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Ana Paula Padrão

Mudança de prioridade

A notícia da saída de Ana Paula Padrão da Globo para o SBT soou, para muitos, como um disparate. Afinal, a emissora de Silvio Santos nunca deu a devida importância ao jornalismo, apesar de já ter contado em seu “casting” com nomes como Boris Casoy, Lillian Witte Fibe e Marília Gabriela. Mas, para a jornalista, a mudança é uma espécie de “alforria”. Apesar do salário polpudo – especula-se que irá ganhar, por mês, R$ 250 mil contra os R$ 80 mil da Globo –, Ana Paula garante que o motivo da decisão foi essencialmente o horário de trabalho na Globo. De segunda a sexta, ela chegava na emissora às 15 h e, quase sempre, só saía às 2 h. No SBT, Ana Paula irá apresentar um telejornal diário, que entrará no ar entre 18:30 h e 21 h. “Vou ter uma vida normal, jantar em casa com o meu marido. Emprego, a gente consegue, mas vida pessoal de qualidade não”, justifica, cheia de convicção.

Enquanto Ana Paula está certa de que tomou a melhor decisão, a Globo ainda não digeriu a perda. Logo de início, recusou-se a receber a multa recisória de R$ 3,729 milhões, paga pelo SBT. Não restou à jornalista outra opção senão depositar o cheque na conta da emissora. A Globo afirma que vai entrar na justiça para que ela cumpra o contrato até o fim – junho de 2006 – , mas Ana Paula não parece lá muito preocupada com isso. No momento, desfruta de férias em Itacaré, na Bahia, e já pensa no novo projeto, previsto para estrear no final de julho. Por conta do horário, o telejornal terá um estilo diferente do que marcava o “Jornal da Globo”, que sempre faz um rescaldo dos assuntos do dia, com algum aprofundamento, e aborda temas áridos. “Teremos de informar bem, de maneira ampla, porque será o principal jornal da emissora”, argumenta Ana, que, além da bancada, assumirá também a função de editora chefe.

P – Quando começou a se sentir insatisfeita na Globo, você chegou a negociar uma solução com a emissora?

R – Exaustivamente. Já estava há cinco anos nesse horário e, há mais ou menos dois, falei que queria muito engravidar e, para isso, precisaria mudar a minha rotina lá dentro. O tempo foi passando e nada aconteceu. No final do ano passado, radicalizei a discussão. Fiz tratamentos para engravidar e os médicos me disseram que, com o ritmo de vida que levava, isso ficaria mais difícil. Convenhamos, é mesmo uma coisa antibiológica.

P – Alguma alternativa lhe foi oferecida?

R – O que me apresentaram não tinha a ver comigo, com o meu perfil. Não era nada na linha “hard news”. Não posso dizer o que me ofereceram porque tem gente fazendo o que eu recusei, seria indelicado da minha parte. Cheguei a propor para voltar a ser repórter, afinal, minha formação é essa, mas não quiseram. Fui desanimando...

P – O SBT a assedia desde 1996. Como decidiu que era esse o melhor momento para aceitar a proposta?

R – O Silvio me pegou numa fase em que eu estava muito infeliz. O momento casou. Além de tudo, a proposta é bacana e o horário, muito bom. Ainda não sei exatamente qual vai ser. Talvez eu acabe concorrendo com o “Jornal Nacional”, mas não vejo problema. É melhor que concorrer com novela.

P – O salário, estimado em quase três vezes mais, não pesou na decisão?

R – É claro que a parte financeira contou, mas já recusei várias outras propostas para ganhar mais quando estava satisfeita na Globo. Se não estivesse tão infeliz, jamais teria saído de lá. Afinal, a Globo é a emissora de maior prestígio do país.

P – O fato de o SBT não ter tradição em jornalismo – de profissionais conceituados, como o Boris Casoy e a Lillian Witte Fibe, não terem sido bem aproveitados – não trouxe receio?

R – Isso foi uma das primeiras coisas que eu argumentei com o Silvio e ele disse: “Então, vamos fazer um contrato que lhe dê todas as garantias”. São quatro anos de duração sem nenhum período fora do ar e já tenho orçamento definido para gastar com viagens e a contratação da minha própria equipe. Vai dar tudo certo.

 

 

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