|
O
sal para o Rio Grande do Norte
Estado
do Rio Grande do Norte é considerado uma
ótima localização para a implantação de
companhias salineiras. Na realidade, com
uma produção de sal de 4,8 milhões de toneladas
numa área de produção em torno de 40.000
ha, a indústria salineira tem um importante
papel econômico no Estado, sendo o Rio Grande
do Norte responsável por mais de 95% da
produção salineira brasileira.
O sal foi
um dos primeiros produtos a ser explorado
comercialmente no Rio Grande do Norte. A
exploração normal e extensiva das
salinas de Mossoró, litoral de Areia Branca,
Assu e Macau data de 1802. Mas
o conhecimento de jazidas espontâneas na
região já era conhecida desde o início da
colonização.
A primeira
referência que se tem sobre sal no Rio Grande
do Norte encontra-se registrado no documento
que Jerônimo d'Albuquerque escreveu aos
seus filhos Antônio e Matias, em 20 de agosto
de 1605, onde fala de salinas formadas espontaneamente
a aproximadamente 40 léguas ao norte, o
que corresponde hoje as salinas de Macau.
Desse fato, voltamos a ter notícias quando
consultamos o "Auto de repartição das
terras" feito em Natal em fevereiro
de 1614, onde está escrito que Jerônimo
de Albuquerque dera aos filhos Antônio e
Matias, em 20 de agosto de 1605, umas salinas
que estariam a quarenta léguas para
o norte (aproximadamente 240 km),
mas que nunca foram cultivadas nem feitas
benfeitorias.
Em 1627,
o frei Vicente do Salvador registrou a colonização
norte-rio-grandense. Notou que "as
salinas onde naturalmente se coalha o sal
em tanta quantidade que se podem carregar
grandes embarcações".
Outro registro
que encontramos nos velhos livros de história
fala que em janeiro de 1644, alguns Tapuias,
de volta do Outeiro da Cruz (Maranhão),
onde tinham estado em combate, entraram
nas salinas de Mossoró e degolaram alguns
trabalhadores que ali se encontravam.
Em 1844/45,
setenta e oito barcos carregaram em Macau
59.895 alqueires de sal. No entanto, embora
o sal extraído no Rio Grande do Norte fosse
superior pela sua qualidade intrínseca,
perdia essa qualidade pela rudeza como era
produzido, de modo que nos anos seguintes
perdia mercado para o sal europeu que era
mais barato e melhor preparado. Um dos fatores
que onerava o preço do sal produzido no
Rio Grande do Norte era a dificuldade no
transporte por causa do assoreamento das
barras dos rios Mossoró e Assu.
Em 1886
é criado um imposto protecionista para tributar
o sal estrangeiro. Dessa forma, o sal produzido
no Rio Grande do Norte passa a ser competitivo,
e isso impulsiona decisivamente o
desenvolvimento da nossa indústria salineira
.
No
período de 1941/45, houve uma retração na
extração do sal, motivada pela diminuição
da navegação de cabotagem durante a Segunda
Guerra Mundial. Apesar disso, o sal continuou
sendo o principal produto comercializado
por Mossoró e região, sofrendo oscilações
que não comprometeram o mercado de forma
mais acentuada.
Os municípios
do Rio Grande do Norte produtores de sal
são os seguintes: Areia Branca, Galinhos,
Grossos, Guamaré, Macau e Mossoró.
Depois
de toda essa explicação, o leitor poderia
perguntar: como Mossoró está entre os municípios
produtores de sal se não fica no litoral?
Para responder a essa pergunta, temos que
dá outras explicações: o clima predominante
em Mossoró é semi-árido quente, com temperatura
oscilando entre 24o e 35o centígrados,
temperatura essa que dura a maior parte
do ano. O ar apresenta baixo teor
de umidade, elevada evaporação, apresentando
uma média de 2.850mm. As precipitações ocorrem
ao redor de 450mm anuais e a evaporação
líquida é de 2.400, sendo que a intensidade
de irradiação solar varia entre 120 e 320
horas/mês, com ventos que apresentam
velocidade média entre 3,8 e 4,4m/s.
Junto a isso temos ainda um solo impermeável,
o que assegura condições ideais para a cristalização
e colheita do sal, com um grau de pureza
que atinge até 98o Baumé. As salinas de
Mossoró estão localizadas na várzea estuarina
dos rios Mossoró e do Carmo. Essa várzea
é inundada, ora pelas águas do mar, ora
pelas águas das enchentes dos rios, que
quando cessam as chuvas formam salinas naturais,
onde o relevo é plano e baixo, estreitando-se
para o litoral, onde a água do mar chega
a alcançar até 35 km do litoral. Essa série
de fenômenos naturais é que faz com que
Mossoró possa figurar entre os municípios
produtores de sal do Estado.
(Para
conhecer mais sobre a história de Mossoró
visite o site: www.mossoro.cjb.net)
|