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Começar
de novo
Por ANDRÉ FERNANDO
TV Press
Há males que vêm para
bem. Este velho dito popular ilustra bem a nova fase profissional de
Otaviano Costa. Em maio deste ano, ele teve de dividir o comando do "O+",
da Band, com a ex-VJ da MTV, Sabrina Parlatore. Como se não bastasse,
começou a perder espaço para "personagens" como
Feiticeira, Gêmeos e Internética. Para piorar a situação, ainda soube
que o programa passou a se chamar "Superpositivo" depois
de assistir a uma chamada no ar. Quando tudo parecia irremediável,
Otaviano recebeu um convite da Record para trocar de emissora. A partir da
próxima segunda, dia 5, ele estréia o "Domínio Público",
programa de auditório voltado para o público adolescente, às 17 h.
"A Record me deu pleno controle sobre tudo que acontece a minha
volta. Vou conseguir fazer um programa com a minha cara",
garante.
Pela primeira vez em dois anos de
carreira como apresentador, Otaviano vai trocar o horário nobre pela
faixa vespertina. Por conta disso, ele vai ter a difícil tarefa de
disputar audiência com "Malhação", "folheteen"
da Globo que registra atualmente uma média de 25 pontos. "Por
enquanto, não tenho qualquer compromisso com audiência. Meu objetivo é
a médio e longo prazo", ressalva. Para atrair o público
jovem para a Record, Otaviano aposta em quadros como "Sexo Verbal"
e "Mapa da Mina". O primeiro vai abordar temas
relacionados à educação sexual e o segundo, discutir as principais
carreiras do mercado. "A Record encomendou uma pesquisa e
descobriu que tenho forte credibilidade junto aos jovens. Quero criar
neles o hábito de assistir à Record", ambiciona.
P - Nos últimos meses,
você andou sendo sondado pela Globo e Record. O que levou você a se
decidir pela Record?
R - Nada conseguiu suprir
a proposta que a Record me fez. Eles me deram plena liberdade para eu
fazer o que bem entendesse. A concepção do programa é minha e tenho
pleno controle sobre tudo que acontece por lá. Além do mais, quero pegar
um público órfão do Serginho Groisman, que se consagrou neste horário,
e conquistar outro também. Assumi o compromisso de levar um público novo
para a emissora.
P - O Serginho Groisman
é uma das principais referências da sua carreira?
R - Eu diria que o
Serginho é a minha referência-mor. Adoro o trabalho dele. Não tenho
qualquer pudor em assumir isso. Seria bobagem da minha parte. Ele
influenciou toda a minha geração. Quem me dera que eu pudesse fazer o
mesmo com a geração que me assiste.
P - É verdade que a
proposta financeira da Record também foi bastante vantajosa?
R - É, sim. Do que eu
ganhava quando comecei na Band, dá umas seis vezes mais. Mas juro que
este não foi o principal motivo para eu fechar com a Record. Quero me
sentir feliz e realizado profissionalmente. Não importa se você está
trabalhando na Globo ou na TV Cultura, o importante é você saber o que
quer da sua carreira. Reconheço que a família Saad foi muito bacana
comigo. É triste sair da emissora onde comecei uma nova etapa da minha
carreira. Mas chegou a hora de mudar...
P - No mês passado,
você completaria dois anos de Band. Por que não renovou com a emissora?
R - Chegou um ponto que a
minha satisfação profissional estava esgotada. Adoro o que faço, mas
não estava mais gostando de trabalhar na Band. A magia foi por água
abaixo. Fico triste por isso. Afinal, fiz muitos amigos por lá. Mas, em
compensação, me sinto feliz por recomeçar minha carreira numa emissora
oxigenada como a Record. No final das contas, uma coisa compensa a outra.
P - A idéia de dividir o
comando do "Superpositivo" com uma infinidade de outros
apresentadores, como Feiticeira e Os Gêmeos, desagradou você?
R - O Rogério Gallo
assumiu a Band e tentou fazer uma série de modificações. Resolvi tirar
proveito do que estava acontecendo da melhor maneira possível, mas havia
uma série de personagens no ar que eu gostaria de explorar de outra
forma. Eu tinha meu jeito de apresentar e a Sabrina, por exemplo, tinha o
dela. De certa forma, não podia mais mostrar todas as possibilidades que
tenho como apresentador.
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