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Na
origem da vida
Por Fernando Miragaya
TV Press
Adriana Lessa está
virando sinônimo de "mãezona" na televisão.
Apesar da aparência jovem - a idade ela não revela de jeito algum - e de
não ter filhos na vida real, essa bela paulistana está se especializando
em fazer tipos maternos.
Em "O Clone",
ela está interpretando a simpática Deusa, a responsável por dar à luz
o clone de Lucas, personagem de Murilo Benício.
Só que esta é a quinta
vez que Adriana faz uma gestante na televisão. Seja em novela ou
minissérie, lá está Adriana "sofrendo" com as
dores do parto e cuidando de seus "herdeiros"
fictícios. "É o nono filho que vou ter só na Globo. Fico
feliz por ter imprimido uma certa credibilidade em relação a este
emocional denso", diz a atriz.
A "fertilidade"
dramatúrgica de Adriana começou no seriado "Retrato de Mulher",
em 1991. Os partos e choros foram crescendo e continuando nas minisséries
"Chiquinha Gonzaga" e "Aquarela do Brasil"
e na novela "Terra Nostra". Foi justamente na trama de
Benedito Ruy Barbosa que a atriz ficou mais em evidência ao interpretar a
escrava Naná.
Logo no primeiro
capítulo, ela deu à luz o filho de Gumercindo - Antônio Fagundes. A
cena, carregada de emoção, foi marcante para Adriana e chegou a
contribuir para o retorno da personagem no meio da novela. "A
força que foi imprimida na personagem possibilitou mais oportunidades na
trama. E até então não havia imprimido uma imagem na tevê. Até hoje
me chamam por Naná na rua", enaltece.
Com um jeito contido e um
vocabulário mais refinado, Adriana acaba passando mesmo um ar de mãe.
Influência da Deusa de "O Clone" ou não, a atriz deixa
transparecer esse lado ao comentar os cuidados e preocupações com outro
tipo de "cria": a personagem.
Quando foi chamada para a
novela de Glória Perez, Adriana ficou espantada com o filho que Deusa ia
ter. "Fiquei muito preocupada quando soube que seria mãe de
uma pessoa que tem a minha idade", reconhece.
Mesmo sem saber como
será sua composição na passagem de tempo que vai marcar a terceira fase
de "O Clone", Adriana resolveu encarar o papel. "Também
fiquei assustada em fazer de novo uma ‘mãe’, mas depois vi que
era uma oportunidade maravilhosa, pois a Deusa tem nuances diferenciadas",
pondera.
Uma das características
que mais atraiu Adriana foi a dança. Na trama, a personagem é uma pé de
valsa da chamada dança de salão e recentemente numa cena deu um
verdadeiro show fazendo passos de tango ao lado de Roberto Bonfim, que faz
o Edvaldo na novela. "Ainda mais porque a Deusa encontrou seu
amor através da dança e a dança une as pessoas", filosofa.
Para dançar em cena,
Adriana não teve grandes problemas. Desde o início da carreira de atriz,
com o grupo de teatro de Antunes Filho, ela trabalha o corpo com a dança.
"A personagem ficou bem adequada. A Glória ficou feliz e
satisfeita com minha disponibilidade corporal para executar o que ela
está escrevendo", valoriza. Só que a dança de Deusa acaba
deixando em evidência outra característica que parece "perseguir"
Adriana em seus personagens. Afinal dança tem a ver com música e a
música esteve presente em vários momentos da atriz na tevê. Além de
apresentar o "Dance MTV", em 1991, Adriana atuou em
"Chiquinha Gonzaga" e "Aquarela do Brasil"
com personagens relacionados com a música.
Para Adriana, que é cantora, a música
acaba ajudando na composição dos personagens. Com Deusa não foi
diferente. "Assim como fiz em ‘Chiquinha’ e ‘Aquarela’,
busquei referências através da música. A música retrata a sociedade em
que você está vivendo de uma forma muito real", acredita. E
a "realidade" da personagem também agradou em
muito à Adriana. Em vez das costumeiras empregadas domésticas reservadas
para atrizes negras, em "O Clone" Adriana acredita que a
manicure Deusa tem uma colocação diferente do habitual na tevê. "Ela
não tem uma condição social inferior nem um sub-emprego. Isso me chamou
a atenção", ressalta, com ares de uma "mãezona"
defendendo a sua "cria".

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