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Mossoroenses
fazem última homenagem a João de Deus
Bruno
Barreto Da Redação
Ontem à
noite centenas de católicos se dirigiram
à Catedral de Santa Luzia para participar
da missa, rezada pelo ex-bispo de Mossoró
D. José Freire, em homenagem ao papa João
Paulo II, que morreu ontem, às 16h37, horário
de Brasília. Estiveram presentes 9 padres
de variadas paróquias da cidade e vários
seminaristas. A celebração não foi dirigida
pelo atual bispo de Mossoró, D. Mariano
Manzana, porque o sacerdote estava em viagem
a Umarizal.
Apesar
de não haver lágrimas, boa parte das pessoas
presentes à missa estava visivelmente emocionada,
como era o caso da dona de casa Erileide
Batista. "É muito triste para todos
nós perdemos uma pessoa como o papa",
lamenta.
Entre os
padres presentes o sentimento era o mesmo,
a tristeza só não era maior porque o estado
de saúde do Sumo Pontífice vinha sendo bastante
divulgado nas últimas semanas, por causa
disso a sua morte já era esperada. "De
certa maneira já esperávamos porque o Santo
Padre tinha uma vida bastante sofrida, mas
ele cumpriu a sua missão e muito bem, deixando
como marca principal a liberdade dos povos",
recorda padre Sátiro Cavalcante.
O vigário
geral de Mossoró, Padre Flávio Augusto,
também analisou a passagem de João Paulo
II. "Temos visto a páscoa do papa com
um misto de tristeza, pela perda, e agradecimento
a Deus pelo pastor que ele foi para todos
nós, tudo isso acreditando na certeza de
sua ressurreição", conclui.
Toda essa
comoção pelo papa João Paulo II não era
para menos, ele foi um dos líderes da Igreja
Católica mais populares da história, conheceu
várias culturas, viajou o mundo inteiro
visitando 125 países, em 104 viagens oficiais
internacionais, buscando sempre uma aproximação
das religiões em torno da fé, sem priorizar
a atuação política e condenando aqueles
que matam em nome de Deus. "Para mim
foi um dos pontificados mais significativos
da história por tudo que ele fez ao redor
do mundo", confirma o ex-bispo de Mossoró,
D. José Freire.
Nenhum
outro papa realizou tantos encontros: foram
mais de 18 milhões de peregrinos a participarem
de uma de suas audiências que ao todo chegaram
a 1.160, realizou 982 encontros oficiais
com chefes de Estado, graças a isso a sua
popularidade sempre esteve em alta entre
os fiéis. "Ele foi muito bom sempre
preocupado com as coisas de Deus",
afirma a fiel Maria José de Souza.
A saúde
de João Paulo II piorou rapidamente a partir
do início deste ano. O papa passou por duas
cirurgias em dois meses, na última quarta-feira
o Vaticano anunciou que o papa estava se
alimentando por meio de um tubo nasal para
ajudá-lo a se recuperar de uma recente cirurgia
na garganta. Horas antes desse anúncio,
o papa, pela segunda vez em quatro dias
tentou, mas não conseguiu falar em público,
fazendo com que surgissem mais boatos sobre
a deterioração de seu estado de saúde.
A internação
anterior ocorreu em 24 de fevereiro, quando
o Pontífice foi submetido a uma traqueostomia
(abertura de orifício na traquéia para possibilitar
a respiração), na ocasião ele ficou
internado por 18 dias.
Em 23 de
fevereiro, um dia antes de voltar ao hospital,
o papa realizou sua audiência por meio de
equipamentos de videoconferência, e falou
aos peregrinos de seu estúdio particular,
por causa do frio e da chuva que caiu em
Roma.
No início
daquele mesmo mês, o papa havia passado
dez dias no hospital Gemelli por sofrer
uma inflamação da laringe e da traquéia;
ficou internado por dez dias.
O pontificado
de João Paulo II durou 26 anos - o terceiro
mais longo da história. Neste período, proclamou
482 santos, mais do que todos os predecessores
nos últimos 500 anos.
