Impostos e responsabilidade pública

O governo federal reafirmou o propósito de aumentar a tarifa de energia elétrica acima de 30% dos custos atuais. Simplesmente ratifica que na política econômica os caminhos neoliberais do seu antecessor terão prosseguimento num governo que foi eleito para promover mudanças. Fosse para continuar a linha política de Fernando Henrique Cardoso, teria escolhido José Serra para presidente da República. Afinal de contas, tem um passado de lutas e de compromissos mais progressistas que a maioria do governo do qual fez parte.

A grande dificuldade para o cidadão brasileiro é que ele será penalizado duas vezes. Além desse aumento, a grande maioria dos prefeitos, com o beneplácito dos senhores vereadores, criou a CIP, autorizado por Medida Provisória, e ressuscitando a antiga Taxa de Iluminação Pública, somente substituindo a Taxa por Contribuição. Isso vai significar que o cidadão mossoroense estará pagando em torno de 40% acima do preço atual da sua energia elétrica E esse custo estará também atingindo a indústria e o comércio o que, em outras palavras, acarretará aumento de preços ao consumidor.

Para os correligionários dos prefeitos, inclusive em Mossoró, a cobrança dessa CIP é fundamental para que se possa cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Os governantes têm que encontrar os caminhos para executar os respectivos orçamentos. A criação de taxas, contribuições ou que nome venha a receber, significa simplesmente transferir ao contribuinte a responsabilidade pelos gastos públicos. Recentemente, um prefeito da grande Natal afirmou que, com a CIP seria possível iluminar as praias.

Chegou a hora do novo governo, com a popularidade do mandato que lhe foi conferido, fazer a reforma tributária, determinando responsabilidades, mas, também, aliviando os caixas estaduais e municipais. Não é possível o contribuinte continuar sendo penalizado com a criação permanente de novos impostos. Depois do IPTU, cobrado de maneira aleatória, chegou a Contribuição para a Iluminação Pública e já se fala, imaginem só, da possibilidade da criação da CCL, Contribuição para Coleta do Lixo. Assim também já é demais.

 

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Mossoró-RN, quinta-feira, 9 de janeiro de 2003