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Antoniel o brincante
das palavras
Por Leonardo Sodré Editor
Geral
O escritor e poeta Eduardo Alexandre
de Amorim Garcia, o Dunga, costuma dizer que o poeta
Antoniel Campos “brinca com as palavras”. E, ele brinca
mesmo por meio de uma poesia lírica, romântica, que
muitas vezes, como ele próprio afirma “explora, de leve,
quase erótico, o sensual”.
O poeta Antoniel Campos é engenheiro
civil, tem 39 anos, duas filhas e é funcionário do Ministério
da Educação. Trabalho como engenheiro para sobreviver
e faço poesia para viver.
Para ele, “poesia é você dizer com
palavras o que as palavras não dizem”.
Acosta-se, embora intempestivo,pedido
de sustar-se esse processoem que deliberei-me réu confessono
Campo absoluto e relativo.
É pedra cada instante que atravesso,
e inútil perquirir por qual motivo quis pedra fosse
o instante onde me vivo e por que não me paro e recomeço.
Mercê da própria vaga em que
derivo, um quê me diz de pleito impeditivo e raras as
nuances de sucesso...
Mas sendo o que me resta e ora
peço, o embargo dessa lide faço expresso: acosta-se,
embora intempestivo.
Boêmio, freqüentador do reduto mais
tradicional da cultura natalense, o Beco da Lama, ele
é, sobretudo, discreto, às vezes quase invisível. Mas,
quem o conhece sabe da sua capacidade de conciliar,
de fazer amigos e não é raro vê-lo compenetrado escrevendo
poesia, em guardanapo, numa mesa de bar. E, diferentemente
de outros poetas, que fazem do sofrimento um motivo
de inspiração, ele acha que o poeta é alegre, que sente
prazer na alegria, no viver e isso “é o norte da escrita
poética”.
Escreveu três livros: “Crepes &
Cendais”, de 1998; “De Cada Poro um Poema”, de 2002;
e “A Esfera”, de 2005.
Recebeu vários prêmios literários:
Menções honrosas nos concursos de poesias Othoniel Menezes
e Luis Carlos Guimarães, primeiro lugar no 1° Concurso
de Poesia Erótica Brasil/Portugal e primeiro lugar no
Concurso de Poesia Falada.
O poeta não é ligado em política,
mas como sua mente é voltada para o belo e o sensual,
ele aproveitou umtempo de muitas CPIs para fazer poesia:
Eu vou colher o teu depoimento,/traçar
o rumo da investigação./À tua fala ficarei atento/a
ver se apanho-te em contradição./Se não convences, por
requerimento,/te chamarei para acareação./E com ou sem
o teu consentimento/quebro o sigilo do teu coração./Eu
titular e nunca o teu suplente,/teu relator e o teu
presidente,/bato o martelo nessa comissão./Eu tranco
a pauta, fecho o expediente/e dispensando cada depoente,/beijo
tua boca em absolvição.
Prosista, caminha no rumo da sensualidade
com a leveza a que se propõe, quando escreve:
Ela ousa declinar a mão esquerda em
suposto tanto faz, como se o ângulo de repouso pensado
não o fosse. Quer deixar os cabelos — loiros — parecerem
assim como num lance fortuito do acaso. E olha
assim para um nada, como se para mim não fosse esse
olhar. E ela quer deixar transparecer um sorriso assim
meio podia ou não podia ser, entende? E ela se senta
assim meio largadona. E eu volto às suas mãos e digo:
juro que posso lhe sentir o cheiro e dizer qual perfume.
E esse “U” que vai de ombro a ombro num deixar só na
medida nem um mais nem um menos: só o que deve. Falo
dos peitos dessa mulher. Dos peitos de sharon. Eu que
tantas vezes os tive rentes à barba de dois dias e agora
nessa de três só minhas mãos a alisá-la... Como quem
diz: nossa, como você mudou. Mas ela olha de lado como
se aqui eu não estivesse. Mas eu estou e digo a ela,
a você: são inesquecíveis.
PRODUÇÃOLITERÁRIA NO RN - “Gosto do
que vem sendo escrito pela nova safra de poetas do RN.
Destacaria, e aí cometendo o pecado de certamente esquecer
nomes, a poesia de Alexandre Abrantes, Xavier del Neto,
Lívio Oliveira, Daniel Minchoni e Cefas Carvalho, em
Natal; Théo Alves, Iara Maria e Wescley da Gama, em
Currais Novos; Marcos Ferreira, Cid Augusto, Caio César
Muniz, o mestre Antônio Francisco e Kalliane Sibelli,
no país de Mossoró. É o sangue jorrando novo e quente
no cenário poético potiguar”.
MOVIMENTO LITERÁRIO NO RN - “Vejo
todas as tribos, cada uma com sua linguagem, seu grito
— aí incluindo, igualmente, suas idiossincrasias —,
dizendo para o mundo as suas propostas no contexto da
poesia. E aqui eu gostaria de citar a recente entrevista
do poeta Marcos Ferreira à revista Papangu. Engana-se
quem pensa que o desabafo do bardo mossoroense é coisa
localizada, daqui do RN, da província. Não! Embora os
citados sejam os “de casa”, vejo nas palavras do Marcos
Ferreira, no que tange à poesia, o grande debate,
muito embora às vezes sub-reptício, que vem sendo travado
a nível nacional, onde uma parcela significativa de
poetas tenta impor, ainda que de forma velada, a sua
proposta poética, como se apenas uma única via fosse
possível. Rotulam-se mutuamente de poetas inventivos
e o resto dos mortais, que eles chamam de neoparnasianos,
que se lixe. Essa outra parte, atacada, revide de forma
às vezes irresponsável, destilando seus rancores em
forma de suposta crítica literária, como foi o caso
de um artigo do poeta paraibano Hildeberto Barbosa que,
sem conhecer a poesia dos autores que ele ataca, coloca
todo mundo no caldeirão do inferno. São esses extremos
que depõem, atualmente, contra o cenário poético nacional
que, de resto, vive exatamente esse momento, que é a
busca do caminho a seguir. Ora, cada poeta que faça
o seu! Nada de imposições e cerramento de fileiras”.
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