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Sandra
Rosado
Por Luis Juetê
A
deputada estadual Sandra Maria da Escóssia Rosado (PMDB) vive um momento
grandioso em sua trajetória política: a aprovação, por unanimidade, do
projeto que prevê a instalação, em no máximo três anos, do Curso de
Medicina no âmbito da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
Segundo ela, é o marco definitivo para a consolidação do seu mandato
parlamentar. Desde criança, Sandra Rosado sempre teve fortes traços que
revelavam a aptidão para a política. "Aos nove anos de
idade, eu proferi o meu primeiro discurso, durante uma campanha de
papai, em Natal", lembrou, sempre ressaltando que o sangue político
que corre em suas veias é herança do seu pai, o saudoso deputado federal
Vingt Rosado. Determinada por natureza, Sandra disse não ter dúvidas
quanto à vitória de Henrique Alves nas próximas eleições. Nessa
entrevista, a deputada fala sobre a sucessão em nível nacional, sobre a
disputa para o Senado, além de um balanço positivo desses três anos
como deputada estadual.
O
Mossoroense – Quando foi que a senhora percebeu essa vocação
predestinada à política?
Sandra
Rosado – Eu sempre fui
apaixonada pela política. Desde a minha infância, eu participava das
lutas do meu pai, Vingt Rosado, nas marchas e nos comícios, nas articulações
dos bastidores. Eu sempre participei e tive essa vocação política.
OM
– E como foi a reação do seu pai ao ver a filha, muito cedo,
demonstrando fortes sinais da vocação política?
SR
– Meu pai tinha uma coisa que era interessante, era até uma superproteção,
eu acho. Ele dizia que a política era assim uma coisa tão ingrata, por
vezes tão violenta, que, apesar dele ser fascinado pela política, não
gostaria de me ver na política, sofrendo agressões, injustiças. Ele
sempre procurou me preservar da disputa eleitoral. Então, somente quando
houve o rompimento de Dix-huit com o nosso grupo, e que Laíre fez a
articulação para a reunificação do grupo de Dix-huit com o do meu pai,
é que Dix-huit exigiu, assim, que eu fosse candidata, porque ele sabia
que essa era a forma mais fácil dele conseguir o apoio de papai para o
projeto político dele. Então, mesmo quando nós dizíamos que haviam
outros nomes, ele dizia que não, que só queria o meu porque sabia que o
meu apoio era fundamental para a eleição dele.
OM
– Por quê?
SR
– Porque Dix-huit sabia que comigo viria o apoio de Vingt.
OM
– E o apelido de “Guerreira”, como surgiu?
SR
– (Risos) ...Eu nem sei. Esse termo já foi usado por muitos revolucionários
na história, mas passou muito tempo sem ser usado. Algum tempo depois,
algumas mulheres que tiveram coragem de participar da vida pública,
tiveram esse título, que muito me honra. Porque fazer a luta, o bom
combate, guerrear, no bom sentido, para trazer benefícios para as
pessoas, é motivo de orgulho. E esse é um nome forte, que realmente
identifica aquelas pessoas que têm coragem e disposição.
OM
– Como a deputada avalia esses três anos de mandato parlamentar?
SR
– Com modéstia. Eu gostaria de dizer que o meu mandato parlamentar tem
sido feito com muito orgulho e muita responsabilidade. Eu tenho procurado
me cercar de pessoas muito competentes e que me fazem uma avaliação dos
movimentos da sociedade, da comunidade. Eu tenho procurado sempre
apresentar projetos que, na realidade, são importantes para a comunidade.
OM
– Quais foram as principais ações desenvolvidas durante este período?
