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Contribuinte penalizado

O Brasil inteiro assiste à discussão com o aceno gratificante por parte do governo Lula de que dessa vez teremos as reformas necessárias aos ajustes sociais de que o país necessita. No meio delas, claro, a Reforma Tributária. Esta é uma realidade incontestável no Brasil de hoje que precisa ser modificada até mesmo em nome de mais justiça social. Para se ter uma idéia, a nossa máquina arrecadadora de impostos tem demonstrado eficiência tal que somos detentores de posicionamento invejável dentre os países arrecadadores ficando atrás de Suécia e Alemanha, mas péssimos prestadores de serviços sociais de qualidade só existentes em nações ricas.

Para que o cidadão comum possa se situar justo é reconhecer que no ano passado o ano fiscal gerou uma receita de 476,57 bilhões de reais em termos de impostos federais, estaduais e municipais com um esforço de arrecadação histórico que gerou uma carga tributária da ordem de 36,45 por cento do Produto Interno Bruto. Ou seja, isso significa dizer que de cada 100 reais produzidos na economia, o poder público ficou com uma fatia pouco superior a um terço, ou 36 reais e 45 centavos. E, como essa máquina arrecadadora eficiente não é proporcional à devolução em forma de serviços à sociedade, essa é mais uma constatação de que necessitamos urgentemente de uma reforma tributária que reduza os encargos fiscais atribuídos compulsoriamente aos cidadãos e cidadãs brasileiros.

O governo não executa uma política de geração de riquezas, preferindo o caminho mais fácil da tributação incidente sobre a renda, o lucro, a circulação de mercadorias e os serviços. Vê-se que há uma pesadíssima carga tributária no Brasil que inibe os investimentos.

Cada segmento tem a sua proposta para a modificação do sistema arrecadador brasileiro. É mais do que salutar que todos sejam ouvidos na hora da propalada reforma tributária. Os empresários, por exemplo, querem a redução da imposição fiscal a fim de tornar as suas empresas mais competitivas e formar o bloco econômico do Mercosul que exige o alinhamento tributário com os demais países integrantes. E por aí a coisa vai.

Portanto, dentre outras, a reforma tributária se situa entre as prioridades nacionais. Os nossos homens públicos haverão de encontrar os caminhos que compatibilizem receitas e despesas públicas com as exigências do desenvolvimento nacional.

 

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Mossoró-RN, domingo, 9 de fevereiro de 2003