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Cidade de Mossoró - 131
anos
Na próxima
sexta-feira, 9 de novembro de 2001, Mossoró completa 131 anos como
cidade. É uma data pouco lembrada pelo povo e pelo poder público, sem
desfiles, sem carros alegóricos, sem nenhuma comemoração; mas foi
nessa data que a vila fora elevada ao predicamento de cidade, título
máximo do crescimento político da época. E já se vão 131 anos.
No início, era apenas
a Fazenda Santa Luzia, que pertencia, antes de 1739, ao Capitão
Teodorico da Rocha. Por volta de 1770, a posse da Fazenda estava com o
português Antônio de Souza Machado, e foi por essa época que a
fixação demográfica foi iniciada pela criação de gado, oficina de
carnes e extração do sal. A 5 de agosto de 1772, a Provisão das
Dignidades do Cabido de Olinda concede a Antônio de Souza Machado,
Sargento-Mor da ribeira do Mossoró e sua mulher Rosa Fernandes,
autorização para construir uma capela na fazenda Santa Luzia, de sua
propriedade, em cumprimento de promessa feita por sua intercessão. E a
capela foi construída com os cruzados do Sargento-Mor e o auxílio dos
devotos circunvizinhos, sendo o primeiro ato litúrgico celebrado em 25
de janeiro de 1773, quando foi batizada uma criança do sexo feminino,
cerimônia essa oficiado pelo padre José dos Santos da Costa. A capela
permaneceu sobre as ordens da freguesia de Apodi por 70 anos. Em 13 de
julho de 1801 dona Rosa Fernandes, viúva do Sargento-Mor Antônio de
Souza Machado, faz doação do patrimônio da Capela de Santa Luzia.
Muitos foram os
movimentos para tornar a Capela de Santa Luzia em Matriz. Mas,
finalmente, no dia 27 de outubro de 1842, através da Resolução 87,
Mossoró passa a possuir a sua igreja Matriz, desvinculando-se da cidade
de Apodi e assumindo a posição de freguesia. A autonomia religiosa era
o primeiro passo para a autonomia política que daria ao povoado a
condição de responder sobre as suas ações pela instalação dos
poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Uma série de
acontecimentos vieram culminar com a sua autonomia política. Em 13 de
fevereiro de 1852 foi lida na Assembléia Provincial uma representação
dos habitantes da freguesia de Santa Luzia do Mossoró, pedindo que se
elevasse a povoação à categoria de vila e município. A lei n. 246 de
15 de março de 1852 elevou o povoado à categoria de vila, como o
título de Vila de Santa Luzia de Mossoró. Em 9 de novembro de 1870,
graças a um projeto do Vigário Antônio Joaquim Rodrigues, então
Deputado Provincial, a Lei n. 620 do mesmo ano, conferiu-lhe as honras
de cidade, com a denominação de cidade de Mossoró.
Quanto ao topônimo
Mossoró, existem algumas correntes divergentes: Para o historiador
Luís da Câmara Cascudo, Mossoró provém dos cariris Monxorós ou
Mossorós. Para Antônio Soares, Mossoró é corrutela de mô-çoroc,
vocábulo indígena que significa fazer roturas, o que rasga, rompe ou
abre fendas. "Aplica-se bem ao rio Mossoró, que rasgou ou rompeu a
terra marginal em diversos pontos, formando camboas". Antônio
Soares cita Miliet de Saint Adolfhe para quem o nome teria vindo de uns
índios aldeados nas proximidades da foz do Apodi, que seriam os Macarus
(ou Maçarus). Cita ainda Saldanhas Marinho, para quem
"Mossoró" era corrutela de mororó, árvore muito flexível,
resistente e vulgar no norte. Quem tem razão não sabemos. Sabemos sim
que Mossoró ficou sendo desde 9 de novembro de 1870.
Ao longo dos anos, Mossoró tem sido
palco de grandes manifestações populares, como a Libertação dos
Escravos em 30 de setembro de 1883, cinco anos antes da famosa "Lei
Áurea", o movimento que ficou conhecido como "A Revolta das
Mulheres", movimento popular contra a obrigatoriedade do
alistamento militar e a defesa da cidade contra o ataque dos cangaceiros
chefiados pelo lendário "Lampião" a 13 de junho de 1927.
Não devemos esquecer também da grande conquista alcançada pela
professora Celina Guimarães Viana, quando conseguiu na Justiça o
direito de ser a primeira mulher a exercer o direito do voto na América
Latina. E todas essas manifestações foram registradas pelo jornal O
Mossoroense, que desde 17 de outubro de 1872 vem servindo de
testemunha ocular da história de Mossoró.
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