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Empresas
padecem por falta de transporte de cargas
CRISTIANO
ROJAS Da redação
Com
mais de 250 clientes ativos em todo o Brasil,
Edcarlos Alves Oliveira revela que de uns
tempos para cá tem encontrado dificuldade
em atender a demanda de pedidos que chegam
de toda parte.
“O que
está acontecendo é que falta transportadora
para enviar mercadorias. Enquanto os políticos
estão envolvidos com outras coisas, esquecem
a parte da indústria, que é muito importante”,
diz o empresário.
O aparente
fluxo intenso de veículos de cargas que
circula diariamente por Mossoró tem escondido
um problema que vem afetando empresas de
pequeno e médio porte – e até segmentos
inteiros.
DIFICULDADES
- Nos últimos dois anos muitas transportadoras
fecharam as portas em Mossoró, alegando
entre outros motivos elevados custos com
manutenção e combustível. Outras passaram
a atender apenas um único destino.
“A Itapemirim
fechou a agência de Mossoró. A São Geral
também. A Zé Agostinho só faz agora São
Paulo e outras empresas, como a Trans Econ
só faz São Paulo e Rio de Janeiro. E o resto
do Brasil? Como a gente vai atender os clientes
do resto país?”, revela.
A única
transportadora que atende a Região Nordeste
é a Guanabara, que tem coberto os estados
do Pará, Maranhão e Pernambuco. Por conta
da dificuldade em atender o empresário já
cogita a ida para o vizinho estado do Ceará.
“Por falta
de transportadora Estou me sentindo prejudicado
e se não tomarem providências eu levo minha
firma para Fortaleza. O que a gente envia
para fora o dinheiro volta para a cidade”,
declara Edcarlos Oliveira.
A falta
de veículos de cargas tem comprometido empresas
e setores da economia potiguar, que encontram
dificuldades em atender o mercado interno
brasileiro, inclusive o próprio Nordeste.
No entanto
o problema de transporte de mercadorias
ainda não atingiu as grandes empresas locais,
que possuem contratos fixos com empresas
de transporte de mercadorias que atendem
as diversas regiões brasileiras.
Redispacho
virou saída para empresas
Para não
perder a clientela espalha por todo país
as empresas passaram a enviar as encomendas
através do chamado redispacho. Pagam a transportadora
para levar a mercadoria até Natal ou até
Fortaleza, para de lá embarcar em outra
transportadora.
O redispacho
encarece bastante os custos da firma e a
mercadoria às vezes chega até quebrada,
danificada, com avaria. Muitas vezes até
chegar ao destino final tem passado por
várias transportadoras e de mão-em-mão.
CALVÁRIO
– “Existem transportadoras grandes em Natal,
mas que não possuem filial em Mossoró”,
diz a micro empresário Manoel Bezerra de
Moura, que vive um verdadeiro calvário para
ter sua mercadoria entregue.
Dono de
uma pequena fábrica de confecção ele conta
que a Transportadora pega a carga em Mossoró
leva para Natal, onde embarca em outra transportadora
com destino a São Paulo.
“Quando
os clientes fazem os pedidos das mercadorias,
os produtos passam mais de semana para a
mercadoria sair daqui, por que não tem como
mandar e muitas vezes quando chega na transportadora
e o carro somente sai quando lota”, reclama.
Setor
salineiro é um dos mais atingidos
Atualmente
um dos piores problemas enfrentados pela
indústria salineira potiguar diz respeito
a falta de frete para escoar a produção
para o restante do país, segundo o Sindicato
dos Moageiros e Refinadores de Sal do Rio
Grande do Norte (SIMORSAL).
Uma das
razões tem sido o baixo valor pago pelo
frete, o que tem feito com que os caminhoneiros
não queiram vir para o Nordeste, e em particular
para Mossoró, para retornar com o sal.
“O preço
do frete baixo na região Nordeste tem inviabilizado
a presença de caminhoneiros dificultando
o embarque de nossas cargas”, comenta Renato
Fernandes, presidente da Simorsal.
SAZONALIDADE
– Segundo ele a questão do frete é sazonal.
Quando há uma super safra no sul do país,
como a de soja, os caminhões escasseiam
aqui. Quando o caminhão diminui a presença
em Mossoró o frete vai lá pra cima.
“Nós estamos
exatamente começando a enfrentar problemas
nesse sentido, com dificuldade de arranjarmos
caminhões”, diz Fernandes, ressaltando que
tem acatado as encomendas mas não tem como
assegurar o frete.
“Temos
dialogado constantemente com os nossos clientes,
repassando para eles a realidade de que
esta a nossa região, com relação a caminhões
e transportadoras, inclusive até mesmo pela
majoração do combustível recentemente”.
“Nós temos
sentido que houve uma redução nesse fluxo
de transporte, o que é preocupante, por
que significa uma queda na mão-de-obra,
de empregos”, completa Fernandes.
O empresário
calcula que atualmente circulem pelo Pólo
Salineiro, que engloba não só Mossoró mais
também Grossos, Areia Branca, Macau e Guamaré
diariamente aproximadamente 250 carretas
por dia, quando o número já chegou a 350-400.
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