|
Para que serve um
jornal?
O nosso editorial de hoje
transcreve trechos de um mesmo ponto de vista do Jornal de Brasília sob o
título acima e publicado na capital federal no último dia 31 de outubro.
Resolvemos assim agir pela coincidência de pensamentos, mas também para
que essas colocações sirvam de reflexão para alguns que se arvoram e se
apresentam como pseudojornalistas que são ou, ainda, como donos absolutos
da verdade.
Em seu primeiro
parágrafo ele expressa: "A liberdade de imprensa é um dos maiores
benefícios que a redemocratização devolveu ao Brasil. Nenhuma sociedade
pode ser livre com a imprensa amordaçada ou limitada na sua liberdade de
informar. Mas quanto mais livre a imprensa for mais presa ela deve estar a
compromissos fundamentais com o leitor, mais dependente ela será da
verdade e da honestidade. Quanto mais poderosa a imprensa for, mais
responsável ela deve ser. A credibilidade dos jornais depende, não dos
pontos de vista que todos temos direito a ter e exprimir, mas da
honestidade de propósitos, da clareza dos objetivos, da coragem de dizer
o que está por trás de determinada reportagem".
Mais adiante, depois de
se referir a casos específicos acontecidos na capital federal, envolvendo
um órgão de imprensa de Brasília que se apresentou como que desejoso
ser o dono absoluto da verdade, o editorial do Jornal de Brasília, segue
interrogando:
"Para que serve um
jornal? Um jornal serve para muitas coisas. Serve até para servir a
interesses escusos e mesquinhos. Tem servido também para que alguns
órgãos de imprensa tentem assumir o papel que não é seu e exercitem o
mais abusado cinismo em suas páginas. O leitor que vê um jornal que se
diz defensor de numa cidade não sabe que o prédio em que as reportagens
são feitas e impressas fere normas de postura, é tão irregular quanto
um barraco de invasores de terrais públicas e quanto um hotel construído
fora dos padrões permitidos, ambos denunciados por ele. Não sabe ainda
que a empresa que edita o jornal usa água de um poço artesiano
irregular, igualzinho às perfurações ilegais que servem aos
condomínios e que prejudicam o meio ambiente por causa de suas ações
predatórias. O leitor também não é informado que a empresa que publica
o jornal até pouco tempo invadia um terreno público com instalações
numa emissora de rádio.
Essas notícias
constrangedoras, porém, verdadeiras, o leitor não vai encontrar naquele
diário. Esta omissão é o pecado capital do jornal que se arvora de
defensor público e de arauto da independência, mas que só consegue
mostrar a face mais obscura da imprensa".
Claro que os fastos a que se refere o
editorial do Jornal de Brasília dizem respeito a uma realidade, mas
coincidem em tudo com o que temos visto, repetidamente, aqui em Mossoró.
E o seu ponto de vista na capital da República por coincidência, também
é o nosso. Insistimos também: para que serve um jornal?
|