SR
– Tem alguns requerimentos que eu considero bastante significativos. Nós
tivemos o projeto que eu apresentei do sal e que, a partir dali, o sal
passou a ser discutido no Rio Grande do Norte. Antes, era só no
Centro-Sul, embora ele tenha sido vetado pelo governador. Mesmo assim, ele
teve uma importância muito grande. Nós temos a introdução do ensino de
cooperativismo, do turismo, na escola pública. Recentemente, eu
encaminhei um projeto que estuda a dependência química, e isso é
importante porque a gente sabe que a sociedade vive um drama terrível que
é o uso de drogas. E esse projeto é muito importante. Além disso, há
também a minha participação nas comissões. Eu já fui reeleita como
presidente da Comissão de Constituição e Justiça, que a gente pode
dizer não é a comissão mais importante, mas é uma comissão de
destaque, de muita responsabilidade. Eu tenho tido também uma participação
forte, importante na Comissão de Direitos Humanos, que eu considero um
tema muito atual. E como uma questão que salienta e consolida o meu
mandato, é o projeto da Faculdade de Medicina. Bastaria um projeto dessa
natureza para marcar, definitivamente, um mandato parlamentar.
OM
– E como se deu o processo de elaboração do projeto da Faculdade de
Medicina?
SR
– Eu percebia, já há muito tempo, a necessidade de Mossoró ter esse
projeto. E eu passei a escutar do povo. Uma vez, uma mulher de origem mais
humilde me chamou e perguntou por que eu não fazia um projeto para trazer
uma Faculdade de Medicina para cá, porque era o sonho dela. Ela não
tinha condição nenhuma de colocar seu filho para estudar fora. Então,
eu passei a analisar com os meus assessores esse projeto. E verifiquei que
em outras cidades do porte de Mossoró existiam Faculdades de Medicina, e
que estas eram exatamente importantes para tais cidades. Nós temos
Faculdade de Medicina em Londrina, Marília, Brasília, temos também no
interior da Bahia, interior do Ceará, interior do Piauí... Quer dizer,
cidades mais ou menos do porte de Mossoró têm essa faculdade. Então, nós
passamos a refletir sobre isso. Depois, procurei autoridades da
Universidade para saber se havia realmente essa viabilidade e verificamos
que era um projeto que tinha sentido, e que Mossoró não poderia perder
essa oportunidade.
OM
– Quais foram as principais dificuldades encontradas para a aprovação
desse projeto?
SR
– Olhe, o aspecto positivo do projeto é bem mais forte que o negativo.
Mas eu tive a paciência de elaborar com calma, para não ferir a
constitucionalidade, a legalidade, respeitar a autonomia da Universidade.
Nós demoramos um pouquinho para verificar isso. Depois, eu apresentei o
projeto e tive a paciência de escolher o momento oportuno e senti que eu
estava tendo o apoio de 99,9% da população. Eu vi que estava na hora de
apresentar o projeto. Ele foi aprovado por unanimidade, o que mostra que a
Assembléia Legislativa também viu no projeto de Sandra Rosado para a
Faculdade de Medicina uma porta para o desenvolvimento do Rio Grande do
Norte. Esse projeto é da Universidade de Mossoró, mas sem, dúvida
alguma, é um projeto que beneficia todo o Rio Grande do Norte.
OM
– E qual o segredo para que a proposta ganhasse corpo e se tornasse
quase uma unanimidade em nível estadual?
SR
– Nós fizemos algumas reuniões mostrando a importância do projeto,
mas eu acho que ele ganhou as ruas quando um grupo de pais, de todas as
camadas da sociedade, entre professores universitários, donas de casa,
empregadas domésticas, profissionais liberais, começaram a se juntar em
prol do assunto. Foi formado o Grupo Pró-Medicina, que foi aos bairros,
à periferia, mostrando a importância desse projeto. A sociedade civil
passou a pressionar para que o projeto fosse aprovado. Dois dias após a
aprovação, o governador recebeu um abaixo-assinado com mais de 20 mil
assinaturas, além de telegramas de prefeitos e vereadores de outras
cidades. Então, eu acho que foi a felicidade que eu tive de ter o apoio
popular para algo tão importante.
OM
– A senhora acredita que daqui a 18 meses Mossoró irá contar com o
curso de Medicina?
