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A relatividade dos prazeres

Aconteceu-me sexta passada um inesperado encontro com a breguice. Diante deste dito cujo encontro, reparei como é fácil divertir-se de acordo com o que se têm. O dinheiro é pouco? Não há problema, a felicidade continua sendo muita. O que nos traz mais prazer: assistir à ópera Carmem de Bizet ou assistir ao show de Bartô Galeno? Depende. Muitas pessoas decidem sem piscar pela segunda opção.

Pois é... Aceitei o convite de meu marido e toquei rumo ao show de Bartô. Foi hilário na menor das qualificações.

O lugar, um restaurante popular transformado em casa de show, estava todo cercado de tábuas, logicamente para que os transeuntes não pagantes estivessem impedidos de apreciar a visão do grande ídolo. Na bilheteria, lia-se uma frase pintada numa letra manuscrita, tinta branca, meio tortinha, a frase: "ALUGA-SE TALBAS". Certamente, o alugador do cercado não queria perder a oportunidade de fazer seu comercial. Achei graça e entrei.

Vendo naquele lugar muita graça para as palavras, chamei o garçom e pedi uma caneta e um pedacinho de papel. Ele deu. Só que antes disse:

— Com dois vê... viu, moça?

Há muito tempo eu não ouvia essa expressão "com dois vê", quer dizer, vai e volta. Eu teria que devolver a caneta.

— Certo, tudo bem. Respondi.

A produção do espetáculo estava toda atrás da minha mesa. Eram mais ou menos umas dez horas da noite, talvez mais, e o grupo de produtores, uns senhores na casa dos quarenta anos, jantava tranqüilamente pratos de buchada com arroz de leite e feijão numa tranqüilidade de quem janta alface com brócolis.

— Esses homens vão morrer de indigestão! — pensei — depois vai todo mundo para a Dix-sept Rosado com infarto agudo do miocárdio...

Você já sabe, leitor, seria mais fácil um de nós dois baixar ao hospital comendo tudo aquilo. Eles não.

E todo mundo começou a chegar. As mulheres... Puxa, as mulheres! Chegavam às carradas, sempre juntas e molhadas (calma!) pelo banho que tinham acabado de tomar. Ajeitavam-se às mesas e ao som das músicas de antes do show dançavam só com os ombros, sabe como é? Ficavam assim, balançando os ombros com os braços levantados até o meio do corpo. Bem animada a cena.

Carlos Alexandre, Gilliard, todas essas feras foram homenageadas. Mas, quando tocaram "...Sorria, meu bem/ sorria...", não agüentei Evaldo Braga dando aquela trocidinha na língua. Caí na risada. Logo depois, Jane e Eroni: "...Não se vá../ eu sei que você já não me ama/ Não se vá.../ O seu ciúme é a minha desventura...", a festa estava agitadíssima.

O palco era um compensado posto em cima de caixotes de cerveja, com duas caixas de som lado a lado e um teclado, nada mais.

As pessoas, inclusive eu, se divertiram a valer. Contando os ingressos que nos custaram cinco reais cada um, uns refrigerantes, uma dose ou duas de qualquer coisa, as despesas não conseguiram chegar a vinte reais. Não é nem metade do ingresso de uma apresentação de Caetano Veloso, no Canecão, lá no Rio de Janeiro.

É bem verdade aquela frase que diz que "os prazeres da vida são relativos". São mesmo. Enquanto que para alguns o importante é rodar em carro importado, jantar no italiano arrotando caviar, outros não estão nem vendo se Bartô Galeno é doido ou não. Divertem-se com o que têm. Chegam de bicicleta arrastando suas comadres cheirosas à "alma de flores". E quando vão para casa com umas e outras no juízo, fazem amor do mesmo jeito ou até melhor, porque não têm frescura.

A alegria de viver está dentro da gente. O dinheiro compra só o que dá, o que não dá, a gente inventa porque cabeça é para isso mesmo.

Aproveite bem o que você tem e até domingo que vem.

 

   

Um caminho

Ivanaldo Xavier
Jornalista, especialista em Desenvolvimento e Meio Ambiente

Nestes tempos de fanatismos e guerras, é essencial ao homem encontrar o seu próprio caminho. Não um caminho traçado especialmente para ele trilhar, mas aquele escolhido por ele em seu livre arbítrio, com consciência e sabedoria e que se adeqüe ao seu modo de viver e, especialmente, que lhe seja essencial e suficiente para mostrar a realidade da vida. Um caminho essencialmente de amor.

Na última semana, foram encerrados os trabalhos da XIII Semana Espírita de Mossoró, um evento que se repete anualmente e que procura fornecer orientação, não apenas espiritual, mas também, terrena, pois é aqui no planeta em que vivemos a nossa vida material, um verdadeiro aprendizado para a nossa verdadeira vida, que é a espiritual.

Foram realizadas palestras dentro do tema "O homem ante o terceiro milênio", detalhando diariamente os aspectos social, tecnológico, físico, espiritual, ecológico e finalmente o homem integral. Passaram por lá palestrantes de peso que, se não conseguiram, pelo menos tentaram passar as suas experiências e os seus conhecimentos de vida e longos anos de estudos sobre os diversos sub-temas, dentro do tema central "O homem ante o terceiro milênio".

O espiritismo não é somente religião, pois tem como base para a sua própria construção e fundamentação o tríplice aspecto: ciência, filosofia e religião. Com base nos conhecimentos aglutinados através dos tempos e em novos saberes adquiridos em estudos recentes, o espiritismo vem se adequando aos novos tempos e se apresentando como uma opção realista e sempre atual, pois não busca a negação da ciência, mas exatamente o contrário: procura as comprovações daquilo que acredita através dela.