Padre Flávio
faz anúncio oficial
O padre
Flávio Augusto Forte de Melo, vigário-geral
da diocese de Mossoró, teve a dura missão
de anunciar ontem à tarde, nos microfones
da Rádio Rural, o falecimento do papa João
Paulo II, ocorrido às 16h30, no Vaticano.
O anúncio inicialmente seria feito pelo
bispo dom Mariano Manzana, mas devido a
uma viagem sua a Umarizal, a missão acabou
delegada a padre Flávio, que o fez bastante
emocionado. Veja o que ele disse:
"Queridos
irmãos e irmãs da diocese de Santa Luzia
de Mossoró, nós, em nome de dom Mariano
Manzana, em nome da diocese, queríamos comunicar
que às 16h30 foi anunciado pelo Vaticano
que veio a óbito o Santo Padre. Nós queremos
pedir a toda a diocese que clame em oração
a partir deste momento agradecendo a Deus
pelo grande testemunho que o Santo Padre
deu até o último instante de sua vida íntima.
Fez sua páscoa definitiva e estamos nós
convocados agora a nos unir como Igreja,
pertencente à diocese de Santa Luzia, a
fazer com que esse momento seja especial
para todos nós, mostrarmos a nossa gratidão
ao pai pelo testemunho e pelo exemplo de
vida. Quero convidar a todos para daqui
a pouco na Catedral de Santa Luzia, em Mossoró,
às 19h30, irmos todos celebrar a eucaristia
conforme determinou o nosso bispo, para
esta primeira missa para agradecer a Deus
a vida do Santo Padre".
NOTA -
Depois do pronunciamento nos microfones
da Rádio Rural, padre Flávio assinou nota,
em nome do bispo dom Mariano Manzana, a
respeito da morte de João Paulo II. O teor
é o seguinte:
"A
diocese de Santa Luzia de Mossoró, ao tomar
conhecimento oficial do falecimento do Santo
Padre, o papa João Paulo II, por volta das
16h30 deste sábado, Oitava da Páscoa do
Senhor, se une aos cristãos do mundo inteiro
em oração ao Deus da vida e da paz. Ao celebrarmos
a vigília da Divina Misericórdia, movidos
pelo sentimento filial que nos une ao Santo
Padre, convocamos todos os irmãos para juntos
elevarmos a Deus nossa oração durante estes
dias em que estaremos reunidos em torno
da Eucaristia, velando pelo Sumo Pontífice,
que por 26 anos foi pastor e guia da nossa
Igreja".
Dom Mariano
Manzana, bispo diocesano (assinada por Padre
Flávio)
Governadora
lembra o caráter missionário e a visita
do papa ao Rio Grande do Norte
Tão logo
recebeu a notícia do falecimento do papa
João Paulo II, a governadora Wilma de Faria
lançou nota oficial lamentando o fato ocorrido.
Wilma lembrou da sua passagem pelo Rio Grande
do Norte, em 1991, quando na época era prefeita
de Natal.
"Ele
foi um grande missionário. Pregou o evangelho
na prática, percorrendo o mundo, sem medo,
respeitando ideologias, praticando a paz.
Quebrou as regras do papado tradicional,
não fazendo do Vaticano o seu gabinete.
Seu lugar foi o mundo. Sua missão, a palavra
de Deus".
Em 1991,
Wilma de Faria era prefeita de Natal quando
o papa esteve na cidade. "Guardo dele
a figura de um homem terno, de um missionário.
Sua imagem era iluminada".
Arcebispo
de Natal diz que João Paulo II foi um líder
Da Tribuna
do Norte
Os sinos
da antiga Catedral de Natal ecoaram no final
da tarde de ontem. Era o anúncio concreto,
para o natalense, de que a maior autoridade
da Igreja Católica havia morrido. "Esse
é um momento de tristeza. Não tristeza de
desespero, mas de saudade pelo homem que
ele foi, pelo missionário, pelo líder",
comentou o arcebispo metropolitano de Natal,
dom Matias Patrício.