SR
– Está contido no projeto exatamente isso. O Centro de Ciências da Saúde
será criado com um ano e oito meses, e com vinte e quatro meses nós
teremos o primeiro vestibular de Medicina em Mossoró. O que vai, sem dúvida
alguma, possibilitar o acesso do aluno mais pobre, o acesso do aluno do
interior. Um aspecto importantíssimo vai ser a exigência que essa
faculdade fará para o aprimoramento dos profissionais da área da saúde,
que não se limita apenas à medicina. O Centro de Ciências da Saúde tem
um raio de ação maior, porque ele também lida com graduação e pós-graduação
na área de saúde e em áreas que sejam correlatas, como enfermagem e
educação física. Eu vejo que é importante porque a classe médica vai
passar a ter também a preocupação de ajudar na parte didática da
faculdade. Nós já temos alguns especialistas mesmo de Mossoró e a
cidade irá fazer com que o curso daqui seja bom e melhore também os das
outras cidades próximas.
OM
– E a deputada faria o primeiro vestibular para medicina em Mossoró?
SR
– Meu marido é medico, mas a minha área sempre foi uma área mais
social. Eu fiz Serviço Social, posteriormente fiz Direito, sou formada
também em Direito. É uma área diferente, mas eu acho que, pelo fato de
eu não ter essa disposição para a área da saúde, eu tenho pela área
da assistência social, que elabora e dá apoio na área da saúde. Eu
acho que a minha missão é favorecer aqueles que têm a disposição para
essa área. Não que seja uma missão cumprida e acabada, porque ela vai
continuar até o fim de minha vida, mas eu considero que fiz sem nenhuma
intenção pessoal. Ela vai ser bem mais ampla na minha vida... A minha
responsabilidade é bem mais ampla.
OM
– O País está diante de definições políticas de fortes proporções,
tendo em vista as eleições do próximo ano. Como a senhora analisa o
processo de transição do governo de Fernando Henrique Cardoso?
SR
– Eu
estou vendo que está sendo meio complicado, e isso, infelizmente, a gente
considera como uma coisa natural. Mas, perto do período eleitoral, as
oposições sempre começam a fazer uma movimentação, de pressão, através
de greve, de manifestações. Embora também eu não concorde em muitos
aspectos do governo Fernando Henrique (não votei nele, nem votaria), mas
eu entendo que nós temos que dar nossa parcela de sacrifício, de
compreensão. E eu espero que o próximo governante possa ter soluções
para esses problemas gravíssimos que o Brasil passa, principalmente o
nosso Nordeste; que o presidente da República tenha responsabilidade para
abordar, de forma definitiva, o nosso problema.
OM
– Em nível estadual, uma recente pesquisa apontou um equilíbrio entre
os candidatos Henrique Alves e Fernando Bezerra. Como a senhora vê esse
quadro?
SR
– Henrique vai ganhar a eleição. Eu não tenho a menor dúvida. Nós
passamos um período de bastante turbulência, quando a oposição
procurou macular a imagem de um governo que eu considero sério. Garibaldi
é um homem bem intencionado e com certeza ele fará o seu sucessor. Essa
questão você pode analisar: a queda vertiginosa do nome do senador
Fernando Bezerra – que eu pessoalmente não tenho nada contra ele – e
Henrique teve um crescimento extraordinário. Então, eu considero a
pesquisa um dado importante, embora distante da eleição e acredito
firmemente que Henrique será o futuro governador do Rio Grande do Norte.
OM
– Na mesma pesquisa, só que em relação à disputa para o Senado, o
governador Garibaldi e o senador José Agripino aparecem liderando a
disputa. No caso, se a eleição fosse hoje, eles garantiriam as vagas. A
senhora acredita que Geraldo Melo consiga garantir uma das vagas?
SR
– Olha, eu tenho a firme
esperança de que Geraldo, como ele é um orador extraordinário e um bom
político, cresça muito em campanha. Você pode observar a campanha que
ele disputou para governador, e todas as forças eram contrárias e diziam
que Geraldo não chegaria à vitória, e ele chegou. Quanto ao fato da
vinculação, eu acredito que isso irá acontecer em todos os municípios
do Rio Grande do Norte. Aqui em Mossoró, o nosso trabalho vai ser a
vinculação total do nome de Garibaldi ao nome de Geraldo. Eu acredito
que, no final, sairá vitorioso o nosso senador Geraldo Melo, juntamente
com Garibaldi, que vem liderando as pesquisas.