É uma opção, diga-se de passagem, baseada em fatos científicos e reais, que prega ações de caridade, pois, segundo Jesus, "fora da caridade não há salvação" e é preciso que o homem se reconcilie com ele mesmo e se esforce em praticar o seu mais nobre sentimento, que é o amor ao próximo, que gera a solidariedade e aproxima os povos de diferentes raças, religiões, credos, línguas e nacionalidades e ressalta o único fator que deve ser levado em consideração: somos todos irmãos.

O surgimento do espiritismo teve início em Nova Iorque, quando as irmãs Fox, filhas de evangélicos, conseguiram comunicar-se pela primeira vez com um espírito de um caixeiro viajante que fora assassinado na casa para onde elas haviam se mudado recentemente. Essa comunicação se deu através de pancadas. Outros fenômenos aconteceram no mundo e chamou a atenção de Hippolyte Léon Denizard Rivail, ilustre cientista e professor, discípulo de Pestalozzi, que mais tarde adotou um nome que recebera em vida passada: Allan Kardec.

Kardec passou a estudar os fenômenos, especialmente aqueles denominados de "mesas girantes" e percebeu que por trás de todos aqueles fatos havia uma força inteligente e mais tarde ele percebeu que eram espíritos de pessoas que já haviam falecido. E foi estudando-os que a comunicação foi aprimorada e lhe permitiu realizar a codificação do espiritismo, lançando aos 18 de abril de 1857 a primeira obra com o nome de "Livro dos Espíritos".

Outras obras foram escritas por Kardec, somando-se cinco e por isso chamadas de "Pentateuco" ou obras da codificação. Entre elas, encontramos: "Livro dos Médiuns", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "A Gênese" e "O Céu e o Inferno". Muitos outros nomes importantes somaram-se ao de Kardec, reconhecendo a existência dos espíritos. Podemos citar Conan Doyle, o criador do famoso detetive Sherlock Holmes, que também se dedicou ao estudo e escreveu obras espíritas.

Naquela época, o espiritismo era constituído de muitos fenômenos, pela necessidade de se provar a sua existência, mas hoje o espiritismo é mais oração, obras de caridade, solidariedade e amor ao próximo, tudo baseado no legado que nos foi deixado pelo maior homem que já passou pelo nosso planeta: Jesus de Nazaré. Das casas espíritas, não se deve esperar espetáculos de fenômenos mediúnicos, mas orações, palestras e mensagens positivas, muitos trabalhos assistenciais e solidariedade. Não estamos afirmando que não existem os fenômenos, até porque, eles estão em todos os lugares onde existem vidas e a própria Bíblia há muito tempo já relata inúmeros casos.

 

Feiras de ciências

Alberto Montenegro
Historiador, pós-graduado em Economia

A feira de ciência é uma idéia magnífica, se analisarmos a sua capacidade de interagir na mente dos alunos que estão iniciando ou já estão terminando a sua vida escolar. Através dessas feiras, possibilita-se ao aluno buscar os mais diversos assuntos, sobre qualquer matéria ou disciplina. Ganham também os colégios, pois divulgam as suas qualidades e capacidades de aprendizagem, mostrando aos pais como a escola está trabalhando com seus filhos, em que, às vezes, causam surpresas com as novas qualidades artística ou intelectual que seus pupilos apresentam.

Porém, como ninguém é perfeito e nenhuma escola ou instituição de ensino é perfeita, infelizmente, existem determinados empresários que possuem uma dessas instituições, e, buscando apenas a promoção da sua "empresa-escola", não medem as conseqüências ou os efeitos que essa tal "promoção" pode causar. Como exemplo, poderia citar um caso recente de uma determinada instituição que se diz educadora (não citarei nomes), promoveu a sua feira de ciências e a divulgou em todos os meios de comunicação (TV, rádios e jornais). Atitude que, em nossa atual crise econômica, é perfeitamente normal. No entanto, esqueceram de um pequeno detalhe, o de divulgar qual era o seu objetivo ou qual a sua finalidade e o que a feira de ciências poderia contribuir para o desenvolvimento intelectual do aluno, e por que não dizer para o desenvolvimento da nossa cidade.

São fatos simplórios, que não são vistos por esses ditos empresários educacionais, pois não atendem aos interesses principais do capitalismo, ou seja, não dão lucro. São apenas detalhes criados pelos pedagogos.

Além desse problema, ainda existe um outro mais grave, que são os professores chamados de "mercenários" ou "vendedores de aula", no qual o único interesse é vender o maior número de aulas possível, sem que haja qualquer interesse ou preocupação em relação ao aluno ou com o colégio em que ensina. Não quero culpar todos os professores, pois existem exceções e problemas financeiros que atingem principalmente a essa classe, que é extremamente mal remunerada. Mas não justifica os maus profissionais que existem atualmente no mercado, sem ética, sem preparação, sem títulos ou ainda sem nenhuma formação acadêmica.

A minha cidade, felizmente, possui vários colégios que merecem elogios e profissionais especializados que trabalham com amor e dedicação sem interessar apenas e exclusivamente o salário no final do mês.

Atualmente, graças à globalização, ao avanço tecnológico e às novas necessidades do mercado, que exigem profissionais cada vez mais especializados, o ensino está sendo novamente valorizado, principalmente nos países ditos periféricos, de economia emergente, que necessitam de um grande número de mão-de-obra preparada para a "nova economia". Uma das maneiras mais simples e eficazes, ainda, são as chamadas feiras de ciências.