Ele afirmou
que esse é o momento de se voltar para os
céus e pedir a Deus o repouso eterno para
o papa João Paulo II. "Precisamos pedir
também pelo novo papa para que ele continue
o trabalho iniciado por João Paulo II."
Dom Matias
Patrício ressaltou ainda o trabalho missionário
realizado pelo papa. "Esse foi o papa
que mais viajou pelo mundo, ele fez muitas
missões e foi o grande missionário",
completou o arcebispo metropolitano de Natal.
Hoje, às
19h15, dom Matias celebrará uma missa, na
Catedral, pelo papa João Paulo II. "Não
é uma regra, mas pelo clima de afetividade,
todas as missas de hoje (sábado) e de amanhã
serão celebradas pelo papa João Paulo II",
comentou.
A última
vez que dom Matias esteve com o papa João
Paulo II foi em junho, quando recebeu o
"palio", uma insígnia entregue
pelo papa ao arcebispo, sempre no dia de
São Pedro. "Levarei do papa uma grande
imagem de homem da Igreja. Fica a lição
do grande trabalho dele pela Igreja. Mesmo
nos seus últimos dias ele continuou trabalhando
e, mesmo doente, ainda concelebrou (na última
sexta-feira) a Eucaristia."
Dom Matias
acompanhou a notícia da morte do papa pela
televisão. E também pela TV assistirá as
celebrações do sepultamento do papa.
O arcebispo
de Natal evitou comentar sobre o novo papa.
"Isso está nas mãos de Deus. Sei que
virá um papa que dará continuidade a Igreja.
Quem virá será bem acolhido e tenho certeza
como dará conta do recado", completou.
No momento
que foi anunciada a morte do papa João Paulo
II, na Igreja de Bom Jesus das Dores acontecia
uma missa. Muitos fiéis foram pegos de surpresa
com a informação passada pelo celebrante.
A partir daquele momento, as preces ganharam
um fervor maior na direção da maior autoridade
da Igreja Católica.
Lula decreta
luto oficial de 7 dias
O presidente
do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
decretou ontem luto oficial de sete dias
em todo o País devido à morte do papa João
Paulo II, ocorrida na tarde passada. O presidente
brasileiro deverá comparecer ao velório
do Pontífice, segundo disseram funcionários
do Palácio do Planalto.
Em mensagem
divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores,
o presidente lembrou que o Brasil é "o
maior país católico do mundo". Leia
a íntegra do texto:
"A
morte do papa João Paulo II entristece profundamente
o povo brasileiro, que tinha pelo Santo
Padre grande afeto. Suas três visitas ao
Brasil serão sempre recordadas com viva
emoção. A canção 'João de Deus', entoada
espontaneamente pelo povo brasileiro, expressou
esta relação de carinho e respeito.
Até o final
da vida, João Paulo II conduziu sua missão
com energia e lucidez. O sofrimento que
não escondia, nos últimos anos, jamais alterou
sua determinação.
Em 26 anos
de peregrinação às mais diferentes regiões
do planeta, o papa criou uma obra rica e
multifacetada, reforçando a esperança de
um mundo de justiça e liberdade. Sua liderança
espiritual espelhou-se na luta incansável
em prol da dignidade da pessoa humana; na
busca do diálogo entre culturas e religiões;
na posição corajosa em favor da paz e do
direito; e no grande empenho em eliminar
a marginalização social e econômica de indivíduos
e nações. Maior país católico do mundo,
onde convivem harmonicamente pessoas de
variadas crenças, o Brasil se sente compungido
pela perda de um dos homens que, como poucos,
influiu, de forma marcante e positiva, no
curso da História Contemporânea".
Evangélicos
se solidarizam com católicos
A comunidade
evangélica presta sua solidariedade aos
católicos com a morte do papa João Paulo
II. Os pastores Martim Alves, da Assembléia
de Deus de Mossoró, e Marcos Limeira, da
Primeira Igreja Batista, falaram a este
jornal sobre o momento que vive a Igreja
Católica.
