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Bob
Fernandes
Conheci
Bob Fernandes em Mossoró. Telefonou-me para
comunicar da sua tarefa em fazer uma reportagem
sobre a família Rosado e sua história política.
Figura simpática, comunicativa, acompanhou
até o trabalho do seu fotógrafo, na tomada
das imagens, da família ou da cidade. Retornou
de sua viagem, mas estabeleceu uma amizade
com o jornalista Cid Augusto com quem, até
hoje, vez por outra, troca informações telefônicas
e envia seus artigos publicados na Carta
Capital.
Lembrei-me
do assunto porque, lendo o último livro
de Ricardo Noblat, A Arte de Fazer um Jornal
Diário, ele se refere a Bob como sendo um
dos melhores repórteres do Brasil. E recordei
a insistência com que ele tentou entrevistar
o então prefeito. A visita chegou a ser
marcada, mas, na hora exata, foi cancelada.
Não havia interesse em participar de matéria
em que outros familiares, seus adversários,
seriam citados.
Preocupado,
Bob explicou que a reportagem não teria
sentido, sem a participação do prefeito.
E pediu-me para falar sobre Dix-huit. Prontifiquei-me
em atendê-lo, mas fiz a advertência; sendo
adversário eventual, falaria somente
sobre os pontos positivos que conhecia,
como suas realizações em Mossoró, no Estado
e, até no país, quando foi presidente do
Inda. Bob concordou e falei sobre aquilo
de bom que conhecia de Dix-huit Rosado.
A matéria
sobre os Rosado saiu perfeita. Publicada
em revista de circulação nacional, ainda
hoje amigos me perguntam sobre alguns detalhes
que deixaram de ser publicados. Bob Fernandes,
entretanto, sofreu uma represália. Um filho
do prefeito entrou com ação na Justiça,
por haver sido publicada matéria sobre seu
pai sem que ele tivesse sido consultado.
Bob liga para mim estranhando e dizendo
que, pela primeira vez, seria processado
por publicar notícias favoráveis a uma pessoa.
Claro que não foi processado. A Justiça
julgou improcedente e determinou o arquivamento
do processo que, até hoje, encontra-se nas
gavetas do fórum municipal.
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