que investigasse
o assunto – notícia esta que foi desmentida
por Geraldo Brindeiro no Fantástico do último
domingo.
O assunto
caiu no esquecimento, inclusive dos próprios
aliados da governadora, que em contato com
O Mossoroense deixaram evidente a surpresa
em relação a decisão do procurador, em despacho
datado do dia 2 de abril.
Mesmo com
o desmentido, Wilma chegou a reafirmar ontem
que realmente pediu a ele que investigasse
o assunto. Ela está em Brasília tentando
uma audiência com o presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, para entregar
os documentos que destinará ao Ministério
Público, ao Banco Central, Polícia Federal
e à Embaixada da Suíça. Wilma também disse
ontem que desde que as denúncias foram formuladas
pelo funcionário da casa de câmbio pernambucana
Anacor – Alexandre Magero, que ela mantém
contatos permanentes com a embaixada suíça.
As
lágrimas de Wilma
ARTÍGO
- Antônio Jácome – Médico e Advogado
“O choro
pode durar uma noite, mas a alegria vem
pela manhã.” Sl 30. 5b
O choro
é a mais forte das emoções humanas! É a
expressão mais autêntica do espírito, simbolizando
sentimentos diversos, de tristeza, de indignação,
de revolta, de ira e algumas vezes até de
alegria. No último sábado na convenção do
PFL, o choro da governadora na Tribuna da
Câmara Municipal pronunciou um momento de
rara sensibilização, até para os que convivem
há mais tempo com a governadora como o senador
José Agripino. A condição de companheiro
de chapa me proporcionou a oportunidade
de conviver de perto com a então candidata
ao governo. Durante a campanha, em dois
momentos, pelo menos, ela também não conteve
a emoção. Visitando o médio oeste ao final
de um longo dia de trabalho, contatos diretos
com a população e visíveis dificuldades
da nossa caminhada rumo ao governo do Estado,
ela me disse: “Jácome, agora estou me emocionando
a toda hora”. Naquele momento, entendi que
a sua preocupação de justificar as lágrimas,
vinha do fato de que uma guerreira não pode
chorar, demonstrar fragilidade. Então lhe
disse naquela ocasião que as circunstâncias
adversas da nossa campanha justificavam
plenamente a emotividade exacerbada. Entretanto,
o choro de sábado foi diferente: um choro
com soluço, com lábios trêmulos, incontido,
lágrimas profusas, não era um choro de guerreira,
de governadora, de uma estadista. Era o
choro de uma mulher, de uma cidadã perseguida,
caluniada, injuriada e difamada. As lágrimas
de Wilma são emblemáticas, eloqüentes e
pedagógicas. Emblemáticas porque representam
uma legião de pessoas públicas que diariamente
são espezinhadas, numa contraditória inversão
de valores que transformam os culpados em
inocentes e os inocentes em culpados. Nem
os porões da ditadura militar foram tão
competentes nesta inversão. Grandes escritórios
de advocacia contratados a peso de ouro,
ou melhor, de dólares, se esmeram no exercício
de provocar e até forjar “escândalos”. Desta
vez, as palavras do depoimento suspeito
de um bandido foragido da policia foram
utilizadas para satisfazer o espírito doentio
e macabro de alguém ou de alguns rejeitados
pelo povo e condenados à pena de morte política.
As lágrimas são eloqüentes porque gritam,
apelam para a justiça, para a verdade, para
a consciência. Há um clamor da sociedade,
para que os esclarecimentos venham à tona
e calem o grito de indignação no ar. Não
precisa ser correligionário de Wilma, nem
amigo pessoal dela para analisar o direcionamento
político dos fatos, basta uma pitada de
sensatez para perceber a crueldade que recheia
a denúncia. As lágrimas também são pedagógicas,
no sentido de que ensinam que a vida pública
por vezes nos cobra um alto preço, até o
preço da honra, valioso patrimônio daqueles
que, como Wilma, renunciam a privacidade,
a vida tranqüila em família para o cumprimento
de uma missão. O objetivo de fragiliar,
de vulnerabilizar, de abalar a estrutura
emocional da mulher, da mãe, da avó, levando-a
às lágrimas, tem nitidamente, o interesse
inconfessável de desviar e ofuscar outras
lágrimas que ecoam no nosso Rio Grande do
Norte, o choro dramático de crianças subnutridas
e famintas vitimadas pela rota fraudulenta
do leite, que era desviado para as fabricas
de queijo, o choro do jovem que não tem
perspectivas de trabalho, de emprego, ou
o choro gritante da viúva que perde o marido
para a violência urbana porque o governo
não priorizou a segurança pública. Governadora,
não se detenha, cumpra sua missão! As suas
lágrimas devem expressar o choro dos excluídos,
dos desvalidos, dos abandonados, gente que
lhe confiou a valiosa, mas árdua, tarefa
de reerguer o Estado, de promover a cidadania,
de lutar pela justiça social, de fazer o
bem-comum, uma missão confiada a poucos
e um dever que o seu povo quer e espera
seja cumprido.
“Nenhuma
ferramenta preparada contra ti, prosperará”.
Isaías 54:17.
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