|
Sempre
JOMAR RÊGO
O príncipe dos poetas mossoroenses
Eu sou um brasileiro que proclamo,
Pelos quatro horizontes, o gentil
Nome da pátria terra, que muito amo,
- O nome sacrossanto do Brasil!
Sempre! E, por mais que o apátrida viril
Lance-lhe, revoltado, o mau reclamo!
Sempre! Posto o Traidor cobarde e vil
Ultraje-o, e mais insulte-o, mais o aclamo!
Que, esta é minha intocável Pátria!
Mal
Haja o que imprecações lhe corvejar,
Os olhos dardejando fúria intensa!
Sempre! Sempre haverei amor leal,
No Altar do Coração, para outorgar,
Sempre, à minha doce Pátria, ímpar, imensa!!!
Adolescência tardia
AUGUSTO FLORIANO
Autodidata
Estou em fase de autodescoberta,
naquilo o que chamam adolescência tardia,
com direito a calos na mão do prazer
e espinhas inflamadas disputando espaço
com os fios brancos da barba.
Agora, quando sinto tesão,
agarro o membro número dois da Faber-Castell,
mecho pr’aqui,
sáculo pr’acolá,
fecho, reviro, abro os olhos,
grito, suspiro, gemo,
ai ui uuuuuuiiiiiiiiii ai
aiiiiiiiii ui ui aiiiiiiiiiiii
vemvemvaiaivaivaiiii
ui veeeeemmmvaiii ai
não sim sim não não
Não! Não! Nãããããão!
Sim! Siiiiiiiiimmm!
Ufa! um cigarro, por favor,
Acabo de ejacular um poema concreto.
Acróstico
AIRTON CILON
Sócio da Poema – Poetas e Prosadores de Mossoró
Sei dos teus caminhos, já
Usei de tuas curvas,
Embrenhei-me no teu mundo, vagabundo me perdi.
Li, reli o teu mapa: leste, oeste, norte... Onde
Irei? Sou mais sul, Sueli.
Despedida
JOSÉ LUIZ
Advogado
Risos, beijos, abraços, mãos se
abrindo...
Era assim nosso amor quando morreu.
A fusão de dois sonhos, reunindo,
Em um só coração você e eu...
Construímos pra nós um mundo à parte,
E, desde então, o amargo se fez doce...
Nosso mundo abstrato era perfeito,
Por mais duro e cruel que o real fosse...
Nos felizes e prolongados dias
Que estivemos os dois de mãos unidas,
Tinham muito mais luz as madrugadas,
Tinham muito mais cor as margaridas...
Tudo tinha um sentido direferente,
E nosso amor era belo, exatamente,
Porque dava sentido às nossas vidas!
Quando vezes você chorou-me a ida
Sem poder murmurar-me seus segredos,
Quantas noites chorei, sentindo a falta,
Da carícia do toque dos seus dedos...
Sem que um pouco de alento achasse em nada!
Tal e qual a criança amargurada
Que a madrasta separa dos brinquedos...
Quantas horas felizes, quantas chances,
Por motivos banais desperdiçamos.
A saudade estará em cada curva
Das estradas opostas que nós vamos...
Um consolo, porém, resta pra gente:
De que a nossa paixão, infelizmente,
Não deu certo, acabou, mas nós tentamos...
Vingança
HUMBERTO PESSOA
Funcionário público
Procuro o primeiro indício de
tua presença, mas a noite é infértil
como o ventre de um cinzeiro —
nenhuma fênix de sorriso adunco
apareceu entre a fumaça tonta do
cigarro. Somente um galo insone
me desafia no quintal. Por isso,
amanhã teremos canja de galinha
no jantar, e o galo será convidado.
Sorrisos falsos
CAIO CÉSAR MUNIZ
Presidente da Poema – Poetas e Prosadores de Mossoró
Foi nos passos lentos
Da minha solidão
Que enclausurei
Meus poucos sorrisos.
Não que eu seja triste,
Mas desaprendi a sorrir
De verdade.
Hoje, eu preciso
Dalgum esboço
Daquele mesmo sorriso,
Mas onde está?
Não o encontro mais.
Ah, maldita solidão!
Abraço
PAULO LINHARES
Advogado
A ansiedade do mundo
No brilho dos seus olhos
Que me buscavam
Na multidão sem rosto.
Travou-se um diálogo mudo
No mágico encontro
De tensos olhares dissimulados
E quase tudo foi dito...
Sem uma palavra sequer
Sem gesto outro maior
Que o segredo nosso
Pudesse revelar
À maledicência
De pessoas tantas.
Somente olhos
Se encontrando
Num desesperado
E sôfrego abraçar...
Cicatrizes
FRANCISCO NOLASCO
Sócio da Poema — Poetas e Prosadores de Mossoró
O nosso passado
foi destruído pelo tempo.
As lembranças morreram
pouco a pouco no espaço.
Os homens se perderam nas trevas.
As bombas destruíram
os grandes centros.
Roubaram nossos direitos,
pisaram nossas flores,
picharam nosso rosto,
podaram nossa voz,
mataram nossos desejos.
Hoje, somos lembranças mortas,
palhaços sem circo, casas
enegrecidas, pedaços de ilusão.
Só nos restaram cicatrizes no coração.
Liberdade
LINDOMARCOS VIEIRA
Aluno da 5ª série matutino da Escola Margarida Maria de Sousa
Para mim, liberdade é ser livre,
livre como um pássaro voando
num lindo pôr-do-sol.
Eu sou um pássaro voando lá no céu.
Quando eu morrer, serei aquele
pássaro voando no alto...
Quando você quiser lembrar de mim,
é só abrir a janela do seu quarto,
que eu estarei lá, voando.
Quando eu encontrei você,
eu encontrei a liberdade de ser feliz.
Isso sim é que é liberdade.
|