Direito do consumidor

Combustíveis adulterados, um problema
cada vez mais constante

No ano passado, a gasolina ficou em torno de 21,6% mais cara para o consumidor, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Enquanto o preço sobe, a adulteração do combustível é um problema que persiste no cotidiano dos brasileiros. O produto irregular pode causar diversos danos ao veículo, como perda da potência do motor, queda no rendimento do carro e corrosão de peças. O surgimento desses problemas, no entanto, depende das substâncias utilizadas na mistura e da tecnologia e modelo do veículo.

Vários são os compostos químicos que entram em cena para a adulteração da gasolina. Entre eles, o principal é o álcool que aparece numa porcentagem significativa, respondendo por 20% das não-conformidades de acordo com os critérios da lei, segundo dados de outubro de 2002 da ANP, responsável por um programa de fiscalização e monitoramento da qualidade dos combustíveis em território nacional.

A lei em questão é a portaria n° 248, de 31 de outubro de 2000, da ANP. A portaria estabelece as regras e os parâmetros para todos os compostos de petróleo no Brasil, incluindo o álcool e o óleo diesel, além da gasolina. Apesar de o governo possuir um programa de qualidade, a adulteração ainda ocorre em larga escala no País. O consumo de gasolina, por exemplo, é de 22 bilhões de litros por ano e, conforme o boletim de dezembro da agência, 6% apresentaram adulterações. No ano passado, a ANP efetuou 22.290 fiscalizações, que resultaram em 9.632 autuações e 1.246 interdições de postos, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Do total de autuações, 1.961 ocorreram por conta da adulteração.

As fraudes trazem prejuízos incalculáveis aos cofres públicos – uma vez que esse tipo de ação visa a sonegação de impostos – e aos consumidores. Estes encontram, ainda, dificuldades para a sua defesa, pois não é uma tarefa fácil provar que um problema mecânico no veículo é proveniente de gasolina adulterada.

DEFESA - Se você suspeitar de alguma irregularidade ou não conseguir que o posto faça o teste da proveta, reclame para a ANP pelo 0800-900-267. Complicado provar que a gasolina adulterada provocou algum dano ao veículo. Primeiro, porque o consumidor muitas vezes costuma abastecer em postos diferentes e, mesmo que seja no mesmo estabelecimento, é preciso um comprovante de que o serviço foi prestado naquele posto. No entanto, se for constatado o problema, o motorista tem direito de exigir indenização por possíveis prejuízos causados ao carro.

Para isso, envie uma reclamação aos órgãos de defesa do consumidor, com cópia para a ANP (www.anp.gov.br). Em último caso, recorra à Justiça. Se o valor da restituição não ultrapassar 40 salários mínimos, você pode procurar o Juizado Especial Cível.

ALGUNS CUIDADOS PARA EVITAR ABORRECIMENTOS:

1) Procure sempre abastecer no mesmo posto e evite os de bandeira branca, que não são vinculados a grandes distribuidores;

2) Exija nota fiscal. Assim, fica mais fácil provar caso você seja vítima de gasolina adulterada, uma vez que será possível reconhecer a origem do combustível em seu tanque;

3) Faça manutenções periódicas do automóvel, pois fica mais fácil detectar problemas relacionados ao uso de gasolina adulterada;

4) No momento do abastecimento, caso desconfie, exija que o posto faça o teste da proveta. Apesar de demorar um pouco, é uma precaução contra fraudes;

5) As grandes distribuidoras possuem programas de controle de qualidade para evitar fraudes nos seus produtos. Apesar de serem um indicativo de qualidade na hora de escolher um posto, os programas de marcação de combustíveis das empresas não evitam a ação de fraudadores. Procure por selos de qualidade concedidos por laboratórios idôneos, como o Falcão Bauer e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

6) A legislação da agência também estabelece uma série de obrigações que devem ser cumpridas pelos postos. Entre elas, os estabelecimentos devem informar os preços dos combustíveis em letreiros de fácil visualização, inclusive para os motoristas que estão circulando na rua, evitando que eles precisem entrar nos postos para saber o valor.

7) Devem, ainda, informar se o produto é aditivado ou comum em cada bomba de abastecimento. 8) O fato de que preços baixos podem ser um forte indicativo de adulteração ainda enfrenta polêmica.

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Mossoró-RN, domingo, 9 de março de 2003