OM
– E com relação à polêmica quanto à composição da chapa majoritária
com a indicação do vice da Unidade Popular?
SR
– Desde o início, eu acho que
eu fui a primeira parlamentar a se posicionar a favor da candidatura de
Henrique, e tenho dito que eu lutarei em todos os momentos, em todas as
frentes, para que Henrique saia vitorioso. Então, eu acho que o candidato
que melhor possa somar e levar Henrique à vitória deverá ser o
escolhido. Com relação a essa questão do candidato ser da nossa cidade,
da nossa região, eu venho defendendo que isso aconteça, mas sei também
que em política tudo pode acontecer, digo isso porque eu já faço política
há muito tempo. Então, eu considero importante que se identifique um
nome que, se for da nossa cidade, da nossa região, ótimo, mas que seja
um nome que some o suficiente para que, cada vez mais, essa candidatura
seja consolidada, e ele seja na realidade o futuro governador do Rio
Grande do Norte.
OM
– Um dos nomes mais cotados para vice na Unidade Popular é o do
deputado Laíre Rosado. Caso isso se concretize, a senhora disputaria uma
vaga na Câmara Federal?
SR
– Como a gente está conversando sobre hipóteses, eu não posso
responder afirmativamente e definitivamente porque as coisas em política
mudam muito de um dia para o outro. Sem dúvida alguma, o nome de Laíre
é um nome excelente. Laíre é um cidadão de bem, um político que tem
feito da sua ação política um instrumento para transformação da vida
das pessoas. Um político que não tem vaidades pessoais... É um cidadão
humilde, sério, comprometido com as classes menos favorecidas. O PMDB tem
em Laíre um companheiro sempre presente nas horas das alegrias do partido
e nas horas de dificuldades. O nome dele é, sem dúvida, de um grande
parlamentar. Agora, eu não posso dizer o que irá acontecer porque o que
eu estou trabalhando agora e Laíre também é para que ele seja reeleito
deputado federal, e eu reeleita deputada estadual.
OM
– Ainda sobre essa questão das hipóteses, caso se concretize a
candidatura do deputado Laíre Rosado para o cargo de vice-governador e a
senhora disputando uma vaga para deputada federal, a vaga de estadual
ficaria com seu grupo?
SR
– Eu já disse que não posso analisar a questão sob hipótese. Mas,
caso isso aconteça, sem dúvida alguma o nosso grupo dará apoio a outros
nomes. Nós vamos disputar uma reeleição, eu e Laíre, mas teremos, sim,
outras pessoas para ocupar todos os espaços. O nosso grupo tem nomes
fortes e importantes, comprometidos para ocupar estes espaços.
OM
– Deputada, o espaço está aberto para as suas considerações finais.
SR
– Eu gostaria de dizer que me sinto bastante recompensada, mesmo com as
minhas dificuldades pessoais. Num plano muito particular, nós temos
enfrentado uma dificuldade muito grande, mas nós temos superado esses
obstáculos, inclusive através do apoio de milhares de amigos, eleitores,
de pessoas que têm nos dado apoio nesses momentos tão difíceis. Essa
força, esse apoio que as pessoas têm nos oferecido, vem fazendo com que
a gente procure retribuir trabalhando muito, sem dar resposta a coisas
pequenas, a picuinhas, sem nos voltarmos para posições que alguns tomam,
de agressão, de injustiça. Eu não pretendo fazer do meu mandato uma
arma para polêmicas sem fundamento. Eu cuido do meu mandato com muita
seriedade e vou continuar assim, indo em frente, fazendo a minha caminhada
com muita seriedade, sem me envolver com determinadas situações,
geralmente provocadas por pessoas que querem crescer batendo em mim,
achando que podem aproveitar esse momento pessoal de dificuldade que
passamos para fazer algumas agressões. Mas eu não vou me envolver com
isso. O meu mandato é uma coisa muito séria. Eu agradeço muito ao povo
por ter me dado esse mandato e eu tenho que retribuir com muito trabalho.
E é isso que eu tenho feito.
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