Mossoró-RN, domingo 6 de maio de 2007

Abimael Silva

O mecenas da literatura potiguar

Ex-bancário, livreiro, sebista e editor, Abimael Silva é proprietário da livraria e editora Sebo Vermelho, um dos mais conhecidos pontos do meio literário natalense. São mais de 20 anos dedicados à venda, compra e troca de livros usados. Além de comercializar livros, há mais de dez anos o sebista passou a labutar também com a publicação de obras pertencentes à literatura potiguar, destacando-se como o único proprietário de sebo a publicar livros no País, chegando a participar do Programa do Jô, na TV Globo. Atualmente, a Editora Sebo Vermelho já publicou mais de 200 títulos de autores potiguares e Abimael Silva garante que continuará sua saga, publicando a literatura norte-rio-grandense.

Por Alexandro Gurgel
alex-gurgel@oi.com.br

O Mossoroense - Atualmente, o Sebo Vermelho é a principal editora do Estado publicando autores potiguares. Como nasceu essa idéia?

Abimael Silva - Nasceu por acaso. Em 1990, comecei com a editoração de um livro de Anchieta Fernandes chamado "Écran Natalense - capítulo da história do cinema em Natal". Para editorar esse livro fiz uma parceria com Varela Cavalcanti, presidente do Sindicato dos Bancários na época, que sabia da importância da obra. Eu comprei todo o material e Varela, que era um homem muito sensível, topou fazer a impressão e o acabamento gráfico.

OM - Já são mais de 200 títulos publicados pela Editora Sebo Vermelho dentro da Coleção João Nicodemos de Lima. Quais as obras mais importantes colocadas no mercado?

AS - É difícil citar. Mas, eu diria que há umas 30 ou 40 obras extremamente importantes. Mas, para citar alguns títulos, eu destacaria a "Antologia Poética do Rio Grande do Norte", uma antologia de 1922 e foi o 2º livro que editei, em 1993 com a parceria da Editora Clima e o Sebo Cata Livro. Outro livro importante é "Cartas de Carlos Drumonnd a Zila Mamede", uma obra de importância nacional; o livro "Papo Jerimum", de Cleudo Soares, um dos grandes livros da literatura potiguar contemporânea; o livro de Lauro Pinto, "Natal que eu vi"; de Câmara Cascudo tem "Nomes da Terra"; o livro "Uma câmara vê Cascudo", do professor universitário e fotógrafo Carlos Lyra, um livro raríssimo; entre outros.

OM - O livro "69 poemas de Chico Doido de Caicó", organizado por Nei Leandro de Castro e Moacy Cirne, virou peça teatral no Rio de Janeiro. Como um livro do Sebo Vermelho virou espetáculo teatral em terras cariocas?

AS - Esse é o livro de número 69 da Coleção João Nicodemos de Lima. Foi um livro muito importante porque reuniu a poesia de um poeta muito popular em Caicó. Esse livro eu editei sem nenhuma pretensão e ele fez tanto sucesso que virou uma peça de teatro no Rio de Janeiro, dirigido por Leon Góes e ficou dois meses em cartaz no Teatro Vila Lobos. Depois, uma doutora em Literatura Brasileira, que mora em Paris, publicou um ensaio de meia página no "Le Monde" fazendo elogios rasgados ao livro "69 poemas de Chico Doido de Caicó". Agora, vou reeditar esse livro porque a peça vai entrar em cartaz novamente no Rio e depois, será encenada em Natal e Caicó.

OM - É verdade que a livraria do Aeroporto Internacional Augusto Severo se recusa a vender livros de autores potiguares? Como é feita a distribuição dos livros no Estado?

AS - Eu costumo dizer que fazer um livro é fácil, no que diz respeito a escrever e publicar. Mas, o difícil é fazer esse livro acontecer. De uma forma geral, as livrarias olham com certo preconceito para a literatura do Rio Grande do Norte. A única livraria que tem o maior respeito pela nossa literatura é a Siciliano, indiscutivelmente. A grande maioria das livrarias coloca os livros nas estantes como se estivessem fazendo um favor. A livraria do aeroporto se nega a comercializar a história do Rio Grande do Norte e as tradições locais. E não é só isso. Para que o leitor tenha uma idéia das dificuldades que passa o editor, vou contar um caso que aconteceu. A dona da livraria Café e Cultura, em Mossoró, me pediu todas as edições do Sebo Vermelho e eu mandei 3 exemplares de cada, com todo o respeito. Essa mulher vendeu a maioria dos livros e teve a cara-de-pau de não pagar nenhum centavo. Ainda devolveu o restante dos livros com o maior desprezo e não deu a menor satisfação dos livros vendidos. Ela também fez isso com a livraria Poty Livros. O dono da Poty Livros me falou que forneceu livros para a livraria Café e Cultura e não foram pagos. A Poty vai cobrar a dívida judicialmente. Estou mostrando apenas dois exemplos das várias dificuldades que há em distribuir os livros pelo Estado e fazer com que a nossa literatura chegue ao grande público.

OM - As edições do Sebo Vermelho estará participando da 2ª Feira de Livros de Mossoró que acontecerá a partir de terça-feira?

AS - Até o momento eu não fui convidado. Desde a primeira feira eu não sei por que ninguém fez contato comigo, mesmo eu tendo editado alguns livros importantes sobre a história mossoroense. Mas, a organização do evento não deu a menor importância. Eu reeditei um livro de Raimundo Nonato chamado "Os Revoltosos de São Miguel" que é importantíssimo para as letras mossoroenses. Eu também fiquei na minha e não fui procurar ninguém. Mas, espero que me convidem para participar que terei o maior prazer em ir e dá minha contribuição.

OM - Há algum lugar em Mossoró onde podem ser encontrados livros da Editora Sebo Vermelho?

AS - Lamentavelmente não há nenhum lugar. Mas, a boa notícia é que a livraria Siciliano vai colocar uma filial em Mossoró, no novo shopping, e as pessoas poderão comprar as nossas edições lá. Isso é uma coisa muito boa porque o povo de Mossoró precisa saber a importância do livro. Eu acho que a cidade tem uma intriga com relação ao livro porque poucas livrarias dão certo em Mossoró. Na verdade, Mossoró precisa se educar a consumir a literatura do Rio Grande do Norte.

OM - Como tem sido a participação do Sebo Vermelho no Festival Mada?

AS - Estamos expondo quase todas as nossas edições, em torno de 160 títulos. Só não estão sendo expostos os autores que já foram esgotados. Mas, a maioria dos escritores potiguares está participando do Mada, que é um grande evento para Natal. No festival, há uma espécie de feirinha com um leque imenso de artigos, mostrando aspectos da cultura potiguar.

OM - Abimael, há alguma publicação no prelo?

AS - Estou reeditando o livro de Anchieta Fernandes, "Écran Natalense - capítulo da história do cinema em Natal", que deverá sair com edição revista e ampliada. Também estou reeditando um livro de Veríssimo de Melo sobre o gigante Luiz Tavares e ainda estou organizando uma antologia chamada "Poetas Seridoenses" que irei lançar na Festa de Sant'ana, em julho. Esse livro tem uma grande importância porque é a primeira antologia de poetas seridoenses, uma reunião de 35 poetas antigos e da nova geração. Esse livro mostra que o Seridó não tem só tradição política, mas representa também o diferencial da poesia do Seridó nos versos de José Bezerra Gomes, Moacy Cirne, Luiz Carlos Guimarães, Abner de Brito, Nei Leandro de Castro, entre outros.

 

 

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