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PRESERVAR
A IMAGEM
Demorou,
mas aconteceu. O governo saiu da defensiva
e passou ao ataque.A reação nos partidos
aliados estava aumentando e chegou ao ponto
de todos defenderem a CPI dos Correios.
O mais interessante é que, a partir desse
instante, a oposição obstruiu a sessão da
Comissão de Constituição e Justiça, adiando
a instalação da tão solicitada CPMI. Uma
outra preocupação passou a incomodar, a
investigação das denúncias sobre o mensalão.
A demissão
de toda diretoria dos Correios e do Instituto
de Resseguros do Brasil teria obtido um
resultado mais positivo se adotada logo
no início da crise. Mesmo assim, teve boa
repercussão. A inauguração do Fórum Global
sobre a Corrupção, com a participação de
outros países, poderia ter sido um momento
constrangedor. Lula teve coragem suficiente
de abordar o tema local e terminou aplaudido
pelos presentes.
Por conta
desse episódio, cresceu a idéia de que a
reforma política não pode mais demorar.
Fernando Henrique não teve forças para realizá-la.
Lula demorou a assumir essa bandeira. Hoje,
todos concordam com essa necessidade. Entre
as providências, além das exigências partidárias,
haveria a diminuição dos cargos comissionados,
as emendas ao orçamento passariam de autorizativas
para obrigatórias e a instituição do financiamento
público das campanhas.
Coube ao
deputado Roberto Jefferson detonar a bomba
que mexeu com todos os setores da vida pública.
Ele mesmo está consciente que o seu mandato
de deputado federal está com os dias contados.
Suas declarações da existência de um mensalão
será alvo de investigações, defendida pelos
próprios parlamentares que não querem seus
nomes envolvidos nessas falcatruas. Pelas
suas informações, cerca de 20% dos deputados
estão comprometidos com esse jogo.
Para
os petistas, Lula não rouba nem deixará
roubar. Determinou uma rigorosa apuração
dos fatos e punirá todos os culpados. As
declarações de Jefferson diminuem a autoridade
da CPMI. Por outro lado, é preciso esclarecer
melhor os casos Waldomiro Diniz e do tesoureiro
do partido, Delúbio Soares. É preciso preservar
a imagem do presidente que, apesar dos incidentes,
ainda é apontado como presidente reeleito
nas próximas eleições.
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