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Falta iniciativa de projetos para
coleta seletiva de lixo

Incomodados com o excessivo acúmulo de sujeira, com o destino dado ao lixo e com a degradação do meio ambiente, os moradores da cidade estão constantemente cobrando dos poderes públicos solução para o problema. No entanto, nem um projeto para solucionar o caso foi apresentado na cidade, salvo a iniciativa de duas empresas estatais que resolveram em parceria levar às escolas um programa de coleta seletiva de lixo.

Apenas algumas iniciativas de particulares estão voltadas em comprar lixo reciclável, como resíduos de plásticos, alumínio, papel, papelão, jornais, revistas e fazer a triagem desse material para vender para empresas especializadas em reciclagem. Cerca de 60% do que vai para o lixo poderiam ser reaproveitados. Apesar da boa vontade, a equipe tem se deparado com alguns problemas. "As pessoas não têm consciência da importância da reciclagem, não têm o hábito de separar o lixo e, pior, têm preguiça de fazê-lo", diz um dos compradores.

O trabalho de reciclar é dar nova utilidade a um objeto já utilizado, podendo fazer com que o vidro volta a ser vidro, o vasilhame de alumínio também, e as garrafas de polietileno tereftalato, conhecidas como PETs, transformem-se em poliéster. Essa é a pretensão dos poucos empresários que trabalham com a compra desse material.

De acordo com levantamento realizado por instituições ambientais, a cada tonelada de papel são poupadas aproximadamente 20 árvores. Além da preservação das florestas, há uma economia de energia em torno de 70%.

A falta de estrutura é outra dificuldade enfrentada pelas pessoas que se preocupam com o tema. A cidade não conta com serviço de coleta seletiva. Existem apenas alguns postos para depósito de lixo reciclável, localizados quase sempre em áreas privadas. No bairro Nova Vida, zona leste da cidade, existe um grupo de mulheres que realiza a coleta seletiva de lixo, mas enfrenta sempre as mesmas dificuldades no sentido das pessoas não possuírem informações sobre como realizar a seleção dos materiais a serem recolhidos. "Mesmo explicando às pessoas e fornecendo as sacolas para que o lixo seja selecionado é comum encontrar vários materiais distintos na mesma sacola", disse uma das responsáveis pela coleta seletiva do bairro.

Um agravante para a situação está se acentuando com a instalação de uma fábrica na cidade, que apesar de trabalhar exclusivamente com materiais recicláveis não tem um programa de reciclagem para o seu material.

Segundo o próprio representante da empresa, apenas as embalagens serão confeccionadas na fábrica. "Nós não realizamos o trabalho de reciclagens desse papelão do qual serão feitas as embalagens aqui na cidade, esse trabalho fica a cargo de empresas que trabalham nesse setor, não é o nosso caso", revela.

Excesso de embalagens descartáveis preocupa senador

Preocupado com o uso excessivo de embalagens descartáveis, o senador do Estado do Tocantins, Carlos Patrocínio (PTB), vem tentando apresentar um projeto para reverter os graves danos ao meio ambiente que vem sendo causado pelo uso desses materiais. Inclusive com o pedido para o incentivo à volta de embalagens retornáveis. Segundo o documento apresentado pelo senador em plenário, os plásticos demoram até 450 anos para sua total degradação.

Ele lembrou o fato de que há algum tempo, uma inundação na favela Novo Horizonte, no Rio, que causou mortes e numerosos desabrigados, foi provocada pelo represamento, sob uma ponte, de milhares de garrafas do tipo Pet e de outras embalagens plásticas descartáveis.

Patrocínio destacou a importância das embalagens modernas, que aumentam o prazo de validade de alimentos e reduzem desperdícios, mas alertou que as embalagens descartáveis exigem coleta de lixo seletiva e a instalação de empresas de reciclagem. No caso brasileiro, a situação ainda está longe de chegar ao ideal, apesar de já ocorrer reciclagem de 70% das latas de alumínio, 71% do papel ondulado e 36% do papelão. Apenas 15% dos plásticos rígidos são hoje reaproveitados no Brasil.

No setor de vidros há reciclagem de 40%, mas o número não espelha as vantagens do produto. O senador informou que as tradicionais garrafas de cerveja de 600 mililitros são usadas por até 25 vezes, com durabilidade de seis a sete anos. Por isso, Carlos Patrocínio defende a redução de impostos para as empresas de reciclagem, o que traria benefícios não apenas econômicos, mas principalmente para a saúde da população e para o meio ambiente.

Os números apresentados por Carlos Patrocínio mostram a importância alcançada pela indústria de embalagens e o crescimento do trabalho de reciclagem. Atualmente, 200 mil brasileiros trabalham com reciclagem, com um faturamento anual de R$ 1,2 bilhão e potencial para chegar a R$ 5,8 bilhões. Já o setor de embalagens apresenta um faturamento de R$ 12 bilhões por ano.

Aprenda a reaproveitar o lixo:

- Jornais e papéis velhos podem ser vendidos ou doados aos catadores de papel que percorrem as ruas da cidade; assim como latas e peças de metais (catadores ou ferro velho);

- Prefira bebidas com embalagens de vidros retornáveis e, quando puder, leve os vidros usados a um coletor de garrafas

Coleta seletiva

- Papel:

Separe jornais, revistas, embalagens, caixas, formulários, cadernos etc. O papel pode ser reciclado várias vezes, dependendo do tamanho de suas fibras. Cada 50 quilos de papel reciclado evita que uma árvore seja cortada.

- Vidro:

Separe vasilhames nas cores âmbar, verde ou transparente (garrafas, copos, cacos de vidro) Um quilo de vidro usado transforma-se em um quilo de vidro novo. Na reciclagem do vidro não há perda de matéria-prima.

- Metal:

Separe latas, fios, pregos, grampos, arames, panelas, alumínios, talheres, cobre etc. Cada tonelada de alumínio reciclado economiza a retirada de cinco toneladas de minério bauxita e 95% de energia elétrica.

- Plástico:

Separe plástico filme (mole), plástico duro, sacolinhas plásticas, potes de iogurte etc. A reciclagem de plástico economiza produtos derivados de petróleo. Os plásticos geralmente são transformados em produtos como engradados, tubulações para esgoto, sacos de plástico, sacolas, baldes etc.

- Matéria Orgânica:

Separe restos de comida, folhagens, bagaço, palhas, cascas de frutas, ovos, verduras etc. Esses materiais podem ser levados às usinas de compostagem, onde serão transformados em adubo orgânico.

Importante!

Alguns materiais não são recicláveis, como lâmpadas, cristais, louças, celofane, porcelana, pneus, espumas, isopor, papel laminado, papel carbono, fralda descartável, absorvente higiênico, filtro de ar de veículos, papel higiênico, tecidos e carpete.