"Ele
(o papa) faz parte da história da humanidade
e tem uma importância enorme para o mundo
católico romano", disse o pastor Martim.
Ele falou ainda que os católicos devem estar
preparados para esta perda, pois, como trata-se
de um ser humano comum, o Sumo Pontífice
também está sujeito à morte.
O pastor
Marcos Lima, da 1ª Igreja Batista de Mossoró,
também falou sobre a morte como parte da
vida, algo a ser enfrentado por todos, e
comentou o significado deste instante. "Este
é um momento muito difícil, em especial
para a Igreja Católica, que, ao que tudo
indica, está ficando sem seu líder maior,
do ponto de vista institucional", disse
o pastor Batista.
Os dois
falaram que as igrejas evangélicas lembram
rotineiramente do papa, mas de forma indireta,
nas suas orações. "Nós, como evangélicos,
oramos pelas autoridades, sejam elas civis
ou eclesiásticas. Independentemente de sua
ideologia ou crença, nós pedimos a benção
de Deus para elas", disse o pastor
Martim.
Segundo
ele, os evangélicos oram tanto pelos católicos,
como pelos muçulmanos, budistas e adeptos
de outras religiões, "porque todos
são carentes da bênção de Deus".
Os pastores
deixaram suas mensagens aos católicos, pedindo
a estes que entrem em clima de oração pelo
destino não só da Igreja Católica, mas de
si mesmos. "Que os católicos se voltem
para a leitura da Bíblia Sagrada e descubram
o plano de Deus para sua vida", convocou
o pastor Martim.
O pastor
Marcos Limeira comentou ainda a boa relação
que as igrejas cristãs têm tido neste início
de século e manifestou sua vontade de que
isso continue com a posse do próximo papa.
"Espero que haja uma convivência harmônica
como tem havido nesses anos", comentou.
Espíritas
se solidarizam com católicos em momento
de dor
A comoção
em torno do calvário do papa João Paulo
II não se limitou apenas aos católicos.
Os espíritas de Mossoró estão se solidarizando
também com a comunidade católica que sofre
com a notícia de sua morte.
Os espíritas
procuram ter uma relação mais aberta com
as outras religiões e compartilharam com
os católicos a agonia do papa. "Como
nós sempre nos relacionamos com naturalidade
com as outras religiões vemos o papa como
o dirigente de um outro credo muito importante.
Estamos comovidos com a sua situação, mas
a transição da vida material para a espiritual
pela qual ele passou é normal, mesmo assim
nos unimos à comunidade católica nas preces",
diz.
O coordenador
do Movimento Espírita de Mossoró, José Couto,
afirma que o papa já cumpriu a sua missão
na terra e espera que o seu sucessor dê
continuidade a suas ações. "O papa
foi um grande homem que cumpriu o seu papel
como dirigente religioso e é muito importante
que seu sucessor possa dar continuidade
ao seu trabalho que colocou a Igreja em
um bom patamar de elevação".
Israel
e palestinos se unem em luto pelo papa
Israelenses
e palestinos se uniram no luto ontem pela
morte do papa João Paulo II, que peregrinou
pela região com um discurso de paz, num
contraste com a violência e belicismo que
dominaram nos últimos anos.
O ministro
israelense das Relações Exteriores, Silvan
Shalom, afirmou que a morte do papa foi
"uma grande perda para toda a humanidade"
e mencionou a contribuição histórica do
pontífice para melhorar as relações entre
a Igreja Católica e o povo judeu e o estado.
"Israel,
o povo judeu e o mundo inteiro perderam
hoje um grande campeão da reconciliação
e fraternidade", afirmou o ministro,
por meio de um comunicado.
O presidente
palestino Mahmoud Abbas descreveu João Paulo
II como "um grande religioso que devotou
sua vida a defender os valores da paz, liberdade,
justiça e igualdade para todas as raças
e religiões, bem como a luta de nosso povo
pela independência".
