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A casa antiga
Ontem
revi a casa de minha infância. Pelo menos o local onde ficava na tão
conhecida e longa Alberto Maranhão, número 3521, bairro Bom Jardim, ali
nas imediações do colégio Dix-sept Rosado. Nada mais encontrei do
humilde lar dos meus anos verdes. Também não estava lá o magestoso
flanboiant que dava sombra às minhas folgas de menino. Hoje no local
funciona um centro místico de uma tal "irmã" não lembro o
quê. Uma saudade enorme adentrou meu coração, o vento murmurou nos meus
ouvidos e uma tristeza fininha arranhou a janela dos meus olhos. Ali
passei dias felizes, apesar da infância de poucos brinquedos e da vidinha
aperreada que a gente vivia. Recordei as tardes em que minha mãe me dava
banho e me colocava sentatado numa cadeira sobre a calçada, com o
pescoço cheio de talco e o cabelo repartidinho de lado, todo lustroso do
óleo de coco.
Daí a pouco passava o vendedor de
algodão-doce e coloria o meu olhar com aquele arco-íres de açúcar
plastificado. Depois, já menino de pés alados, eu voava sobre a poeira
daquelas tardes esportivas, no sonoro e concorrido futebol da rua, agora
sepulto sob o concreto dos anos e o luto do asfalto. Mas, preso ao portão
do agora centro místico, um grande cartaz me prometia revelar alguma
coisa sobre meu futuro... A mim que naquele instante queria somente
reencontrar um pouco do meu passado.
Em breve, Gilson Cardoso,
uma das vozes de maior carisma na radiofonia do Estado, estará integrando
a equipe de comunicadores da FM Resistência. Durante cinco anos, Gilson
ocupou os microfones da Rádio Difusora de Mossoró. Seu programa na FM
93,7 deverá também ser apresentado no período matinal. Seja bem-vindo,
amigo. A partir das 9h de hoje, dentro do projeto Oficina Criativa de
Arte, coordenado pelo Departamento de Cultura de Grossos, acontece a
abertura do Clube Amigos da Poesia, quando estarão presentes membros dos
grupos Poema e Camelagem Cultural, de Mossoró. O poeta e jornalista
Cid Augusto está cuidando para lançar nos próximos dias mais um livro
de poemas. A obra, que recebe o título de "Estados do Verso",
traz prefácio deste catador de palavras e "orelhas" escritas
pelo poeta Caio César Muniz, presidente vitalício da Poema.
Prêmio Vingt-un
Encerraram-se na última
terça-feira, dia 30 de outubro, as inscrições para a primeira edição
do "Prêmio Professor Vingt-un Rosado de Poesia". Mas ficou
evidente ao longo desse período de inscrições a falta de habilidade dos
organizadores para lidar com um concurso literário do nível sugerido
pela prefeitura de Mossoró. Pelo menos até as 16 horas da tarde do
último dia de inscrições, os candidatos que foram à Gerência
Executiva de Educação e do Desporto entregar suas poesias encontraram
fechada a sala do referido órgão, o que pode ter prejudicado o número
de inscritos.
Despreparo
O regulamento apresentado pela Secretaria
da Cidadania é também um exemplo do despreparo da organização do
prêmio, que, entre outras falhas, não dá nenhuma informação sobre
quando serão divulgados os resultados, embora avise que os candidatos
têm sessenta dias para reaverem seus originais após a escolha dos
ganhadores. Um concurso que leva um nome tão importante de nossa cultura
não pode ser realizado com tanto amadorismo e economia de esforços.
Esperamos que detalhes como esses possam ser corrigidos numa próxima
edição do prêmio. Mirem-se no exemplo da pequenina Piracicaba, no
Estado paulista.

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A flor da pele
Recém-publicado pela
Coleção Mossoroense e Fundação Vingt-un Rosado, este primeiro livro de
versos da poeta Silvana Alves vem ocupar o espaço Autores e Obras de
hoje. Com 85 páginas e pouco mais de sessenta poemas, "À Flor da
Pele", título que representa bem o nível de passionalidade da
autora, reúne versos que falam sem pudores e arrodeios de um coração
por completo amante.
Silvana Alves da Costa,
que também já publicou "Os Últimos Dias de Monsenhor Humberto
Bruening" e "O Sonho de Iolanda, ambos editados pela Coleção
Mossoroense, é uma das mais participativas integrantes dos grupos
Camelagem Cultural e POEMA - Poetas e Prosadores de Mossoró.
"Quem conhece
Silvana, sabe que ela exprime o mais belo dos seus sentimentos, e este
livro mostra isso", diz o poeta e produtor cultural Gualter Alencar,
que escreveu a apresentação dos versos... Neste "À Flor da Pele,
Silvana não faz arrodeios, fala de amor numa liguagem inteiramente
despida de sutilezas e conceitos literários, sem ater-se a retraimentos e
pudores.
"Conheci a poetisa
Silvana Alves num desses recitais que participei na cidade. E logo me
chamou a atenção o seu entusiasmo pela vida e pelo mundo, o seu afeto
pelas pessoas, a energia e o brilho de seu espírito sempre jovem e
radiante. Seus versos são um documento de sua capacidade de amar e de
ensinar o exercício do bem-querer", expressa o poeta e amigo Ricarte
Balbino, que fez a digitação dos originais.
Para Silvana, a poesia é
um caminho que leva ao encontro de si mesma, onde ela se sente em
constante exercício de redescobrimento interior. "A poesia é a
coisa mais concreta de minha vida, é o meu licor mais fino. Com ela, eu
aprendi a sorrir e a chorar melhor, a ter mais força e dignidade ao longo
deste caminho da vida, e hoje convivo muito melhor comigo mesma.
SERVIÇO:
"À Flor da Pele" será
lançado na próxima quarta-feira, dia 12 de novembro, a partir das 20
horas, nas dependências da Estação das Artes Eliseu Ventania.
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