MARCOS ARAÚJO
 

 

Obi-Wan ou Darth Vader? a quem representamos?

Para quem gosta de cinema e arte, está ocupando as telas de cinema em to do o Brasil o último filme de George Lucas, da trilogia "Guerra nas Estrelas". O primeiro deles, passado quando eu ainda era criança, mostrava a luta desenfreada entre o bem e o mal. Rememoro o meu temor e a minha repugnância ao personagem Darth Vader, que representava o mal. Colocado num figurino aterrador, uma vestimenta preta com capa e um elmo cobrindo a cabeça por inteiro, com pequenas frestas na região da boca, por onde emanava um som gutural, aquele personagem causava-me calafrios. O bem, por sua vez, era encarnado por um guerreiro Jedi chamado Obi-Wan Kenobi, que passava lições edificantes sobre a paciência, a justiça e a honestidade.

Estes personagens povoaram o meu imaginário infanto-juvenil chegando até a fase adulta, fazendo com que me interessasse pela cinematografia de George Lucas, sem nunca ter perdido o pavor e o medo de Darth Vader. Pois passado mais de vinte e sete anos daquele meu primeiro contato com os personagens, somente agora posso entender a temática de George Lucas, e concluir que aquele escabroso monstro e aquele bondoso guerreiro são na verdade conviventes inconscientes da nossa existência de seres humanos.

Em cada um de nós habita tanto um Obi-Wan como um Darth Vader. O primeiro é bondoso, amigo, paciente, justo, igualitário, "combate o bom combate"... O segundo não: é mal, ambicioso, cruel, perdulário, desumano, capaz de todas as atrocidades para crescer na vida. Quando um jovem assassina a facadas uma moça na cidade de Patu/RN apenas porque o namoro acabou, como aconteceu no último domingo, quem agiu foi o Darth Vader. Quando, ao contrário, este mesmo homem era capaz de auxiliar a família, sustentando os pais doentes, atuava o Obi-Wan.

Na nossa existência, existe espaço para os dois personagens. Convivem eles malmente lado a lado, envolvidos numa batalha desigual. Tomei este referencial alegórico como meu paradoxo atuacional de cidadão e de homem. Tenho que policiar-me para que o Darth Vader não vença o Obi-Wan. Convenhamos que é mais tentador ceder aos influxos da maldade sórdida: poder, prepotência, cobiça, dinheiro, fama... Nessas horas em que atropelo outras pessoas para atingir a esses fins, o Darth gargalha sombriamente com a mesma sonoridade gutural que sobressaltava a minha infância. Por outro lado, quando apercebo-me da minha pequenez de ser humano, e tomo consciência da divindade que me foi dada e transmitida por Deus, e com isto ajudo pessoas, exerço a caridade, sou companheiro, justo e amigo, o Obi-Wan do meu íntimo agradece. Nesse guerrear permanente, é nosso dever manter todo o incentivo para que o bem prevaleça sempre, e que o resultado da batalha possa conduzir o espírito acolhedor do bom guerreiro  às bem-aventuranças prometidas pelo Cristo no sermão da montanha. São essas as nossas primícias de terráqueos.

 

  

 

MARCOS ARAÚJO
EMAIL: marcos@juxtalegem.com.br

35, é advogado, professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
 

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