O ministro
palestino das Relações Exteriores, Nasser
al-Kidwa, disse que o papa fez "uma
visita extremamente importante para a Terra
Santa, que contribuiu para uma atmosfera
diferente, aumentando a esperança entre
o nosso povo".
Aos 79
anos e afligido por doenças, o papa embarcou
numa peregrinação de 7 dias para Israel,
os territórios palestinos e a Jordânia em
março de 2000. Foi uma oportunidade para
encontrar líderes israelenses e palestinos
e pedir a inimigos de longa data para conseguir
uma "justa paz" no Oriente Médio.
Durante
o papado de João Paulo, o Vaticano e Israel
trocaram embaixadores pela primeira vez,
marcando uma mudança histórica na atitude
da Santa Sé em direção ao estado judeu.
Muçulmanos
em Roma oram pelo papa João Paulo II
Muçulmanos
também participam das orações para o papa
João Paulo II, em Roma. Alguns o consideram
um homem de paz, outros um defensor da tolerância
religiosa.
O ex-embaixador
italiano que converteu-se ao Islamismo e
tornou-se representante da Liga Mundial
Islâmica, Mario Scialoja, disse à rede de
TV RAI que os muçulmanos devem lembrar-se
de como o papa apelou ao mundo para que
o terrorismo e o islã fossem diferenciados,
na época do ataque às torres gêmeas de 11
de setembro de 2001.
"Sentimos
muito pelo papa, e muitos de nós vão orar
por ele como indivíduos, mas não haverá
preces coletivas.
É uma escolha
política. Nós não tivemos este tipo de oração
nem quando (Iasser) Arafat (ex-presidente
da ANP) morreu (em novembro de 2004)",
disse Scialoja, em uma mesquita localizada
em Roma.
Velório
e funeral podem durar até nove dias
CIDADE
DO VATICANO - Os funerais do papa João Paulo
II, que morreu ontem no Vaticano, devem
durar nove dias consecutivos, e seu corpo
será sepultado entre o quarto e o sexto
dia após a morte, salvo algum motivo excepcional,
segundo as disposições definidas pelo próprio
Santo Padre na Constituição Apostólica de
1996.
O documento
estabelece com precisão todo o procedimento
que deverá ser seguido à risca para as exéquias
e para a escolha de seu sucessor. Assim
que o camerlengo da Igreja Católica constata
a morte do Pontífice e anuncia a notícia
ao povo de Roma, os cardeais devem fixar
o dia, hora e modalidades do transporte
do corpo do papa à Basílica do Vaticano
para ser exposto "à homenagem dos fiéis".
O camerlengo
assume então de forma interina o cargo do
papa, até a eleição de um sucessor. Ele
também é encarregado de convocar o primeiro
conclave, a reunião de cardeais para escolher
o novo Pontífice.
Delegações
dos governos do mundo inteiro assistem tradicionalmente
à missa fúnebre realizada pelos cardeais
e presidida pelo decano do Sacro Colégio.
O conclave
deve começar dentro de um prazo de duas
semanas depois da morte do papa. De acordo
com a última reforma, os cardeais eleitores
não morarão mais no palácio apostólico -
como acontecia no passado - mas num hotel
localizado dentro do Vaticano.
João Paulo
II foi o responsável pela construção deste
alojamento, Domus Sanctae Marthae (a Casa
Santa Marta), a poucos metros da Basílica
de São Pedro.
Os purpurados
devem se reunir regularmente na Capela Sistina
para votar, a um ritmo de duas vezes por
dia. Desde as primeiras reuniões, ou "consultas"
prévias ao conclave, os cardeais devem ler
- se ele existir - o testamento ou os documentos
deixados pelo Pontífice morto. Além disso,
eles devem quebrar o anel apostólico e o
selo de chumbo com os quais foram enviadas
as Cartas Apostólicas durante seu pontificado.
