|
O REINO COR-DE-ROSA
DO PRESIDENTE FHC
O presidente brasileiro nem bem acabou
de voltar de mais uma de suas incontáveis viagens internacionais
e já embarcou ontem (07) para os Estados Unidos. E o problema maior
não reside nas múltiplas andanças. O que mais chama a atenção é que
Fernando Henrique Cardoso toda vez que viaja ao exterior exercita seus
devaneios mentais, além de ter lampejos de memória do tempo em que
era apenas sociólogo e defendia realmente teses sociais.
Quando vai a Paris -- onde
esteve nestes últimos dias -- aí sim a
"performance" de FHC bate todos os recordes. Ele se sente
verdadeiramente um rei. Sobretudo depois de ter passado, juntamente com a
1* dama, d. Ruth Cardoso, um agradável fim-de-semana na casa-de-campo do
Primeiro Ministro inglês, Tony Blair , em companhia do proprietário e do
ex-presidente dos EUA, Bill Clinton. Conversando, de acordo com o próprio
presidente, sobre o "tempo e o vento" ...
A imponência da Torre Eiffel, a grandiosidade histórica do Arco do
Triunfo, o glamour dos Champs Elisées, o exuberante Museu do Louvre, com
sua enigmática Monalisa, e a lembrança da intelectualidade da Sorbonne,
parecem contagiar o presidente. E aí ele "viaja",
literalmente!
Suas declarações e entrevistas sobre
assuntos brasileiros são verdadeiras pérolas. Para nós,
dá a nítida sensação que ele está falando de outro país. Não do
nosso Brasil e da conduta do governo por ele chefiado...
Foi o caso em junho do ano passado, quando
FHC esteve em Paris, e lançou aquele balão de ensaio ( lembram-se ? ) ,
aventando a possibilidade do Brasil implantar, regionalmente, a redução
da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 35 horas semanais, visando
"combater o desemprego", à exemplo do adotado, com
relativo sucesso, já de alguns anos pela França.
Quem sabe o presidente francês, Jacques
Chirac, ou o primeiro-ministro, Lionel Jospin, tenham soprado a proposta
nos ouvidos de FHC, argumentando que se
deu certo lá , dará aqui : " c'est tout la même chose". Não é tudo a mesma coisa!! Não dá para
comparar a economia francesa com a do Brasil, nem tampouco o estágio da
relações entre os sindicatos patronais e de trabalhadores dos dois
paises. E muito menos a qualidade de vida.
Foi assim agora, quando em discurso para "francês ouvir"
defendeu a criação de uma CPMF mundial e falou com muita "indignação"
da situação dos pobres no Mundo. Só se esqueceu, providencialmente, de
falar sobre os milhões de brasileiros que estão abaixo da linha
da pobreza sobrevivendo com menos do que o já vergonhoso Salário Mínimo.
Mas nesta sexta-feira (09) o presidente
Fernando Henrique tem tudo para se redimir. Pelo menos na falação. Ele
abre com um discurso -- como tradicionalmente é reservado ao
presidente do Brasil -- a Assembléia Anual da ONU. São todos
os Chefes-de-Estado do planeta reunidos no mesmo local. Ele poderia
traçar um quadro mais real do nosso querido Brasil. Falar da estabilidade
conquistada, sem dúvidas, mas também falar das desigualdades sociais que
foram ampliadas. Falar dos professores
universitários, que há 75 dias estão em greve por salários dignos. Do
mar de lama e escândalos que atingiram seu governo por conta de alianças
espúrias. Falar da pesada carga tributária imposta aos brasileiros. Das
tabelas do Imposto de Renda -- que não são corrigidas há
seis anos -- em cima do que o governo federal se locupleta
arrecadando do cidadão muito mais do que seria justo. Do Salário Mínimo
que ele, FHC, pessoalmente e documentado tinha prometido,
durante a campanha, dobrar em seu governo. E, ao contrário, pretende conceder
reajuste anual de apenas 5%. Contra uma inflação anual que pode encostar
no dobro disso... Conjunto de fatores que contribuem para piorar a
qualidade de vida no reino-cor-de-rosa que ele julga mesmo que transformou o Brasil...
E por falar em qualidade de vida, a OMS - Organização Mundial da
Saúde, ligada a ONU, em relatório sobre a Expectativa de Vida nas Nações,
aponta o Brasil com uma expectativa de vida da população de apenas
59,1anos. Ocupando um indecente centésimo décimo segundo lugar
(112*) -- não obstante estar entre as 10 maiores economias do
planeta. Já a França está no topo, numa confortável 3* posição,
perdendo apenas para o Japão e Austrália, com 73,1 anos de longevidade
do seu povo. Uma diferença brutal de exatos 14 anos à mais de vida média
do que os brasileiros.
É um caso interessante. Fernando Henrique nas suas idas a Paris
leva sempre o "rei na barriga". Ainda mais agora que foi
aplaudido de pé na Assembléia Nacional Francesa, porque falou o que os
parlamentares queriam ouvir. FHC faz questão, é claro, de esquecer
dos graves problemas sociais tupiniquins e da Queda da Bastilha, quando os
franceses derrubaram a monarquia. Fica debaixo dos holofotes se
sentido assim não a belle de jour -- uma vez que sua
masculinidade é incontestável -- mas o verdadeiro
"belo do entardecer", ou melhor o bau de jour ...
Uma ótima
semana para vocês -- seria de bom
alvitre que o presidente, neste último ano de mandato, pelo menos,
parasse de viajar quando
estiver no exterior --
quinta-feira (15/11 )** eu volto.
Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
|
|