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CONTINUANDO NA SEGUNDA
FASE DO CINEMA BRASILEIRO
Prosseguindo com o
conteúdo abordado anteriormente, destacaremos outros fatos que marcaram a
segunda fase do cinema nacional.
Ainda na década de 20,
destaca-se o gênero melodrama, resultado da ascensão do cinema
dinamarquês, italiano e americano que consagraram este tipo de filme. Com
o advento da I Guerra Mundial, o cinema nacional utilizou para seus
roteiros clássicos literários.
Só o Guarani, de José
de Alencar, foi adaptado três vezes no espaço de dez anos. Nesse
cenário, nomes como Luiz de Barros e Vittorio Capellaro mereceram
destaque.
O primeiro teve uma
carreira longa, indo de 1914 até 1977, trazendo para o cinema nacional
mudanças na área técnica e artística, influenciando na produção dos
nossos filmes.
Barros funda a produtora
Guanabara Filmes, de linha ousada e prolífica, alcançando a marca de dez
produções em nove anos de atividade, levando o seu proprietário a ser o
produtor mais respeitado e importante do país.
Embora tenha exercitado
em vários gêneros, entre eles a comédia, com A Capital Federal, de
1922, e a aventura, com Hei de Vencer, de 1923, estrelado por ninguém
menos do que a aviadora Anésia Pinheiro Machado, foi com o melodrama que
alcançou os seus maiores sucessos.
Continuando no universo
do José de Alencar, adaptou A Viuvinha, Iracema e Ubirajara. Obteve pleno
êxito com Perdida, adaptação da peça homônima de Oscar Lopes,
estrelada pelo maior ator de teatro da época, Leopoldo Fróes.
O segundo, Capellaro, de
nacionalidade italiana, estabeleceu-se em definitivo no Brasil em 1915,
iniciando uma trajetória marcada pela fidelidade ao universo da
literatura nacional.
Ele tinha origem teatral
e fora integrante de várias companhias italianas, excursionando pela
Europa e América Latina.
Ao perceber que os
títulos nacionais eram bastante escassos, decidiu ingressar na
produção, amparado por sua experiência na Itália. Mesmo de origem
européia, Capellaro, investe em temas genuinamente nacionais, escolhendo
para tanto grandes títulos da literatura brasileira.
Filmou a primeira versão
de Inocência, do Visconde de Taunay, em 1915, abordando em seguida os
romances Iracema, O Mulato, O Garimpeiro e O Guarani.
Com este filme, obteve em
1926, um dos maiores êxitos de bilheteria do período mudo brasileiro,
atingindo as cifras da ordem de quatrocentos contos de réis, um grande
lucro, visto que um grande filme alcançava em torno de cem contos de
réis.
Em sua forma mais
visível, o nacionalismo sustentou um conjunto de filmes de caráter
patriótico, ora abordando diretamente o contexto da guerra e seus
reflexos no país, ora resgatando episódios históricos marcantes.
O conflito em si aparecia
diretamente em Le film du Diable, tratava da ação da espionagem alemã
em território brasileiro. O diabo defendia os interesses germânicos e
tinha que se confrontar com a inocência da heroína, interpretada pela
Miss Ray.
O filme, de 1915,
apresentava o primeiro nu feminino do cinema nacional. Embora a Itália
também estivesse envolvida na guerra, os cineastas italianos radicados no
país preferiram exaltar os grandes feitos da historia brasileira.
Filmes como O Grito do
Ipiranga e Os Heróis Brasileiros na Guerra do Paraguai foram as grandes
vedetes deste período histórico.
A campanha para o
alistamento militar obrigatório, liderada pelo poeta Olavo Bilac, que
inclusive prestou seu concurso para a realização de Pátria Brasileira,
dirigido por Guelfo Andalò em 1917, foi outro grande filão, explorado
pelos cineastas.
Em nosso próximo encontro, continuaremos
ainda na segunda fase do cinema brasileiro. Estaremos esperando por você.
Até lá.
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