Os cardeais
também têm de tomar medidas práticas, como
aprovar um orçamento de gastos corriqueiros
até a eleição do sucessor. Geralmente, também
é pago um prêmio aos funcionários do Vaticano
e são postos à venda selos e medalhas especiais
com o símbolo do conclave, um guarda-sol
litúrgico.
Os cardeais
também devem encarregar dois eclesiásticos
"exemplares" de pronunciar ante
os grandes eleitores os problemas mais aparentes
da Igreja e as características que deveria
ter o novo Pontífice. Às vezes, estas meditações
se transformam em verdadeiros retratos do
futuro papa.
De acordo
com a tradição, nem sempre respeitada, o
papa deve ser enterrado na Basílica do Vaticano,
perto do túmulo de São Pedro, o que João
Paulo II confirmou em sua Constituição Apostólica
"Universi dominici gregis" de
1996.
Entretanto,
os cardeais só vão tomar uma decisão depois
de lerem o testamento do Sumo Pontífice,
que, segundo seus compatriotas, desejava
ser enterrado no jazigo de sua família,
em Wadowice, perto de Cracóvia.
Nenhum
registro fotográfico ou sonoro dos últimos
momentos de João Paulo II ficará para a
História, a não ser que o cardeal decano
decida pelo contrário. "Quando o Sumo
Pontífice está morrendo, ou depois de sua
morte, diz a Constituição que ninguém tem
o direito de tirar fotografias dele, nem
gravar suas palavras para divulgá-las depois".
Porta-voz
revela como foi a última hora de vida do
papa
Uma intensa
corrente de oração acompanhou a última hora
de vida do papa João Paulo II, segundo revelou
o porta-voz do Vaticano e amigo particular
do Pontífice, Joaquín Navarro-Valls. Uma
última missa foi celebrada no quarto do
Pontífice minutos antes de sua morte, por
auxiliares próximos.
"Por
volta das 20h (15h em Brasília), foi realizada
uma missa em seu quarto, celebrada pelos
monsenhores Stanislao Mietek e Stanislaw
Rylko, além do cardeal Marian Jaworski",
revelou Navarro-Valls.
Na missa,
o papa teria recebido novamente a "unção
dos enfermos" (antes conhecida como
extrema-unção), segundo informações da mídia
italiana.
Saiba quais
são os rituais da morte do papa
A morte
do papa João Paulo II, ocorrida ontem, deu
início a uma série de ritos, baseados na
tradição ou normas aprovadas pelos papas
ao longo dos séculos. O primeiro foi certificar
a morte do Pontífice. O cardeal camerlengo,
que atualmente é o espanhol Eduardo Martínez
Somalo, foi o encarregado de verificar que
o papa morreu e de retirar de seu dedo o
"Anel do Pescador", símbolo do
poder pontifício, que é o sinal de que o
reinado terminou.
Certificação
da morte do papa
Nos primeiros
séculos, para saber se o papa estava morrendo,
o médico se aproximava de seus lábios uma
vela acesa. Se a chama se movimentasse significava
que ele ainda tinha um hálito de vida. A
operação era realizada várias vezes até
que a chama permanecesse imóvel.
Atualmente,
as técnicas mudaram, e o falecimento é determinado
com os métodos comuns. Uma vez que o médico
confirma o falecimento do papa, o prefeito
da casa pontifícia anuncia oficialmente
a morte: O papa morreu. Todos os presentes
se ajoelham e começam os primeiros responsos.
Depois,
por ordem hierárquica as pessoas se aproximam
do corpo e beijam a mão do Pontífice.
Velório
Imediatamente
começa o velamento pelos cônegos penitenciários.
São acendidos quatro círios aos pés da cama
e é posto um acéter com água benta e um
outro recipiente com água benta junto ao
leito mortuário para os responsos dos visitantes.
Chegada
do camerlengo
O cardeal
camerlengo, que se veste de violeta (cor
de luto) e que é durante a sede vacante
a mais alta autoridade da Igreja, entra
no quarto escoltado por um destacamento
da Guarda Suíça com alabardas, símbolo da
nova autoridade, para assegurar-se oficialmente
da morte do Pontífice.
