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O segredo das palavras
Tem dia que as palavras
são caprichosas: teimam em não sair. O pensamento naquela ansiedade de
mudo. As idéias desfilando na passarela fechada de um mundo subjetivo.
É quando as palavras
escondem segredos que não desejam ser revelados. Nem tudo é para ser
dito, esta a grande verdade. E todos têm segredos inconfessos, sobretudo
a não serem compartilhados numa crônica.
A vida é um manto
inconsútil de fantasias, com remendos mal pregados de verdades. O segredo
é a antítese da verdade, e não a mentira.
Há verdade que de tão
dura rasga definitivamente o manto diáfano da utopia, da ilusão, da
quimera. A vida muda de rumo, de norte, sai do prumo.
Uma amiga me fez uma
confissão. Desabafou um coração dilacerado de remorso. Queria saber de
mim se eu compreendia a sordidez do seu gesto. Ouvi compassivo, na
benevolência de quem muito já viu ao longo da vida.
Verdadeiramente, a minha
amiga queria uma palavra de apoio, de cumplicidade afetiva. Da minha
parte, houve apenas o silêncio de quem sabe ouvir, e esta crônica que
serve de consolo. Talvez.
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