Retirada
do lenço que cobre o rosto
Na presença
do mestre de cerimônia e dos prelados da
casa pontifícia, o camerlengo se aproxima
da cama, retira o lenço que cobre o rosto
do papa e inclinando-se em direção ao corpo
chama três vezes o papa por seu nome de
nascimento.
O Martelo
de Prata
Depois
bate no seu rosto com um pequeno martelo
de prata e cabo de marfim. Após verificar
que o papa está morto, diz: "vere papa
mortuus est" (realmente o Papa morreu).
Amassar
o anel do pescador
Em seguida,
o camerlengo retira do dedo o Anel do Pescador,
símbolo do poder pontifício. Este é o sinal
de que o "reinado" terminou. O
anel será amassado junto com o selo de chumbo
do papa diante dos cardeais. Isso é para
evitar qualquer eventual falsificação de
documentos papais.
Anúncio
Imediatamente
depois, o camerlengo informará ao cardeal
vigário de Roma que o bispo de Roma morreu.
O cardeal vigário, neste caso Camillo Ruini,
o comunicará ao povo de Roma.
Lavra
a ata da morte
Depois
o notário da Câmara Apostólica lavra a ata
da morte e os sinos de São Pedro tocam,
anunciando ao mundo e a Roma a morte do
papa.
Embalsamadores
Em seguida,
o corpo do papa é entregue aos embalsamadores.
A não ser que o papa tenha estipulado o
contrário, o procedimento exige que suas
vísceras sejam extraídas, que são depositadas
em urnas que a serem conservadas na cripta
subterrânea da igreja de São Vicente e São
Anastácio, em frente à Fonte de Trevi, em
Roma.
Fotografias
proibidas
A norma
vaticana proíbe que se fotografe o papa
morto ou suas palavras sejam gravadas. O
camerlengo dará permissão para que sejam
feitas fotos oficiais, mas desde que ele
esteja vestido com o hábito pontifício.
Mudança
para a Capela Sistina
Uma vez
embalsamado, o papa é revestido com sotaina
branca e a mitra e é levado à Capela Sistina
escoltado por prelados com círios e cardeais.
É posto sob o Juízo Final, onde os fiéis
lhe prestarão o último tributo.
À noite,
uma vez fechado o Portão de Bronze, o cadáver
do papa é entregue aos cônegos de São Pedro
que o vestirão com o hábito pontifício.
Mudança
para a Basílica de São Pedro
No dia
seguinte, o papa é levado para a Basílica
de São Pedro, onde é posto num catafalco,
diante do altar da confissão. Ali permanecerá
três dias antes das exéquias, que desde
a morte de Paulo VI e João Paulo I é realizada
na praça de São Pedro, na presença de presidentes
e reis de todo o mundo.
Exéquias
O papa
é levado até o local numa solene procissão
liderada pelo cardeal decano e o camerlengo,
enquanto os coros entoam: "Libera me,
Domine, de morte aeterna (livra-me, Senhor,
da morte eterna).
Triplo
ataúde e enterro
O corpo
do papa é posto num féretro de cipreste
forrado de veludo carmesim e encaixado em
outro de chumbo de quatro milímetros de
espessura, por sua vez encaixado em outro
de madeira de olmo envernizada.
Um prelado
lê os fatos mais importantes de seu pontificado
e no final introduz o pergaminho num tubo
de cobre que é posto no féretro junto com
um saquinho de veludo com moedas e medalhas
de seu pontificado.
Depois
os garçons selam a caixa de cipreste e a
de chumbo e colocam a de olmo. Sobre esta
última colocam um simples crucifixo e uma
Bíblia aberta.
O féretro
costuma pesar 500 quilos e é levado no final
da cerimônia em um carro fúnebre até o Altar
da Confissão, onde é descido até a cripta
vaticana, onde permanecerá até que haja
um caixão definitivo.
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